Com as sondagens mais recentes a coincidirem numa descolagem do PSD em relação ao PS, os cenários pós-eleitorais encurtam. Em especial para os lados do PS, cuja máquina de spin tentou a certa altura, com colaborações diversas, fazer acreditar que a vitória era possível. Claro que quem brandiu essa bandeira foi o próprio engenheiro quando, mesmo antevendo possível, maioria parlamentar PSD/CDS, avisou que deveria ser chamado a formar Governo o partido mais votado.

Ora, neste momento, tal (pouco faustosa) hipótese parece estar a voar para os domínios da (desejada) implausibilidade). Perante a estabilização do CDS nos 12-13% e da dupla BE/CDU em valores equivalentes ou pouco superiores (em conjunto é difícil que passem os 15%), tudo o que resta é saber se o PSD ganha por 1-3% ao PS ou por mais, quiçá por 5-6% ou mais.

No caso de uma vitória curta do PSD, é muito possível que Sócrates se agarre ao cadeirão com toda a força e tente encenar uma resistência peronista ao defenestramento, no que poderá ser auxiliado pela Esquerda que agora chama radical e pela ausência de tomatina do actual PS, formado quase completamente por fiéis, medrosos e encolhidos. Se a vitória for substancial – e parece caminhar-se para isso – será interessante ver até que ponto há força interior no PS para afastar Sócrates, caso ele não tenha a dignidade de sair pelo próprio pé. Nesse caso, é possível que o instinto de sobrevivência e apetência pelo poder leve parte do PS a inclinar-se para uma solução neutra mas que, com o beneplácito de Belém, sirva para sugerir um encosto à solução do Pântano Central.

É verdade que muita gente quer o PS no Governo para que a contestação nas ruas seja contida e não se avolume como no caso de um governo do PSD/CDS, guiado pelo programa da troika.

Resta saber até que ponto este desejo seduz um PS feito de naturais segundas figuras, praticamente todas comprometidas com um silêncio cooperante com Sócrates.

E até que ponto Sócrates conseguirá gerir (um)a derrota.