E agora há que enfrentar, sem rebuço ou vergonha, a questão do voto corporativo e em defesa de interesses próprios, pois nunca se colocou de forma tão evidente.

Vejamos: o programa do futuro Governo nos traços principais será delineado nas próximas semanas pelo FMI e pela União Europeia.

A margem de manobra para fugir às suas determinações é escassa e só seria possível com um Governo muito à Esquerda (PS sem Sócrates com PCP e Bloco), com uma solução que Cavaco Silva inviabilizaria, a menos que estivesse comatoso. Todas as outras soluções (Pântano Central ou Aliança Democrática 4.0) estarão prisioneiras do diktat dos senhores das massas que contam para isto.

Logo, o voto pode decidir-se nos intervalos estreitos de autonomia que cada um dos partidos que podem liderar uma solução de Governo tenham para apresentar. Neste caso, em matéria de Educação, no geral, e em relação à classe docente, em particular.

  • Do lado do PS já sabemos que pretende continuar com o que tem feito.
  • Do lado do PSD, ainda não se sabe e até t(r)emo em saber, atendendo ao que têm sido as propostas dos seus tanques de pensamento.
  • Do lado do Bloco, CDS e PCP também se sabe mais ou menos o que pensam, mas também sabemos que o seu poder negocial numa solução governativa dificilmente passará pela imposição das suas crenças em matéria de Educação. As prioridades são outras. Numa solução governativa, a Esquerda está mais preocupada em obras públicas e a Direita em redução do aparelho de Estado.

Logo, há que pensar bem qual a melhor solução para votar, em especial por parte daqueles que não querem que continue o que está.

Como parece óbvio, com uma vitória do PS, o garrote continuará e será reforçado em redor do pescoço dos docentes. Está na altura do PSD se chegar à frente e dizer se, no fundo, tem algo diferente para apresentar, se apenas tem uma forma diferente de fazer o nó no laço…

Por tudo isto, é hora de assumir claramente que – perante um quadro macro em que poucas alternativas há – o voto de cada um de nós deve ser feito a pensar no que é melhor para a sua vida.

E a quem afirmar que isto é corporativismo, eu respondo sem problemas que é. E depois?