Estou entusiasmada com a Manif. da “Geração à Rasca”? Estou!  Sou ingénua? Defino-me mais como sonhadora. Acredito em mudanças. Acredito, sobretudo, que são pequenos grupos que lançam a semente.
O que mais me angustia neste país? A submissão, o comodismo, os horizontes limitados à “vidinha”, a resignação.

Tenho do meu país a noção de que não dá um passo sem seguir um líder. Não há intervenção da sociedade civil. Tudo é enquadrado no partido, no sindicato, nas forças políticas já existentes. Quando se criam novas, é sempre à semelhança das anteriores.

Não defendo o fim dos grupos partidários, dos sindicatos, etc,… mas falta que outros grupos sociais, autónomos de dirigentes políticos, se façam ouvir.
O “Umbigo” representou (e representa) a nossa voz. O sucesso do Umbigo veio de o Paulo ter começado a escrever os seus pensamentos e análises sobre as políticas educativas que nos esmagavam ( e ainda esmagam).
Às vezes, basta um rastilho: alguém com um poder de comunicação invulgar, alguém que diz o que pensávamos mas não sabíamos exprimir.

Este grupo “Geração à Rasca” surgiu no FB, e começou por 3 amigos que se juntavam, que partilhavam ideias e passaram a escrevê-las. Juntou-se uma multidão de jovens ( e, actualmente, tb não-jovens) que se identificaram.
Até essa altura, eu ( e muitos) interrogávamo-nos como era possível os jovens andarem tão passivos. Seria por viverem, até tarde, com os pais? Claro. Isso chega-lhes? Não têm perspectiva de autonomia, de futuro? Não aspiram ao que nós aspirávamos na idade deles? Alguns talvez, mas outros/ muitos outros não!
Afinal, a nossa juventude não é tão acomodada como nos parecia!
Isso agrada-me!
Como mãe e como professora, não tenho dúvidas que eles têm mais futuro pela frente do que nós, e nunca os menosprezei.  Algum dia iriam acordar. Não há gerações parvas!

Perguntar-me-ão: e o dia a seguir?
A mim chega-me pensar que deram este 1º passo, que saíram do casulo. O sucesso deste dia irá ter impacto em muita gente. Não tenham dúvidas. E os partidos, os sindicatos vão ter que se interrogar por que razão estes jovens não admitem qualquer bandeira alusiva a uma força política, neste dia que é deles e para o qual nos convidam
Eu estarei na rua no dia 12!

Reb