Pedro Passos Coelho disse sobre as Novas Oportunidades algo que me parece incontroverso: o processo de certificação de competências desenvolvido pelo feudo de Luís Capucha limita-se, mesmo que não na totalidade da sua acção quotidiana, a produzir diplomas que servem para dar uma ilusão de qualquer coisa a muitas dezenas de milhar de pessoas que, no essencial, permanecem com o mesmo potencial de empregabilidade.

A maior parte do dinheiro é gasto no aparelho burocrático certificador. Nada de comparável é gasto, por exemplo, na tentativa de colocação dos certificados em situações profissionais mais favoráveis.

O aparelho burocrático CNO é o principal sorvedouro de um manancial de subsídios europeus que se perdem num exercício destinado a produzir uma aparência de qualquer coisa. Os ganhos efectivos dos certificados – excepto o sempre estimável, mas temporário, aumento da auto-estima detectado por um estudo liderado por Roberto Carneiro – são residuais e não conheço nenhum estudo ou avaliação com uma amostra significativa (e não encomendado a amigo ou amiga ou amigo de amiga ou amiga de amigo) que demonstre que os certificados pelos CNO melhoraram significativamente de vida após a certificação, ou um ano depois.

Se existe, para além de conversa fiada, mostrem-no, explicitando as características do método usado e critérios da amostra seleccionada.

Passos Coelho disse o que muita gente sabe e lhe transmitiu.

Mas caíram-lhe em cima com a máquina da verborreia e da culpabilização, seleccionando e distorcendo parcelas do que disse, para o denegrir.

E, neste caso, acho que ele merece ter o devido apoio e não ficar a defender-se sozinho, perante a inépcia de quem o rodeia.

O programa Novas Oportunidades é uma enorme máquina de propaganda, oleada com verbas europeias, comandada por alguém com enormes preconceitos ideológicos e uma postura altamente criticável na forma como tenta intimidar quem tem opinião divergente. O mais confrangedor é que há sempre um pequeno napoleão, um pequeno ditador em potência, quando se dá poder e dinheiro para distribuir a quem acha que, por sentir que só ele subiu a pulso a vida, os outros lhe devem alguma coisa.

O programa Novas Oportunidades terá tanto impacto na qualificação efectiva da mão-de-obra nacional quanto o tiveram os cursos do agora longínquo FSE. Quase nulo, portanto.

E estaremos cá para o lembrar quando a poeira assentar.

Quando se fizer o cálculo custo/benefício desta enorme operação de produção de diplomas e se perceber que foi uma forma extremamente hábil de sorver fundos europeus para um aparelho burocrático clientelar e diversas equipas de estudiosos disponíveis para certificar a qualidade da certificação.

Tudo aquilo que o aparelho de propaganda deste PS produz em contrário, demonizando críticos e hiperbolizando vantagens não passa de uma cortina de fumo. Aliás, tanto alarido só por causa da possibilidade de um olhar externo atento sobre a operação é bem significativo de certas aflições se for caso de prestar contas a sério.

O problema é que este octópode tem muitos tentáculos e tingiu muitos recantos.

E ao escrever isto, sei que arrisco alguma visita. Aliás, em tempos, a mesma foi insinuada ali num parque de estacionamento…