Domingo, 27 de Março, 2011


Gogol Bordello, 60 Revolutions

L’insurrection qui vient

 

Recuperado de uma pasta antiga com materiais da minha segunda passagem pelos Casquilhos.

200 arrested as anarchists fight police after 500,000-strong anti-cuts march… and cover Trafalgar Square in graffiti

LATERALIZAR

Greve a exames não vai avançar

A Fenprof abandonou a ideia de marcar uma greve de professores para o período de exames.

Este tipo de conclusões, em estudos na esteira das teses multiculturais e da pedagogia pós-colonial, valem apenas o que valem. Conheço os manuais e se há por lá belos desvios, não são propriamente os apontados. Só retorcendo muito.

Manuais de História ainda contam o mundo à moda do Estado Novo

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Vão-se lendo análises, previsões e outras quiromancias e percebe-se que, mesmo existindo um sector esfuziante à direita que sente que tem a hipótese de uma vitória eleitoral significativa, muita gente ainda está paralisada pela possibilidade do animal feroz fazer estragos e renascer para uma terceira vinda.

Até há uns meses atrás também acreditei que isso seria bem possível, pelo menos na versão de vitória relativa. Mas agora já não penso que assim seja. E sê-lo-á tanto menos quanto os seus oponentes se consigam libertar do tolhimento mental que a figura eriçada de Sócrates lhes parece incutir.

E esse será um dos principais segredos para que Sócrates não renasça. Que não seja encarado como uma fénix que não é, mas que alguns querem fazer crer que é, por causa dos fripores e conexos. É tempo de des-socratizarem as mentes e perceberem que este início de 2011 deve ser mesmo o início de uma qualquer outra coisa diferente da que tem sido.

Qu’est ce qu’il a fait?

AS TRANSPARÊNCIAS E A DESESPERANÇA

O que fazer na segunda-feira?

Contumácia

 

Não deixa de ser espantoso como forças políticas representadas na AR, que têm “resmas” de juristas, permitem que se deixem sempre alçapões abertos para a chicana. O PSD que tem como deputados ilustres constitucionalistas, podia ter alertado os representantes do PCP para as consequências jurídicas da redacção desta resolução antes do texto ter sido votado. Mas a situação não constitui propriamente novidade, o argumentário “xuxialista” é sempre recorrente (os “argumentários” no PS são assim umas pequenas brochuras – e aqui ocorre-me a divertida expressão de Mota Amaral a propósito do número “69” – “curiosa palavra”, com que se martelam as cabeças de certos indigentes para que esses “argumentos”, em regra falaciosos, sejam debitados ad nauseam mesmo por quem não sabe, nem nunca saberá, até porque não interessa, o que significam).

Toda a gente se lembra de quando no tempo da “outra senhora” (Maria de Lurdes Rodrigues, não a D. Maria do Salazar, pois esses tinham, pelo menos, respeito pelos professores) a ADD esteve à beira de cair com os votos do grupo de Alegre (que depois foi corrido do Parlamento) e o mesmo Jorge Lacão (lá pelo distrito dele até há quem lhe chame outra coisa) veio com a mesma léria da “inconstitucionalidade” e a ministra de então (a dama do olhar de Medusa) veio com a mesma ladainha do “excelente trabalho das Escolas que ficaria a meio”.

Esta gente padece de uma enorme e contumaz falta de imaginação.

António José Ferreira

Um dia eu tive um sonho…

Há mais de vinte anos, abracei de alma e coração o meu sonho, o sonho de ensinar. Nenhuma outra profissão me seduzia e apaixonava tanto como a de ser professora. O primeiro dia foi particularmente marcante. Apenas trazia na “mala” os ensinamentos e conhecimentos que, diziam, me preparava para cumprir a minha missão.

Estágio integrado? Onde?

Neste primeiro dia descobri que tinha de aprender a ser realmente uma transmissora efectiva de conhecimentos e que possuí-los não era o bastante. Nova, sem experiencia, ouvi as vozes dos mais velhos e bebi deles tudo o que me foi possível. Ainda hoje agradeço a todos aqueles que tanto me ensinaram. O estágio veio uns anos mais tarde, quando e, de tantas vezes bater com a cabeça na parede, já tinha aprendido muito. No entanto ao longo de todos estes anos fui limando arestas e aprendi sempre com os colegas e com os alunos. A minha principal preocupação foi, é e será sempre ensinar. Ensinar é, no meu entender, a missão de qualquer professor. Hoje já é difícil acreditar nisto, pois é-nos pedido que façamos tudo menos ensinar.

Hoje foi um dia particularmente feliz para mim. Ao saber da suspensão do actual modelo de avaliação pensei que teria chegado a hora de partilhar a minha opinião acerca do assunto. E aqui estou a tentar transmitir o que penso.

Não creio que tenha algo inédito para dizer, pois somos muitos os que sempre estivemos contra a enchente de burocracia inútil que enche as escolas de há quatro anos a esta parte. Somos muitos aqueles que tiveram de dedicar mais tempo a tudo isso do que ao mais importante, os nossos alunos.

O que me causa realmente espanto é o facto de, com tão bons exemplos nos países por essa Europa fora e não só, não consigamos encontrar nada que nos satisfaça.

Como é que alguém pode acreditar que um professor se pode avaliar através de uma ou duas aulas e uma dúzia de papéis!!!!

Com mais de vinte anos de serviço e como tenho sempre mais de sete turmas (nos primeiros quatro anos tive vinte turmas) posso dizer que já me passaram pelas mãos milhares de alunos.

Tenho a certeza que nem todos terão a mesma opinião das minhas aulas.

Tenho a certeza também que muitos verificaram que umas aulas correram melhor que outras.

Tenho a certeza que com algumas turmas foi mais fácil dar a aula e ter sucesso.

Tenho a certeza que não me levanto sempre com a mesma aura, incapaz de falhar.

Tenho a certeza de que sou tão humana como qualquer outro e, por isso falho.

Tenho a certeza que dessas falhas tenho aprendido a lição.

Então pergunto novamente, como é que alguém pode acreditar que um professor se pode avaliar através de uma ou duas aulas e uma dúzia de papéis!!!!

Como se pode avaliar um professor porque os alunos não querem aprender e é impossível motivar alguém que não quer ser motivado.

Como se pode avaliar um professor porque os alunos faltam à escola e não há cartas que os façam mudar de ideias.

Como se pode avaliar um professor que tem vinte e oito alunos (não quinze como nos outros países com sucesso) dentro de uma sala, todos diferentes, uns não querem ali estar, outros são indisciplinados (muito) e alguns, apenas alguns, querem realmente aprender.

Como se pode avaliar um professor que além do seu material, tem de trazer uma dúzia de esferográficas e lápis bem com uma resma de papel pois os alunos nem com isso se preocupam.

Como se pode avaliar um professor quando marcar trabalhos de casa traumatiza as crianças.

Como se pode avaliar um professor quando reprova um aluno porque não  sabe e não  estuda e isso é “castrar” um aluno.

Como se pode avaliar um professor quando a indisciplina, a falta de assiduidade e o pouco ou nulo estude e atenção nas aulas apenas é culpa do professor, cuja tarefa é ensinar, nunca do aluno, cuja tarefa é estudar.

Poderia enumerar muitos outros pontos, pois ao contrário de alguns que bastantes opiniões têm dado e implementado várias reformas no ensino e na escola, eu faço parte dela a tempo inteiro, como professora em funções e, como mãe de três filhos em idade escolar a frequentar a escola pública.

Na minha modesta opinião a avaliação de um professor apenas devia servir para formar, para melhorar, para incluir. Sempre se trocaram ideias entre nós e partilharam estratégias que com uns resultavam e com outros nem por isso. Sempre nos ajudámos dentro das escolas como fazendo parte de um todo que pretendia apenas fazer dos nossos alunos cidadãos esclarecidos, competentes e críticos capazes de um Portugal melhor. Mas esta avaliação não veio para nada disto. Ao contrário, veio para dividir, para piorar, para tornar cada vez mais medíocres os nossos cidadãos. Sim, é necessário formar e ensinar construtivamente para que a escola enfrente os tempos modernos cada vez mais de gerações difíceis, que não gostam de estudar pois dá trabalho e foi-lhes incutido que estudar não custa nada. Assim como os médicos são avaliados por competência e actualização formativa independentemente do sucesso de um ou dois diagnósticos, consultas ou operações, ou da cura de uma doença incurável se revelar impossível, o mesmo se devia passar com o professor que de tudo faz para que os seus alunos aprendam, sejam educados, respeitadores e estudiosos mas não pode levá-los para casa pois também tem família, filhos para orientar e acompanhar. Como em todos os sectores da sociedade, teremos bons e menos bons profissionais. Acredito que é necessária a formação de muitos professores, não acredito que esta aconteça através das penalizações. Não conheço nenhum professor que se vanglorie por não conseguir ensinar os alunos, muito pelo contrário. Hoje o que nos angustia e nos faz sair da escola completamente arrasados é o confronto diário com essa dura realidade. Esgotamos estratégias, inventamos fórmulas e muitas e muitas vezes é o insucesso o que conseguimos. Mandam-nos então descer as fasquias da exigência para que, mesmo aqueles que mal sabem ler possam contribuir para estatísticas de alfabetismo camuflado.

Outro tema que me aterroriza é a reforma. E perguntam porquê? Simples.

Somos funcionários públicos como o são todos os outros e eu pergunto, como se pode comparar o desgaste de um professor com o desgaste de um secretário, de um telefonista, de um administrativo, sem querer menosprezar as suas funções, mas com a consciência plena de que hoje preferia, provavelmente, exercer uma destas funções e saber que no regresso a casa só teria de preocupar-me com o meu lar e os meus filhos. Ao contrário do que corre por aí “à boca cheia” daqueles que não conhecem a realidade da vida de um professor e dizem com alguma insolência que temos uma boa vida e férias a mais, trazemos para casa a escola, não só em trabalho concreto (correcção de testes, preparação de aulas, trabalhos dos alunos, avaliações, actas de inúmeras reuniões…), como psicologicamente não conseguimos “desligar a tomada” dos problemas que se nos deparam todos os dias com os nossos alunos. Será que alguém pode dizer com honestidade que um administrativo com trinta anos de serviço tem o mesmo desgaste que um professor com o mesmo tempo. O desgaste de um professor é vinte vezes superior a todos os níveis. Hoje mais do que ontem. Além disso não é a idade que provoca o desgaste. São os anos de serviço. Não consigo imaginar com que consciência se pode pedir a um professor que exerça há trinta ou mais anos que continue a ser professor. Está gasto. Basta acompanharem a saída dos professores ao final de um dia de trabalho e verificarem o semblante carregado, os braços caídos e os passos arrastados, aspecto que se acentua consoante o peso dos anos de serviço. Os professores que começaram a trabalhar há quinze, vinte, trinta ou mais anos, quando havia regras de educação, de disciplina, de respeito pelos professores e por tudo o que a escola representava e que eram absolutamente cumpridas e nunca questionadas nem por alunos e muito menos por pais, sentem-se hoje compreensivelmente incapazes de exercer a sua profissão com alguma dignidade. Onde está então a avaliação formativa para eles? É essa a necessária. Se ela já é necessária para aqueles que são professores há pouco tempo… Eu gostava de ver os nossos digníssimos ministros, secretários de estado, figuras públicas que tanto opinam sobre os professores e as suas estratégias ou falta delas, dentro de uma sala de aula durante noventa minutos com as nossas turmas das escolas públicas, escolhidas aleatoriamente. Talvez depois pudessem sugerir algo inovador.

Alguns pais ainda exigem dos filhos educação, respeito, valores como a honestidade, a verdade, o trabalho, a responsabilidade. Talvez esses percebam do que estou a falar. Quando em nossa casa não admitimos atitudes menos próprias com um, dois, três filhos, imaginem termos de as tolerar com vinte e oito, respirar fundo e continuar calmamente noventa minutos e mais noventa e mais noventa e outro dia e outro mês e muitos anos. É que se não o fizermos somos enxovalhados pelos alunos, pelos pais e ainda somos acusados de provocar vários traumas por dizer a um aluno que deve estar sentado durante a aula, deve fazer os trabalhos de casa, deve trazer o material indispensável, deve respeitar os outros…deve cumprir a sua obrigação de aluno.

Este é o meu desabafo no dia em que se suspende aquilo que sempre considerei um ultraje ao professor. Aqueles que querem perpetuá-lo ocupam hoje estes cargos porque tiveram professores que eram respeitados e podiam realmente ensinar.

Não pode existir um país que se desenvolva e cresça sem uma educação consistente e consciente. Desenganem-se os que pensam que aprender, estudar e andar na escola é sempre agradável. Não. Dá trabalho, ocupa tempo, requer responsabilidade. Com certeza, nem todos chegarão ao mesmo patamar, nem todos terão os mesmos objectivos, nem todos poderão ir para a faculdade. E depois? Que seria de um país onde todos fossem médicos? Quem faria o pão? Que seria de um país onde todos fossem advogados? Quem os ensinava? Que seria de um país onde todos fossem professores? Quem os tratava? E poderíamos continuar os exemplos ad aeternum.

“VIVA A REALIDADE QUE MORA EM SEU SONHO, SEJA QUEM VOCÊ É DE MODO IMPRETERIVEL E INTRANSFERIVELMENTE!

SONHOS VERDADEIROS SÃO INSPIRAÇÕES DE DEUS E QUANDO AUTÊNTICOS CONTRIBUEM PARA A SUA FELICIDADE E A FELICIDADE DE TODOS.

MAS ANTES DE MAIS NADA VAMOS LAVAR A ALMA, E DE MANEIRA CERTA. VAMOS CUIDAR DE ALGO QUE APENAS NÓS TEMOS ACESSO. NINGUÉM DÁ O QUE NÃO TEM, VAMOS VARRER O QUE NÃO NOS SERVE, VAMOS LIMPAR O QUE NOS ENTULHA, VAMOS LAVAR A ALMA.”

LAURA RIZZI

Laura Rizzi fala exactamente daquilo que acabei de fazer. Lavei a minha alma e falei deste meu sonho que ainda não morreu totalmente, mas está moribundo. Este dia pode fazer a diferença para o ressurgir de uma nova escola e o revitalizar de todos os professores deste país que merece mais do que tem tido.

Maria do Rosário Cunha

Professora

A 3,5 êrus (3,15 para quem tem cartãozinho fenaque)

José Sócrates reeleito líder do PS com 93,3% dos votos

Godinho Lopes vence eleições em noite de violência

Caro colega,

Se achar alguma graça à fotografia, pode publicar. Sou professor de filosofia, e o grupo que se pode ver é obviamente um clube de debate filosófico. O que está escrito nas camisolas é uma das conclusões menos disputadas a que chegamos. Mas, como facilmente se imagina, o debate foi longo. Basta ver os rostos torturados por tanto argumento e teste de validade e contra-exemplo e reductio e sei lá mais o quê.
Receba um abraço do
.

Faustino V

Sócrates já votou e deixou declarações sobre PSD para domingo

(…)

“Falarei amanhã”, disse o líder socialista e primeiro-ministro demissionário, que entrou e saiu das instalações do partido sem prestar mais declarações. Este silêncio surge depois de José Sócrates ter-se manifestado nesta sexta-feira, em Bruxelas, “impaciente” para comentar as posições do PSD sobre a subida do IVA e a avaliação dos professores, confessando ter de se “conter” para não o fazer fora do país.