DEI O CORPO, A ALMA NÃO DOU – Despedida da luta. Para mim acabou!

Estive no Campo Pequeno, posso falar. Fui acabar na outra, já meio a desmobilizar, o que mais uma vez me permite falar. Tive pena de chegar no fim, mas valeu a pena.

Isto, ao contrário da ‘concentração’ no campo pequeno, autenticamente desmobilizadora. A manifestação ‘à rasca’ foi um sucesso, as canções ‘roubadas a 74’ trouxeram a lágrima ao olho. O Campo pequeno foi de uma tristeza monocórdica, discursos mil vezes repetidos, à procura dos seus óculos de aumento (8.000?, afinal os professores não eram 120.000?)

Conclusão de um itinerante: Assim não dá.

Até eu, que tentei mobilizar o mais possível para o Campo Pequeno (apesar do apesar… dos sindicatos), porque entendo que é preciso estarmos todos unidos e porque entendo que só juntos conseguiremos vencer, digo: CHEGA.

CHEGA do autismo dos nossos sindicatos que desiludiu os professores, talvez de uma forma irremediável. Mas também CHEGA do autismo dos professores.

Gostei quando Mário Nogueira, num aparente exercício de humildade e de quase mea culpa, apelou à união da classe e também à união partidária em torno da educação. Disse que apenas com os sindicatos não era possível vencer, mas que sem eles também não.

Mas não foi suficiente. A sensação foi de enjoo e de derrota antecipada. De comiseração…

De momento, continuo firme nesta luta, dada a sua justeza a meu ver inquestionável, mas, de agora em diante individualmente. Apesar das palavras de Mário Nogueira, e porque palavras leva-as o vento, considero que os sindicatos, assim fosse a nossa classe profissional menos reactiva e mais activa, estão a precisar de um manifestação interna ou externa de ‘Professores à rasca’. Uma bofetada. Mas uma bofetada activa e que encha ruas – não a que esvazia touradas, que também não leva a lado nenhum.

Mas, infelizmente, deixei de acreditar nos professores.

Durante muito tempo fiz tudo para ‘capitalizar’ este imenso sentido de desgaste e revolta dos professores. Valeu a pena?

Ou, uma hipótese a começar a ter em consideração, estou eu enganado, vocês enganados, e os professores, afinal, estão mesmo acomodados e a lutar por menções de mérito e prémios do Professor do Ano, completamente desinteressados da ruína da escola pública e da qualidade da formação das gerações futuras? Do seu próprio futuro?

Se assim for, se mais não formos do que insatisfeitos e remelosos velhos do Restelo, eu e outros como eu que continuam a lutar, nós os que persistimos em apontar o dedo à destruição da escola pública de qualidade, ao desinvestimento na educação e à exploração de uma classe profissional, em moldes nunca antes imagináveis, se assim for, é só dizerem-no-lo.

Por mim, sei quando saio derrotado.

Como Catulo, limitar-me-ei a argumentar que ‘a causa vencedora agradou aos deuses, mas a perdedora agradava a Catulo’.

E seja o que vocês quiserem… desunhem-se.

Deitem-se nos vossos sofás em frente às vossas dilectas novelas, todos contentes por serem relatores e por poderem vir a ser excelentes bestas, ah, desculpem-me, bestiais de mérito.

Por mim, CHEGA. A partir de agora tudo o que fizer – e continuarei a fazê-lo – fá-lo-ei sozinho e de acordo com a minha consciência. O Carlos Marinho Rocha que perdeu horas a trabalhar pelo que considerava ser o bem comum e uma ideia comum de defesa da escola pública e que chateava toda a gente com mails, MORREU.

De mim não se ouvirá nem mais uma palavra.

Pelo menos até esse momento, em que já não acredito, em que a nossa curvada classe profissional e seus sindicatos se mostrem de outra estatura.

Assim me despeço desta luta

Carlos Marinho Rocha