Dificilmente se terá ouvido e lido tanto sobre revolução como nestes últimos tempos. Enquanto os revolucionários de outrora retomam, a medo, o termo, encarando com cepticismo manifestações revolucionárias (cf. posições de alguma esquerda sobre o que se vai passando no norte de África), os conservadores anti-revolucionários de antanho (empresários, analistas financeiros, comentadores políticos)  agarram na palavra revolução e despejam-na em tudo.

Querem uma revolução no Estado, uma revolução nas mentalidades, uma revolução na economia, uma revolução na vida política, caramba, parecem mesmo uns robespierres do século XXI, pelo menos na conversa (fiada). Não sei se é por hipérbole da palavra mudança que, de súbito, a revolução passou a seduzi-los, eles que são ou descendem de um consolidado pensamento contra-revolucionário.

Como sobre quase tudo, eu tenho uma teoria parva sobre isto e um conceito à medida para estas revoluções enunciadas.

Acho que estes revolucionários neófitos não pretendem uma revolução à velha escala macro, em que tudo vai à frente e não fica pedra sobre pedra (porque isso abalaria os fundamentos que os mantêm em posição de destaque), nem à escala micro, em que teriam de alterar as suas próprias práticas (pois acham que são as suas que estão certas e não padecem de alteração).

Eles defendem aquilo a que eu chamarei a meso-revolução, uma revolução mediana, ali ao lado, naqueles sectores que lhes convêm mais, normalmente atingindo apenas os outros. Querem uma revolução à sua medida. Ora, por definição e pela prática conhecida, uma revolução a sério não é isso. O que eles querem é um simulacro de revolução. Uma revolução no que lhes dá jeito. De certo modo, também é o que penso de alguns à rasca. Querem a revolução, mas só até certo ponto, pois não é preciso exagerar…

Em tempos isto chamava-se reformismo… e do selectivo.