Quarta-feira, 11 de Maio, 2011


Suzanne Vega, No Cheap Thrill

Não é todos os dias que eu saio de casa depois de ter entrado em casa vindo da escola.

Abreviando, deu-me para ir gastar quinze euros com uma electroválvula. Esta:

Fiquei maravilhado por ser solenóide.

Que farei eu com ela?

por isso
partiste

porque nada ouvias e na tua face

a noite crescia quando partiste

viajava aos
meus olhos uma catedral imensa

rumorosa e confusa das manhãs claras

reparava em
todos os sons

e havia sons que eram escadas

outros que pareciam luzes

e alguns que ainda não eram sons quando partiste

todos
edificaram a noite

que ficou uma catedral de silêncio

sem escadas nem luzes

nem faces que nos meus olhos viajassem

quando partiste

[eu]

Interrogação

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do <<Cântico dos cânticos>>.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo…
Eu não sei que mudança a minha alma pressente…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

[Camilo Pessanha]

é perigoso abusar-se de “engenheiro”

Lidas as coisas, ditas outras, o que resta é que o PSD vai continuar as políticas do PS em matéria de Educação – embora omita tudo o que seja detalhes sobre uma indispensável reforma curricular – apenas lhes acrescentando um tom mais compreensivo para com os professores, mas não no sentido parado-paradinho de Isabel Alçada.

Não vão existir parcerias preferenciais para tramoços e minuins e isso é mais do que certo para certos negociadores que sentem o direito a um lugar vitalício à mesa.

Talvez não nos chamem zecos ou monos, mas é evidente que os professores continuarão a ser encarados como meros executores das políticas sobre cuja definição não terão especial voz. Apenas lhes pedirão por favor, após a ordem dada, em vez da truculência da tríade do outro mandato ou a gaguez da trindade demissionária.

No PSD existiam demasiados admiradores do reformismo e coragem de MLR. Foi esse o sector que venceu na versdão final do programa eleitoral do PSD.

É pena.

Poderiam ter feito algo diferente. E não se escudarem na falta de margem de manobra.

Tiveram (quase) tudo na mão e desbarataram-no. Podiam ter optado por mudar estilo e substância. Ficaram-se pelo estilo. É curto e acessório.

Agora há que optar por aceitar isto de forma resignada ou tentar alterar o que aí vem pela via da explicação e da resistência activa. Se possível não automatizada.

Resumindo: a esperança na mudança é nula com o PS e muito escassa com o PSD.

Repito: é pena!

E, por fim, temos as palavras de José Manuel Canavarro que – ENFIM! – sai da sombra e explica, em maior detalhe, numa entrevista ao Blogue do Alho, o que está no programa eleitoral do PSD.

Repare-se que entre as palavras de Canavarro e as propostas do PSD não há contradições, mas aprofundamento e especificação de alguns aspectos mais vagos.

Não sei se incomodado por declarações alheias de autoria, aquele que terá sido a influência maior nas referidas propostas.

Não é pormenor nenhum que, em diversas passagens, fale na primeira pessoa do plural sobre o que “pretendemos” fazer:

O programa eleitoral do PSD aponta para uma efectiva municipalização da gestão escolar?

Ao nível das infra-estruturas, devo reconhecer que, em articulação com a Associação Nacional de Municípios, procuraremos emagrecer as estruturas intermédias da administração educativa e os encargos que delas decorrem para o Estado e para todos nós. Inclusivamente, a redução de despesa é um imperativo que decorre do memorando de entendimento estabelecido com a troika. O programa aponta para uma alteração do enquadramento financeiro pelo que reconhecemos às autarquias – desde que consensualizado – um papel preponderante na administração dos equipamentos escolares.

E quanto ao pessoal docente?…

Não sendo taxativo, respondo que não. Contudo, não excluo que, ao longo da legislatura, possamos empreender algumas experiências piloto de gestão integrada. Mas até nesses casos, tudo teria de ser prévia e minuciosamente consensualizado com os parceiros, mormente com as organizações sindicais representativas dos professores. Em resumo, pode ser uma possibilidade em aberto mas sempre em diálogo com os representantes dos professores e com a comunidade educativa a envolver.

Segue-se uma parte gaga que é a do aumento da representação das autarquias nos Conselhos Gerais à custa de outros actores externos à escola, algo que não é bem o que está no programa do PSD mas que, levantando ondas, é preciso assobiar para o lado

Também se prevê um reforço da representatividade das autarquias nos Conselhos Gerais. Poderá esta proposta ser interpretada como uma diminuição da confiança nos professores ou a uma menorização da sua intervenção?

Não. Não está em causa. Poderemos aumentar a representatividade das autarquias com a diminuição da representatividade de entidades externas, por exemplo. Aliás, estamos a pensar em modelos que não terão que ser idênticos para todas as Escolas, ainda que respeitem uma linha de base. Mas, estes aspectos de detalhe mais preciso só serão apresentados no Programa de Governo. Rematando, a representatividade dos docentes no Conselho Geral não está em causa.

Sobre outra matéria sensível é evidente a abertura ao fim dos concursos nacionais, havendo talvez um último para ajustamentos:

Ainda sobre pessoal docente, existe quem aponte a este programa eleitoral a pecha de, por exemplo, ser omisso em matéria de concursos nacionais. Havia expectativa – entretanto gorada – de abertura de concursos durante o corrente ano e a legislação prevê a sua realização de quatro em quatro anos…

Para nós, não é matéria de programa eleitoral. Num primeiro momento – e logo que o actual executivo nos disponibilize informação detalhada sobre as reais necessidades do sistema neste particular – faremos seguramente concursos nacionais. Existem numerosas situações de docentes profissionalizados, contratados consecutivamente há dez anos ou mais, não vinculados mas a suprir necessidades permanentes que têm de ser resolvidas. De igual modo, existem expectativas de professores, já integrados nos quadros, de obterem a mobilidade. Por tudo isto, abriremos um concurso nacional. No entanto, importa lembrar as limitações impostas pelas entidades que nos disponibilizaram assistência financeira em matéria de despesa no que isso poderá implicar na desejada vinculação de muitos profissionais.

E depois?…

Pretendemos que o número de professores contratados diminua porque significaria que as necessidades permanentes foram finalmente supridas. Nessas circunstâncias, afigurar-se-iam aceitáveis modelos de contratação mais localizados. Cumulativamente, entendemos que fazer concursos de quatro em quatro anos – é uma opinião pessoal – pode não ser necessário ou inteiramente vantajoso. Fidelizar e estabilizar o pessoal docente a um Agrupamento de Escolas é desejável.

E, já agora, a confirmação do desejo de continuar a mega-agrupar.

Parece depreender-se do programa do PSD que o actual modelo de gestão dos Agrupamentos será para manter numa lógica – pode ler-se – de “verticalização pedagógica”…

Este modelo – reconheçamo-lo – tem alguns méritos. Mantemos a opção pelo concurso de Directores, com uma carreira própria que suscite um forte reconhecimento interno, por parte dos professores e das Escolas, e externo, por parte da comunidade em geral.

As fusões serão, presume-se, para continuar?

A assistência financeira externa entende, para a generalidade dos sectores, que a fusão de organismos trará benefícios financeiros e aumentará a eficácia dos serviços prestados. Poderemos não ter grande margem de manobra.

Agora a cereja em cima do bolo: a continuação do mecanismo das quotas e a não revisão do ECD:

Mas os estrangulamentos provocados pelas quotas em ciclos avaliativos tão curtos serão para manter?

Queremos ciclos avaliativos mais alargados, distendidos no tempo. Quanto ao resto, às famigeradas quotas, cumpre reconhecer que – uma vez mais – a margem de manobra é curta. Ainda assim, e porque percebemos o impacto naqueles que não são incluídos nas percentagens que permitem o acesso aos escalões superiores, tentaremos viabilizar fórmulas alternativas de premiar o esforço e a dedicação dos profissionais que momentaneamente não possam progredir nos termos tidos por clássicos. Não é, ressalvo, um assunto fechado.

O Estatuto da Carreira Docente (ECD) conhecerá alterações?

O ECD do ensino superior sim. Definitiva e rapidamente. O ensino superior é caro para os cidadãos, é um investimento muito forte das famílias e há que, sem intuitos meramente retóricos, compatibilizá-lo com o factor da empregabilidade.

Quanto ao ECD dos Educadores e Professores do Ensino Básico e Secundário procederemos – até por força de algumas mudanças de que há pouco lhe falei – a algumas alterações que implicarão uma revisão estatutária. Todavia, não é prioritário.

Vamos lá ser bem claros: ao contrário do que o Ramiro e os reitores pretendem fazer crer, esta é a política do PSD em matéria de Educação e ninguém tresleu ou adulterou: aumento da municipalização, experiências de gestão integrada do pessoal preferência pela extinção dos concursos nacionais, continuação dos mega-agrupamentos, não revisão do ECD e continuação das quotas.

Pode haver quem queira encobrir isto, quem faça piruetas numa cabeça de alfinete. Não é o caso de José Manuel Canavarro, que é sério, honesto e coerente no que afirma.

Canavarro apresenta as coisas como as pensa e como prevaleceram no programa eleitoral do PSD. E não há livros ou hermenêuticas blogueiras que o possam ocultar.

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