Domingo, 29 de Maio, 2011


Madonna, Rain

Por muitas razões óbvias, uma delas porque eu gosto muito do vídeo.

Waiting is the hardest thing

Será o mesmo com certas sondagens?

O José Castelo-Branco está a maquilhar um tipo qualquer de uma tribo dos cafundós. Naquele programa da TVI que eu agora estou a ver em estado de completo maravilhamento e estupor.

Acabei de fazer uma sondagem estatística muito rápida para consumo local nos manuais para LP (5º ano) e fui como nos estudos isczé: constatei com amostra alargada o que se percebe só de olhar.

O cânone concentra-se num número restrito de autores: Alice Vieira, Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada, António Mota, António Torrado, José Jorge Letria, Luisa Ducla Soares, Maria Alberta Menéres e Sophia.

Dos 12 manuais, Alice Vieira está representada em 11 (com 34 referências), António Torrado (com 29, 9 delas num único manual) e Luisa Ducla Soares (com 36, dispersas) em 10, José Jorge Letria (com 27 referências, 10 delas num único manual) e António Mota (21 referências) em 9 e Sophia em 8 (15 referências). Matilde Rosa Araújo, Álvaro Magalhães e Cecília Meireles surgem depois. Confesso que a coisa foi feita olhando para o índice de uns e apenas desfolhando outros. É, pois, um estudo mesmo dos bons.

Dos autores mais antigos, Fernando Pessoa aparece em 6 manuais e Eugénio de Andrade em 4. Aquilino, Teófilo e Jaime Cortesão sobrevivem em 3, mas o resto é quase residual.

Os autores lusófonos estão muito pouco representados: Mia Couto, Pepetela e Ondjaki são excepções.

Em matéria de banda desenhada, a opção recai quase sempre em Bill Watterson (via Calvin e Hobbes). Autores estrangeiros espreitam com Roald Dahl e Goscinny. Há ousadias, mas escassas: C. S. Lewis, Ursula Le Guin e pouco mais.

Talvez isto seja útil, talvez não. Mas, já agora, fica feito. Sem subsídio.

Estive a ver, com uma atitude um tanto ou quanto reprovável e velhoresteliana, uma reportagem televisiva sobre a assembleia popular instalada no Rossio.

A certa altura anunciaram que o jantar vai ser arroz branco com caril de vegetais.

É pá, pronto, parei ali mesmo. Desvinculei logo.

Nem a presença de pessoas (algumas do género certo e aspecto minimamente higienizado) com muitas esperanças numa noite animada me consegue fazer ultrapassar o meu não-vegetarianismo.

Não é por nada, apenas porque sei que estaria cheio de fome pouco tempo depois e, com fominha, não há revolucionarismo ou militância que aguente o meu mau feitio. Deve ser coisa de hipoglicemia.

É que depois, com a falta de condições gustativas mínimas, nem os meus outros órgãos favoritos conseguem ser perfomativos

Eu não.

reorganise local governments and the provision of central administration services at local level;

Seja em que versão ou língua for. Não acredito que exista um Governo capaz de agregar 10% ou mesmo 5% dos municípios existente. e muito menos até 2013.

Nem com o FMI como bicho-papão atrás. Porque se há grupo de pressão bem forte em quase todos os partidos (excepção ao Bloco e ao CDS) é o dos autarcas e derivados. E porque é a esse nível que se começa a cozinhar muita coisa.

Os que temos de analisar para adopção na disciplina de LP para o 5º ano, porque o ME quer que preenchamos uns formulariozinhos online, incluindo um para os erros, que é uma forma de ir adiantando serviço para uma certificação que continua a ser feita a passo de lesma asmática.

Eu sei que em outros tempos já foram mais (acho que chegaram a ser quase 20) mas, mesmo distribuindo um por cada elemento do grupo, é necessário que depois todos atribuam uma classificação.

Como o dia está feioso pelo sopé da Arrábida decidi complicar mais a história e fazer uma análise da frequência dos autores usados pelos manuais paqra distribuir pelos meus colegas. Em circunstâncias normais isto daria um estudo de muitos meses, subsidiado de forma generosa, em particular se fosse feito por malta do isczé.

Assim demorou apenas um par de horas a fazer a tabela de frequências e agora vou fazer o tratamento dos dados. Afinal, contra o que há dias aqui diziam num comentário, o amigo MST está muito pouco representado, ao contrário da mãe Sophia. A nossa actual ministra, na sua parceria de sucesso, encontra-se bem posicionada, mas não em todos os manuais. Entre a malta política há um texto do Fernando Nobre e um poema do Manuel Alegre. Os clássicos menos contemporâneos estão bastante ausentes e limitados à poesia e à recolha de contos.

Pensando bem… este domingo está a ser chato… viesse o sol e mesmo eu que não sou de estios, não me tinha dado para isto.

 

Está aqui um tipo todo confiante no pré-preenchimento da declaração do IRS pelos competentes serviços e descobre-se uma declaração imaculadamente em branco. Logo este ano que não pedi as declarações em papel. Eu sei que amanhã ainda posso pedir a coisa, mas acabei a somar os valores de 14 meses (ainda sem a taxa de redução coiso) de recibos recebidos por mail.

Qual a natural reacção?

Via São Carneiro:

Art Project

Explore museums from around the world, discover and view hundreds of artworks at incredible zoom levels, and even create and share your own collection of masterpieces.

Burocracia

Fisco deixa escapar 3 mil milhões

Dívida fiscal incobrável subiu quase 11% em 2010. E já tem um valor superior ao esforço exigido pela troika às famílias em 2012 e 2013.

… que a foto que acompanha a notícia é um bocado…

Portas: “Em questões sociais sinto-me à esquerda do PSD”

Almerindo Marques exemplo para condenar “compadrio”

O secretário-geral do PCP usou, para condenar “o compadrio”, o caso de Almerindo Marques que, este ano, deixou a presidência das Estradas de Portugal e assume a liderança da Opway, construtora do Grupo Espírito Santo.

O que a mim espanta é que homens com idade para ter juízo, um trajecto profissional razoavelmente estimável e uma situação patrimonial que não me parece de grande carência, aceitem pretar-se a isto, a estas manigâncias.

Ambição? Ganância? Auto-ilusão de serem imprescindíveis?

Uma notícia que tanto pode ser encarada como uma metáfora de muita coisa – alguém que só mantém uma (falsa) posição de princípio até conseguir o que lhe fazia falta – ou apenas como um muito divertido epifenómeno de uma sociedade feita de cromos patéticos.

Vale a pena ler tudo, mas eu faço os destaques mais hilariantes. Como ontem escrevia alguém num outro espaço, vou ter de tomar a tenção quando for à praia, não vá o meu golfinho querer fugir para o oceano:

Margarida perde a virgindade aos 28 anos

Sonhou com o momento em que perdia a virgindade centenas de vezes e acabou por acontecer quando menos esperava. Margarida Menezes fechou o Clube das Virgens e assume-se como uma “nova mulher”.

“Já não sou virgem e já não vejo o sexo como sendo algo que se faça com o homem com quem tenhamos que ficar para o resto da vida”, revela a jovem, de 28 anos, recordando a noite em que tudo mudou: “Namorei durante três meses com o príncipe de olhos azuis e nunca aconteceu nada. Até que um dia, quando já só éramos amigos, houve um clima e acabou por acontecer.”

Antes de mais, coitado do rapaz que a aturou três anos, quando bastava ser amigo para acontecer qualquer coisa. De qualquer maneira, percebe-se que o dito cujo também precisava de alguma rodagem…

O cenário novelesco com que sonhava acabou por não se concretizar – “foi muito convencional, em casa dele, na cama” -, no entanto, as expectativas não foram defraudadas. “Nunca vi o sexo como uma necessidade física, por isso não procurei o prazer. Eu gosto é de carinho, beijinhos e abraços. Neste aspecto, gostei.” Na primeira vez, Margarida confidencia que sentiu “dor, mas suportável”.

O contacto com o corpo masculino também foi uma surpresa agradável. “As minhas amigas diziam-me que o pénis é suave como a pele dos golfinhos, e tinham razão. É muito macio e suave, e não me fez impressão. Agora já me sinto uma pessoa normal”, brinca. Em relação ao acto sexual, Margarida achou “muito rápido”. “Quando dei por mim já tinha acabado. Essa foi a única parte negativa.”

É sempre refrescante percebermos que os estereótipos têm fundamento. Quanto ao futuro, nota-se que se perdeu uma virgem, mas se ganhou alguém que, agora, perante o tempo perdido, quer mais liberdade de mente. Ou demente.

No dia seguinte, Margarida seguiu o seu caminho e o príncipe de olhos azuis ficou para trás: “Foi uma paixão mas não foi amor. Temos maneiras de estar na vida diferentes. Ele queria uma mulher mais caseira e à moda antiga. Eu quero alguém que tenha mais liberdade de mente. Não ia resultar.”

O futuro? Bem… o futuro é… potencialmente desvinculante…

Esta não foi a única mudança na vida da ex-presidente do Clube das Virgens. Além de ter saído de casa dos pais, no Barreiro, ter ido viver para Lisboa e trabalhar à noite no Blues Café, Margarida Menezes colocou implantes de silicone na Clínica Milénio. “Tinha vergonha do meu corpo e não me sentia à vontade. Nem gostava de tirar o soutien. Falei com o doutor Ângelo Rebelo e decidi avançar com a operação”, explica.

Margarida colocou 400 cc, passando do número 34 para o 36/38. “Gostei muito do resultado final. Não está nada exagerado mas está visível. Sinto-me muito mais sensual e feminina.”

Com esta mudança de imagem, Margarida espera captar mais a atenção dos homens na discoteca onde trabalha. “Qualquer mulher gosta de se sentir observada. Eu reparo que os homens olham para as mulheres que têm decotes bonitos, e é claro que também gostava que olhassem para mim. Agora sinto–me mais confiante.”

Enviada pelo Mário Silva.

Miguelanxo Prado, A Vida é um Delírio