Domingo, 20 de Março, 2011


Foo Fighters, Rope

Marinetti Académico 

Véspera de viagem, campainha…  
Não me sobreavisem estridentemente!Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho 
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro 
Do comboio definitivo, 
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do estômago, 
Antes de pôr no estribo um pé 
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir. 
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje, 
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida. 
Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela? 
Que importa?   
Todo o Universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela. 

Sabe-me a náusea próxima o cigarro.  O comboio já partiu da outra estação… 
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que não veio despedir-se de mim, 
Minha família abstrata e impossível… 
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida! 
Ficar como um volume rotulado esquecido, 
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha. 
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida — 
“E esta?  Então não houve um tipo que deixou isto aqui?” — 
Ficar só a pensar em partir, 
Ficar e ter razão,  
Ficar e morrer menos … 

Vou para o futuro como para um exame difícil. 
Se o comboio nunca chegasse e Deus tivesse pena de mim? 

Já me vejo na estação até aqui simples metáfora. 
Sou uma pessoa perfeitamente apresentável. 
Vê-se — dizem — que tenho vivido no estrangeiro. 

Os meus modos são de homem educado, evidentemente. 
Pego na mala, rejeitando o moço, como a um vicio vil.  
E a mão com que pego na mala treme-me e a ela. 

Partir! 
Nunca voltarei, 
Nunca voltarei porque nunca se volta.   
O lugar a que se volta é sempre outro,  
A gare a que se volta é outra. 
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia. 

Partir!  Meu Deus, partir!  Tenho medo de partir!…

[Álvaro de Campos]

… um salto no tempo de 30-40 anos para o passado.

Não à agressão militar contra a Líbia

As Organizações signatárias, apoiam as legitimas aspirações políticas, económicas e sociais dos trabalhadores e do povo da Líbia, não podendo deixar de manifestar a sua profunda preocupação e condenação pelas posições recentemente assumidas por parte de potências e organizações estrangeiras, nomeadamente os Estados Unidos da América, a União Europeia, a NATO e a Liga Árabe, no sentido de aproveitarem a situação de conflito armado no país para uma inaceitável ingerência nas questões internas deste Estado e uma clara intenção da busca de pretextos para uma agressão militar camuflada, ou não, de “ajuda humanitária”.

Denunciando a pressão, que os EUA, a UE e a NATO (com o seu novo conceito estratégico) têm exercido ao deslocarem forças militares para a zona, e mediante acções diplomáticas e mediáticas, pressão que tem contribuído para uma ainda maior destabilização da situação interna, e que poderá desencadear o risco, ou somar pretextos, para uma intervenção directa;

É que nem sei bem como comentar. E vai haver uma manifestação e tudo. Pode ler-se aqui. Será que o Louçã vai?

É que nem a argumentação é coerente. Então as coisas fazem-se por serem correctas e justas ou porque se podem ofender uns quantos?

Louçã contra ataques das forças internacionais

Francisco Louçã afirmou hoje que “bombardear um país árabe significa incendiar o Mundo Árabe” e defendeu que Portugal tem de “ter uma política de paz”.

Em Santo Tirso, hoje, para a apresentação do núcleo do Bloco de Esquerda local, Francisco Louçã afirmou que “está a decorrer uma guerra”, referindo-se à intervenção militar da comunidade internacional na Líbia.

Louçã lembrou a ideia base do Futurismo, “criado por um grupo de artistas ligado à direita”, que defendia que “a guerra era bela, que as máquinas de guerra são belas e que a destruição da guerra é a beleza dos tempos”.

Mas, concluiu ser “espantoso” que depois do “drama” das guerras que “marcaram o século passado” e do que se sabe sobre o “rasto de destruição dessas guerras” se continue a achar “belo que mísseis cruzeiros sejam disparados contra um país”.

Leia a carta do compromisso assumido por Sócrates com Bruxelas

São doze páginas que mostram o compromisso que Sócrates assumiu com Bruxelas e com o BCE.

O Governo enviou às autoridades europeias um documento de 12 páginas onde Sócrates se compromete com a aplicação das novas medidas de austeridade, anunciadas em Portugal pela primeira vez a 11 de Março.

No documento, que está disponibilizado no próprio ‘site’ do Governo, surgem por diversas vezes as palavras ‘committed’ e ‘full commitment’, que ilustram bem o grau de compromisso assumido por Portugal perante as autoridades europeias.

O PSD, pela voz de Miguel Relvas, disse ao Expresso que “se for verdade o compromisso escrito, o primeiro-ministro enganou o País e os parceiros europeus”.

Já o gabinete do primeiro-ministro desvaloriza o valor do “compromisso” que diz serem “cartas pró-forma” e “formalidades normais”. Ou seja, na prática, o Governo mantém que continua disponível para negociar com a oposição, apesar dos compromissos assumidos em Bruxelas e em Frankfurt.

O semanário diz que o pacote das novas medidas de austeridade foi formalmente comunicado, por escrito, ao BCE e à Comissão Europeia no dia 10 de Março, acompanhado por uma carta dirigida a Jean-Claude Trichet e a Durão Barroso, assinada pelo primeiro-ministro José Sócrates.

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