O animal feroz – modo de campanha – está aí e exibe pérolas de sabedoria política. No Público de hoje, lê-se mesmo no fim da página 6:

A forma como explica a crise política, de que culpa o PSD, é simples. Sócrates usou termos como “puro egoísmo partidário”. O objectivo era apenas “sofreguidão” pelo poder, “imaturidade” e “irresponsabilidade política”. No alvo esteve também o “vale tudo” do PSD, e da a oposição, ao revogarem a avaliação de professores. Porque o fizeram? “Por um punhado de votos”, respondeu.

Não vou – obviamente – tomar a defesa da honra do PSD porque, para isso, há lá gente para o fazer (embora, por regra, o faça mal).

Mas faço-o em relação à bondade da decisão de suspender a ADD.

Por várias razões:

  • O modelo estava errado e não deveria ser mantido, só porque «as escolas têm trabalho feito» e estamos «a meio do ano lectivo». Isso não é um argumento. Não se vai continuar a fazer um edifício, só porque está a meio de ser feito, quando se descobre que está mal. Se o arquitecto e os engenheiros ficam tristes é um problema deles. Para além disso, este ciclo de ADD foi legislado A MEIO do ciclo de avaliação e não me apercebi de desconforto por parte de armandinas, esperanças e lacões.
  • Esta avaliação, introduzindo perturbação e desconforto, tem ganhos nulos quanto à qualidade do trabalho dos docentes com os alunos e não tem quaisquer perspectivas para os próprios docentes, que têm a sua progressão congelada. Faz tanto sentido como pedir a presos com trabalhos forçados que se preocupem com a produtividade, quando nem sequer tem qualquer perspectiva de redução da pena.
  • O tempo que se aproxima vai ser – quase por certo – de necessidade de maiores sacrifícios (directos ou indirectos). O mínimo dos mínimos que se pode pedir é que seja dado um sinal, por pequeno que seja, de confiança e compreensão a quem mais aguentou durante seis anos as diatribes do regime socrático. É que não vejo nada ser pedido aos feudos capuchinhos e aos clientes em matéria de CNO e estudos conexos. Esses continuam sem limitações a lambuzar-se no tal pote.

Já agora, uma seta ligeiramente envenenada: os professores não representam «um punhado de votos». Um punhado de votos representam os grandes ganhadores destes seis anos de desgoverno. E cada um faz com o seu o que bem entender. Como eu, que não tenciono, de modo algum, revelar o seu sentido.

Os professores não representam é mãos-cheias de dinheiros para apoiar e olear as máquinas de campanha.

Os professores participam no processo político através do seu voto, não através de oleodutos financeiros.

A Sócrates vai estalando todo o escasso verniz que lhe sobra das camadas acumuladas até 2005, em virtude dos ensinamentos da madrinha e padrinhos. O interessante é que eu acho ser extremamente fácil fazer vir à superfície o seu verdadeiro senhor escondido. E perceber-se que a sofreguidão, a ânsia e tudo o mais estão ali na sua forma mais virulenta.