Sábado, 26 de Março, 2011


John Mellecamp, Cherry Bomb

Não vou individualizar a crítica, para não ser eventualmente injusto com uma terceira pessoa. Mas será óbvio a que tipo de prosa me refiro, recorrente em alguns opinadores ocasionais sobre Educação.

É aquela corrente que é solidária com uma certa aristocracia de algumas escolas, urbanas, históricas, onde se sente o peso da tradição e os lugares estão marcados e funcionam quase como coutadas.

Felizmente sou professor de subúrbio e nunca passei por esse tipo de experiência.

Mas conheço quem passou por ela.

Por ser invisível perante certos vultos e personalidades, heranças dos liceus de outrora, acima do contacto com aqueles que já então eram encarados como zecos, antes de o terem sido na boca de um governante,

Para essas pessoas, o regime de titulares veio apenas dar configuração formal, de jure, a algo que sentiam ser seu, embora antes apenas de facto.

Extintos os titulares tiveram remoques e amoques, mas sucederam-se-lhes os relatores e, embora com menos simbolismo, sempre era algo que compensava um pouco a perda sentida.

Neste momento, perante a suspensão da ADD, sentem-se gente injustiçada, pelo trabalho feito, Acham asneira interromper isto a meio do ano lectivo, esquecendo que nunca a ADD arrancou a tempo e horas, sempre foi um enxerto temporal, atirado para as escolas em Janeiro, como com o DR 2/2008.

Compreendo a mágoa.

Tenho pena.

Alguns dos maiores admiradores e arautos de Mário Nogueira são os seus mais acérrimos críticos e detractores. Basta ler o editorial do Expresso e várias peças distribuídas pela imprensa e opinadores da nossa praça pública.

A demonização dos professores, corporizada no rosto de Mário Nogueira é um recurso fácil e cómodo para os que querem agitar papões e demónios que são mais pessoais do que reais.

Dizer que a suspensão da avaliação do desempenho é uma vitória de Nogueira é uma distorção da realidade que o próprio agradece, pois sabe bem que essa deixou de ser uma prioridade real e efectiva da actividade sindical neste último ano.

Querer associar a classe docente ao líder da Fenprof é um estratagema antigo e serve à medida aos objectivos das duas partes que desenvolvem esta coreografia há anos, com curtos intervalos.

As iniciativas contra a ADD neste ano lectivo foram feitas à revelia dos sindicatos e muitas vezes com a sua desconfiança.

Tal como escrevi há dias, os bons precisam dos maus para justificar a sua existência. De um lado e do outro. Do ponto de vista do centrão cinzentão, pastoso, pseudo-moderno e defensor da avaliação do desempenho, precisa-se de um rospo para corporizar o mal. Faz isso com Mário Nogueira. Ele agradece.

MST acha que ter-se enganado não faz mal nenhum. Quintuplicar a remuneração dos professores por classificarem exames (ele insiste em designar como corrigir, mas pileca idosa desentende novos linguajares) para ele não invalida o princípio magno que ele defende: para os professores, classificar exames de outros alunos e outras escolas, indo buscá-los a dezenas de quilómetros é o mesmo que um polícia ir para a rua ou um bombeiro apagar fogos.

Patético.

Mas o pior é que MST volta a incorrer em disparate ao escrever que os professores são «dispensado de dar aulas e ainda são comnpensados com mais dias de dispensa do que aqueles gastos com essa tarefa».

É MENTIRA!

Mas o que interessa?

MST considerará que novo erro e ofensa são detalhes perante a sua brilhante visão panorâmica da macro-realidade.

O Expresso paga-lhe e não pede rigor, o circo pode continuar.

É @ Nossa Escolinha:

E mais uma (excelente) frase da semana

Fórum SNESup:

ADD suspensa, e os RADs ?

Marx no PS:

Temei a Ira dos “Xuxas”!

Hoje o exército é formado pelo MST, pelo Fernando Madrinha e até no editorial. Um chama terroristas a quem quer que ele escreva sem mentiras, o outro defende o status quo dos que já eram titulares e relatores antes de o serem e o editorial aproveita para demonizar os professores no rosto de Mário Nogueira.

Vícios antigos, que merecem uma resposta menos concisa, com o estômago melhor fornido.

Gosta de levar as coisas até ao fim, incluindo asneiras.Que pena, já não poderá correr tão livremente com quem gostaria?

“O Parlamento deu-nos voz, ouviu o que professores e directores reclamam há muito contra um processo injusto e muito burocrático. Era um modelo que em nada dignificava os docentes”, congratulou-se o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira. “Foi mais um disparate que se fez”, contrapõe Manuel Esperança, presidente do Conselho das Escolas, um organismo consultivo do Ministério da Educação que representa os directores. O actual ciclo avaliativo termina em Dezembro. Falando a título individual, aquele responsável acrescentou: “Estávamos a fazer o que a lei nos pedia. Sempre na esperança de, no final, podermos apontar quais as deficiências que detectámos, e também as suas causas. E isso só se consegue quando se trabalha um modelo e não quando se interrompe a meio. É o que tem acontecido sempre no nosso sistema educativo. Fazem-se reformas constantes, estas nunca são avaliadas e inicia-se tudo de novo”.

Página seguinte »