E, em chegando ao problema bicudo, que tanta dor de cabeça tem dado, opta-se por formulações vagas. Isto não chega. Este tipo de discurso dá para tudo, o seu contrário e ainda mais alguma coisa:

É na página 97 que se percebe que não existe ainda no PSD uma ideia alternativa clara, seja de estruturação da carreira docente, seja da avaliação do desempenho.

Ou seja, há quem não se tenha querido chegar à frente com aquilo que acha ou em que acredita (se acredita). Ou se percebe mais alguma coisa na 5ª feira, ou então é mais do que notório que alguém está nas encolhas. Eu percebo porquê, mas sou obrigado a desconfiar.

A substituição do actual modelo de avaliação do desempenho dos docentes é uma iniciativa de particular importância e urgência. Os últimos anos na educação foram prejudicados por um processo de avaliação demasiado burocrático e de difícil aplicação. O Governo do PSD apresentará, no início da legislatura, aos parceiros sociais, uma proposta de um novo modelo de avaliação do desempenho docente, assente nos princípios já elencados numa iniciativa recentemente entregue na Assembleia da República.
O novo modelo de avaliação docente, para o qual se desenvolverão todas as diligências no sentido de gerar o mais amplo consenso possível com os diferentes agentes educativos, assume que o primordial escopo da avaliação é o incentivo à melhoria do desempenho. Assim, o PSD reafirma o compromisso de concretizar um regime de avaliação exigente, rigoroso e consequente, num quadro de correspondência bem definida entre autonomia e responsabilidade, sem que estes princípios conduzam a cargas desmedidas de procedimentos administrativos. No que concerne à classificação do desempenho, pretende-se a inclusão de uma componente externa preponderante, removendo da cultura organizacional das escolas os malefícios e perversidades da classificação inter-pares.
Pretende-se, igualmente, implementar um modelo de selecção e profissionalização em exercício que permita ao Estado escolher os melhores professores e educadores, os mais competentes e os que revelem maior sentido ético da profissão docente.

Usei o lilás para melhor destacar aquilo que, no fundo, não quer dizer nada, não se compromete com nada verdadeiramente passível de ser escrutinado e prefere apostar num vazio que, em outros tempos e com outros protagonistas, deu péssimos resultados.

É pena. Até porque, apesar de reconhecer a escassez de verdadeiros especialistas coerentes nesta matéria na área do PSD, tinha ficado com a sensação que o próprio líder tinha ideias claras a este respeito.

Aceitam-se apostas sobre este impasse… 👿 embora me pareça claro que fizeram o possível por evitar um terreno minado.

Só que, escaldados como andamos, cheques em branco é coisa que…