Passos Coelho está metido numa camisa com um número indeterminado de varas. Em sua volta, como barreiras a qualquer sucesso eleitoral, alinhavam-se:

  • Cavaco Silva, que, apesar de ter colocado Catroga a controlar tudo o que mais interessa, gostaria tanto de ter PPC como primeiro-ministro de um governo PSD/CDS como Maomé de secretos de suíno ibérico.
  • José Sócrates que, nem que seja necessário entregar uma nova Fundação a Teixeira dos Santos, fará tudo para que ninguém espreite demais e antes de tempo toda a porcaria feita nestes últimos anos.
  • Os inimigos internos de estimação, de snipers por vocação (Pacheco Pereira) ou ressabiamento (Santana Lopes, Menezes) a grupos que se julgam com pergaminhos (cavaquistas, barrosistas e outros sacristas).
  • Os amigos que o querem ajudar com novas ideias e que o enterram cada vez que surgem à superfície.

Aliás, talvez seja este último lote o mais complicado e prejudicial porque se percebe que são pessoas que ele estima e que, em circunstâncias normais, o acompanhariam num Governo de sua escolha, em áreas que ele não domina (e são algumas…). Só que, no afã de mostrarem serviço original, são uma espécie de bombeiros pirómanos.

Desde aquele grupo arregimentado por um até ao momento justamente desconhecido Pedro Reis para fazer aquele livro para esquecer, ao grupo Mais Sociedade que cada vez que apresenta uma ideia custa milhares de votos ao PSD, não esquecendo os que cedo perceberem que ficariam no banco de suplentes (Nogueira Leite), todos parecem conspirar (de modo involuntário, quero acreditar) para enterrar eleitoralmente Passos Coelho e eternizar Sócrates no poder pois alienam grande parte do eleitorado que PPC mais queria conquista: o do centro, com alguma simpatia pela Esquerda.

E isto é tanto mais inútil, quanto estas ideias pseudo-inovadoras são espúrias, perante a intervenção financeira da dupla FMI/UE em Portugal.

O que torna ainda mais estranha esta pulsão autofágica, pois tudo o que PPC pode ganhar com a sua imagem simpática pessoal é completamente estilhaçado pelas aparições públicas dos (já não tão) jovens turcos que formam a sua entourage mais ou menos explícita.

Assim, por muito que à esquerda do PS se tentem capitalizar insatisfações diversas, ao centro fica o terreno todo aberto…

Adenda exemplificadora do desvario: Diogo Leite Campos e a miséria