O pessoal parece estar numa de continuar em autoflagelação. Tudo bem, continuemos a falar do assunto interno do dia. Sejamos então claros: este ciclo avaliativo vai terminar com o modelo em vigor e vai ser uma porcaria do princípio ao fim, mas desde que satisfaça alguns senhores directores (como o colega Manuel Esperança e o colega Adalmiro da ANDAEP que apareceu a falar na televisão) já não se perde tudo.

Não adianta pensar que alguma coisa pode mudar a tempo ainda este ano lectivo. Quanto a mim, se houver mudança na liderança do Governo só pediria que os efeitos da avaliação não entrassem para efeitos de concurso dos contratados. Para vergonha chegaram os asteriscos do ano passado.

Agora é preciso olhar em frente e alterar o que existe ou substituí-lo a partir de Setembro.

E vai ser aqui que teremos imensos problemas, porque já se sabe o que nos espera. E vamos tê-los seja qual for o resultado das eleições.

Por muito que se queira acreditar em algo diverso, e por muito que se vote fora do Pântano Central, um futuro Governo será liderado pelo PS ou pelo PSD (para desgosto da Teresa Caeiro e do Paulo Portas).

  • Se for o PS, sozinho, coligado ao centro-direita ou à esquerda, duvido que os parceiros tenham força e interesse em tornar a questão dos professores um problema central no arranjinho.
  • Se for o PSD, sozinho, coligado ao centro-esquerda ou à direita, apresente que modelo apresentar, haverá sempre um sector muito militante e vocal que se insurgirá contra algo que será – antes de qualquer análise – de Direita. E então veremos reverter muitos dos argumentos agora usados.

Porque eu não tenho quaisquer ilusões: muitos dos que agora dizem que a avaliação inter-pares é um veneno para o funcionamento das escolas, dirão o pior possível de um modelo de avaliação externa ou com forte componente externa. Nesse momento, aparecerão a dizer que quem sabe avaliar é quem está no terreno e que nem IGE, nem Universidades, nem ninguém, tem a capacidade para avaliar os docentes.

E ficaremos, de novo, numa situação bloqueada. Vale a pena apostar?