Assumido autor das propostas do PSD em matéria de Educação – ou, pelo menos, de parte delas – Santana Castilho apresenta-se como uma espécie de Fernando Nobre para esta área da governação, procurando capitalizar a simpatia granjeada nos últimos anos com o seu vigoroso discurso anti-Sócrates e anti-Maria de Lurdes Rodrigues.

Em entrevista ao Educare deixa-nos a parte do afago ao ego dos professores e, novamente, a crítica ao passado. Quanto ao futuro, temos pouco, por enquanto. E o que temos entra, em diversas matérias, em contradição com o programa eleitoral do PSD nestas matérias e com outras vozes nesta área política:

E: Avaliar as atividades da tutela é uma das medidas que propõe no seu livro. Desconfiado com a atuação do Ministério?
SC:
Como em qualquer sistema, quem dirige é o primeiro interessado em ter elementos constantes que permitam corrigir rotas mal traçadas. Um Ministério da Educação não é um califado a que se deva obediência cega, ou um papado infalível. Não é uma questão de desconfiança. É uma questão de mudança de paradigma. Auscultar o que os portugueses pensam da aplicação das políticas delineadas pelo Ministério da Educação parece-me ser um belo começo para que professores, pais e alunos se sintam cada vez mais como entidade coesa.

(…)

E: O que se ganharia com a extinção das direções regionais de educação, como sugere?
SC:
O que se ganha quando se removem excrescências moles, que de nada servem a não ser complicar o normal funcionamento do sistema. Defendo, como sabe, a ampla autonomia das escolas e a responsabilização plena dos seus agentes pela respetiva missão. Neste quadro, ter uma corte de burocratas de serviço, que são meras correias de transmissão de um poder centralizado, que também combato, seria impensável. Tanto mais que consomem uma boa maquia dos impostos dos portugueses.

E: Estamos perante um sistema de ensino que não funciona? Diz que copiar modelos do estrangeiro nem sempre resulta…
SC:
Não resulta nunca. Temos a nossa cultura e os nossos problemas específicos.

E: Por que razão afirma que é um “disparate” ter os portugueses na escola até aos 18 anos?
SC:
Como pai, não aceito que o Estado decida por mim e pelos meus filhos a educação que eles prosseguem. Como cidadão, quero liberdade para trabalhar aos 16 anos, como, aliás, o próprio Código do Trabalho consigna. Deve o Estado garantir a todos que queiram e tenham capacidade para tal, sublinhe-se, a prossecução de estudos, sem entraves. Mas não deve o Estado impor a escola a quem já pode ser responsabilizado por crime, sabe o que faz e quer ir trabalhar. Porque, ao invés de ser compulsiva, a educação deve ser tida como um direito. Chega de Estado que diz proteger-nos de tudo menos dele próprio.

Sobre a questão da avaliação do desempenho, fica uma declaração de princípios interessante, mas que o programa do PSD não desenvolve e, em caso de dúvida, gato escaldado…

E: Critica duramente o modelo de avaliação, referindo que é “tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre”. Contra a avaliação ou a favor de um outro método avaliativo?
SC:
A avaliação é uma coisa distinta da classificação. Um primeiro-ministro e uma ministra da Educação ignorantes e que odiaram os professores confundiram os dois conceitos e impuseram, à bruta, um sistema de classificação inqualificável.

Não sou contra a avaliação, desde que seja exequível e contribua para melhorar a qualidade do sistema de ensino e a qualidade do desempenho dos professores. Qualquer inteligência média compreende isto. Infelizmente, muitos políticos e comentadores não compreenderam e continuam a não compreender.