Sim, o livro é meio coiso visto a 80 anos de distância, mas também o são os escritos de Churchill de início do século XX. Já agora, Tintin nos País dos Sovietes é um panfleto anti-comunista básico e Tintin na América profundamente inexacto. Também o Astérix parece profundamente estereotipado na forma como retrata os povos e centenas ou milhares de obras de banda desenhada – e milhões da literatura – estão eivadas dos preconceitos típicos da sua época.

Eu se fosse ao cidadão congolês em causa preocupava-me mais com os que os próprios congoleses têm feito ao seu país, destruindo-o sistematicamente, em morticínios resultantes de preconceitos actuais com consequências bem mais graves do que um livro de banda desenhada, historicamente datado.

“Tintin no Congo” no banco dos réus em Bruxelas

Num tribunal de primeira instância de Bruxelas serão hoje decididas as datas para o julgamento do caso “Tintin no Congo”, cujo teor é considerado racista por um cidadão congolês residente na capital belga.

O processo judicial foi iniciado em Abril de 2010 por Bienvenu Mbutu Mondondo, que acusou a sociedade Moulinsart, que detém os direitos, e as edições Casterman por causa do teor racista da banda desenhada “Tintin no Congo”, de Hergé, publicado pela primeira vez em 1931.