Terça-feira, 24 de Maio, 2011


Bob Dylan, Tight Connection To My Heart (Has Anyone Seen My Love)

Bob Dylan, anos 80, escapou o Império Burlesco…

Aposto que vão chamar o Alegre.

O problema vai ser calá-lo…

juvenal paio

Não quero postar aquele vídeo do espancamento em Benfica. Por tantas razões que nem aqui as vou agora explicar. Nem que se confirme o que penso.

Tudo depende.

Eu confesso, de modo muito heterodoxo para quem pensa ser de Esquerda, que não a temo por aí além.

Isto pode levar muito tempo e palavras a explicar ou nem tanto assim. Quase dá vontade de pedir, apenas, para comparar o desempenho da anterior nmaioria PSD/CDS com a maioria do PSócrates. Isto excluindo o período em que o Barroso foi tratar da vida e3 o que se seguiu.

Embora seja tema que pede para ser desenvolvido com algum cuidado, eu vou tentar explicar uma tese central que é a seguinte: uma maioria monopartidária deste PS conseguiu fazer mais danos à Esquerda – tal como alguns a entendem, não amiguista, não nepótica, não aquilo que tem sido durante anos e anos a fio –  do que uma maioria de Direita, mono ou bipartidária, conseguirá fazer.

Ideia polémica? Nem por isso, se atendermos aos factos com um pouco de atenção e o necessário desprendimento afectivo (falo dos fiéis da Esquerda-muito-Esquerda).

As maiorias do PS (absolutas ou quase) têm muito maior facilidade em fazer passar políticas que não são de Esquerda do que as maiorias de Direita.

E porquê?

Porque o pessoal da Direita – excepto aqueles que escrevem em colectivos bloguísticos ou algumas heranças de um passado mais traumatizado pelo PREC – tem imensos complexos por ser de Direita e quando apresenta certas medidas – veja-se Passos Coelho – que suscitam mais polémica social, ficam logo meio atrapalhados e tentam cobrir aquilo com um véu de qualquer outra coisa. E também porque sabem que, na rua, fica depois toda a Esquerda em peso.

Já o pessoal do PS Central faz o que bem entende, com o beneplácito dos partidos à sua direita, sem grandes complexos e consegue reduzir muito a contestação nas ruas, algo a que o eleitorado do PSD e CDS não adere com facilidade, excepto nas manifestações de professores ou em acções contra a redução do financiamento privado e algum encerramento de centro de saúde. Mas desistem ao fim de pouco tempo. A Direita não gosta da rua e, nesse caso, um PS à Sócrates com maioria governa com razoável descanso.

Pelo que uma maioria de direita, não muito larga, não é coisa para se temer muito, pelo menos deve ser tão temida como uma eventual maioria do Partido de Sócrates.

Acusem-me de anti-socratista primário e eu aceito.

À Esquerda, acho que a estratégia eleitoral deveria passar sempre por reduzir o eleitorado do partido que mais fez contra um Estado efectivamente Social e não meramente Assistencialista e que agora aparece como paladino dessa Esquerda.

É indispensável, em qualquer estratégia que não olhe apenas para o dia seguinte, perceber que com Sócrates não há qualquer hipótese de uma maioria de Esquerda. E mesmo com este PS, em que desapareceu praticamente qualquer reserva moral contra o que se tem passado (por caridade, não falem em Carrilho, Cravinho, Ferro ou Assis… e mesmo Seguro é demasiado… seguro), isso é muito complicado e só seria possível com uma fronda interna no PS. O que é impensável com uma (inesperada) vitória ou uma derrota tangencial.

Pelo que uma governação à Esquerda terá de ser pensada para além do curto prazo. Paradoxalmente, pode mesmo ter de ser pensada como  consequência de uma governação à Direita nesse mesmo curto prazo. Com toda a certeza, passa pela necessidade de uma derrota clara do Partido de Sócrates.

Se no Bloco e no PCP não perceberam ainda isso é pena. Se perceberam, mas agem como se não fosse assim, é pena na mesma. O bicho-papão da Direita não é assim tão bicho-papão. Até porque a actual Direita (Passos Coelho/Portas) não é nada do agrado de Cavaco que os manteria com mais rédea curta do que manteve Sócrates.

Percebem onde quero chegar?

Ou estou demasiado out of the box?

A Missão

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