Domingo, 13 de Março, 2011


Robbie Williams, Let Me Entertain You

Eu explico de forma muito simples. Há quem ache que há certas manifestações (no sentido lato, pois pode aplicar-se a um blogue, por exemplo, como já me disseram…) que ao possibilitarem uma canalização das emoções de forma catártica ou efusiva, permitem que a explosão não se dê da forma mais brutal, violenta, perigosa…

Por vezes é assim, por vezes não…

 

país em fuga… de camião

DEI O CORPO, A ALMA NÃO DOU – Despedida da luta. Para mim acabou!

Estive no Campo Pequeno, posso falar. Fui acabar na outra, já meio a desmobilizar, o que mais uma vez me permite falar. Tive pena de chegar no fim, mas valeu a pena.

Isto, ao contrário da ‘concentração’ no campo pequeno, autenticamente desmobilizadora. A manifestação ‘à rasca’ foi um sucesso, as canções ‘roubadas a 74’ trouxeram a lágrima ao olho. O Campo pequeno foi de uma tristeza monocórdica, discursos mil vezes repetidos, à procura dos seus óculos de aumento (8.000?, afinal os professores não eram 120.000?)

Conclusão de um itinerante: Assim não dá.

Até eu, que tentei mobilizar o mais possível para o Campo Pequeno (apesar do apesar… dos sindicatos), porque entendo que é preciso estarmos todos unidos e porque entendo que só juntos conseguiremos vencer, digo: CHEGA.

CHEGA do autismo dos nossos sindicatos que desiludiu os professores, talvez de uma forma irremediável. Mas também CHEGA do autismo dos professores.

Gostei quando Mário Nogueira, num aparente exercício de humildade e de quase mea culpa, apelou à união da classe e também à união partidária em torno da educação. Disse que apenas com os sindicatos não era possível vencer, mas que sem eles também não.

Mas não foi suficiente. A sensação foi de enjoo e de derrota antecipada. De comiseração…

De momento, continuo firme nesta luta, dada a sua justeza a meu ver inquestionável, mas, de agora em diante individualmente. Apesar das palavras de Mário Nogueira, e porque palavras leva-as o vento, considero que os sindicatos, assim fosse a nossa classe profissional menos reactiva e mais activa, estão a precisar de um manifestação interna ou externa de ‘Professores à rasca’. Uma bofetada. Mas uma bofetada activa e que encha ruas – não a que esvazia touradas, que também não leva a lado nenhum.

Mas, infelizmente, deixei de acreditar nos professores.

Durante muito tempo fiz tudo para ‘capitalizar’ este imenso sentido de desgaste e revolta dos professores. Valeu a pena?

Ou, uma hipótese a começar a ter em consideração, estou eu enganado, vocês enganados, e os professores, afinal, estão mesmo acomodados e a lutar por menções de mérito e prémios do Professor do Ano, completamente desinteressados da ruína da escola pública e da qualidade da formação das gerações futuras? Do seu próprio futuro?

Se assim for, se mais não formos do que insatisfeitos e remelosos velhos do Restelo, eu e outros como eu que continuam a lutar, nós os que persistimos em apontar o dedo à destruição da escola pública de qualidade, ao desinvestimento na educação e à exploração de uma classe profissional, em moldes nunca antes imagináveis, se assim for, é só dizerem-no-lo.

Por mim, sei quando saio derrotado.

Como Catulo, limitar-me-ei a argumentar que ‘a causa vencedora agradou aos deuses, mas a perdedora agradava a Catulo’.

E seja o que vocês quiserem… desunhem-se.

Deitem-se nos vossos sofás em frente às vossas dilectas novelas, todos contentes por serem relatores e por poderem vir a ser excelentes bestas, ah, desculpem-me, bestiais de mérito.

Por mim, CHEGA. A partir de agora tudo o que fizer – e continuarei a fazê-lo – fá-lo-ei sozinho e de acordo com a minha consciência. O Carlos Marinho Rocha que perdeu horas a trabalhar pelo que considerava ser o bem comum e uma ideia comum de defesa da escola pública e que chateava toda a gente com mails, MORREU.

De mim não se ouvirá nem mais uma palavra.

Pelo menos até esse momento, em que já não acredito, em que a nossa curvada classe profissional e seus sindicatos se mostrem de outra estatura.

Assim me despeço desta luta

Carlos Marinho Rocha

Missing the target

Friday’s summit of eurozone leaders resembled a darts game in which the 17 players aimed at the board’s lowest numbers rather than scoring the bull’s-eye needed to overcome the region’s debt crisis. It focused on proposals to tighten fiscal discipline, raise competitiveness and enhance economic policy co-ordination. It had little or nothing to say about the weakness of Europe’s banks and the spectacular misallocation of capital by the private sector that contributed to the crisis. With the eurozone’s most vulnerable nations once more under siege this week in bond markets, the summit looks dangerously like a wasted opportunity.

The clearest message was that Germany and a handful of like-minded creditor countries are determined to foist their narrow recipes for reform upon troubled “peripheral” nations such as Greece, Ireland and Portugal. The German-led group wants its pound of flesh in the form of more austerity, the adoption of binding fiscal rules at national level, and an overhaul of state pension systems and labour markets. Such actions are a precondition for German agreement to expand the size of the European financial stability facility, the eurozone’s emergency fund, and perhaps to soften the terms of last year’s Greek and Irish rescue packages.

(continua…)

(c) João de Brito

Acerca da desmotivação dos alunos

De uma vez por todas se caia na realidade e se deixe de pedir aos professores aquilo que não lhes compete. Estratégias para isto, estratégias para aquilo; lidar com a indisciplina, lidar com a desmotivação. Aos professores não se deve pedir que arranjem estratégias para resolver esses problemas, pois isso é admitir que eles são situações normais, correntes e com tendência a perpetuar-se. Simplesmente não se pode admitir que eles existam como norma.

A escola pública oferece um ensino gratuito (gratuito!, à exceção da aquisição do material escolar), onde os alunos podem usufruir de refeições a um preço pouco mais do que simbólico, em regra com bons e ótimos equipamentos e professores. Os alunos mais carenciados têm comparticipação parcial ou total na aquisição dos seus materiais, nas refeições e nos transportes. De um modo geral os programas são adequados às faixas etárias e ao tipo de sociedade que é o nosso. Estas condições por si só não são mais do que satisfatórias para que os alunos e as suas famílias se sintam naturalmente motivados? De que raio de motivação extra precisam os alunos?

Em África, na Ásia e na América Latina há centenas de milhões de crianças e jovens que frequentam escolas (os que têm essa sorte) em condições miseráveis. E aí muitos deles estão bem mais motivados do que os nossos. Serão os seus professores melhores do que nós? Possuirão eles as tais estratégias mágicas que nós, tecnologicamente apetrechados, não conseguimos vislumbrar?

É mais do que evidente que a motivação é uma treta quando colocada nas mãos dos professores, mas uma realidade quando olhamos para os sítios onde reside a sua génese: na sociedade em geral, nas famílias, em quem nos governa e na legislação obtusa que se produz. Por isso, os professores não têm que motivar quando não há motivos de origem pedagógica para o tipo de desmotivação com que deparam.

A mesma reflexão deve ser feita em relação à indisciplina, que também não é um problema que o professor tenha que resolver. A indisciplina é uma questão que, simplesmente e em circunstâncias normais, não deveria existir! Em circunstâncias normais, para resolver problemas pontuais de indisciplina o professor deveria precisar apenas de uma palavra: “Rua!”

Se houver comportamentos desadequados nas salas de espera e nos gabinetes médicos dos hospitais serão os médicos a resolvê-las? Se a mesma coisa acontecer numa repartição de finanças são os funcionários que vão resolver? Num restaurante, num meio de transporte, numa sala de espetáculos…?

Ora, o professor não tem que motivar nem disciplinar, tem apenas que ensinar, que é aquilo que se lhe pede cada vez menos. Nessas matérias peçam-se, pois, responsabilidades a quem realmente as tem, senão daqui a 50 anos quem cá estiver estará ainda a falar do mesmo.

António Galrinho

Professor

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