Quinta-feira, 10 de Março, 2011


Joan Jett, Crimson and Clover

Há sempre a remota hipótese de me converter ao calvinismo…

oiçam, o vento mudou

Novas circunstâncias?

Estão criadas as condições políticas para travar o actual modelo de avaliação de desempenho e, eventualmente, outras políticas educativas deste governo, quem o diz é o Ramiro Marques, no Profavaliação e desta vez estou inclinado em dar-lhe razão.

Primeiramente, porque o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva deu um sinal inequívoco ao PSD. Se já aquando do chumbo do Decreto-Lei 18/2011 o PSD dera mostras de manifesta reviravolta estratégica, agora é Cavaco que num discurso violento e arrasador para o Governo dá claras indicações de que não irá ‘segurar’ José Sócrates. A mensagem para o PSD foi cristalina: preparem-se para ser governo! (o que, de resto, dentro do rotativismo ao centro que caracteriza a actual política nacional, era fatal e esperável) Depois, as ideias que se foram percebendo a Passos Coelho em matéria de política educativa podem prescindir deste modelo de ADD, como a privatização de recursos e da gestão do sistema de ensino pode prescindir do estado.

O desagrado com que Sócrates sempre reagiu às grandes manifestações de rua –  desagrado que, numa altura de grande desgaste político como a que se avizinha, se prevê seja ainda maior –, não sendo novo, poderá ser mais um factor a reverter a nosso favor.

Como é que isto nos pode ser conveniente?

Simples. Como diz o Ramiro, quanto mais moções forem aprovadas nas escolas, quanto maior for o número de professores no Campo Pequeno, mais o PSD, apesar da actual surdez inoperante do sintomático Pedro Duarte, tomará consciência de quanto impopular o actual modelo de ADD é entre os professores e é natural que o PSD aproveite o assunto para desgastar ainda mais o Governo.

Sócrates, por sua vez, com base nos tais supostos 40% de pedidos de aulas assistidas, claramente, não acredita numa grande mobilização dos professores. Para Sócrates, a ADD é como a Toyota, veio para ficar (como disse recentemente o Secretário de Estado Alexandre Ventura).

Se os professore forem capazes de aumentar o tom e a dimensão dos protestos contra a Avaliação de Desempenho e demais políticas educativas do governo, se as moções continuarem a multiplicar-se, se a presença em Lisboa for massiva e transbordarmos o Campo Pequeno, se, mesmo desgastados, continuarmos a luta sem esmorecimento, estamos em condições de retirar proveito da actual situação política, mais do que em qualquer outro momento.

Por um lado, teremos o até agora reticente PSD empenhado em usar os problemas que vierem a emergir na comunidade educativa, e a ADD pode e deve ser um deles, para desgastar o governo. Por outro, teremos um governo agastado e forçado a encarar a rua.

É sabido que o PSD no governo não augura nada de bom em termos de política educativa. Trata-se apenas de pôr uma batalha de cada vez, de obrigar os nossos supostos representantes a definirem-se em termos de política para a escola pública e de precaver futuros confrontos.

Só que para que isto aconteça tem que haver da nossa parte uma clara demonstração de força. Razão porque considero imprescindível, com ou sem os sindicatos, ou apesar dos sindicatos, estarmos massivamente representados no Campo Pequeno.

Mais, sem essa massiva presença, sabendo nós que cada vez mais a visibilidade volta a estar na rua, arriscamos perder definitivamente, e quem perde é a escola pública. Falta saber se os professores o vão perceber a tempo.

Carlos Marinho Rocha

Estou entusiasmada com a Manif. da “Geração à Rasca”? Estou!  Sou ingénua? Defino-me mais como sonhadora. Acredito em mudanças. Acredito, sobretudo, que são pequenos grupos que lançam a semente.
O que mais me angustia neste país? A submissão, o comodismo, os horizontes limitados à “vidinha”, a resignação.

Tenho do meu país a noção de que não dá um passo sem seguir um líder. Não há intervenção da sociedade civil. Tudo é enquadrado no partido, no sindicato, nas forças políticas já existentes. Quando se criam novas, é sempre à semelhança das anteriores.

Não defendo o fim dos grupos partidários, dos sindicatos, etc,… mas falta que outros grupos sociais, autónomos de dirigentes políticos, se façam ouvir.
O “Umbigo” representou (e representa) a nossa voz. O sucesso do Umbigo veio de o Paulo ter começado a escrever os seus pensamentos e análises sobre as políticas educativas que nos esmagavam ( e ainda esmagam).
Às vezes, basta um rastilho: alguém com um poder de comunicação invulgar, alguém que diz o que pensávamos mas não sabíamos exprimir.

Este grupo “Geração à Rasca” surgiu no FB, e começou por 3 amigos que se juntavam, que partilhavam ideias e passaram a escrevê-las. Juntou-se uma multidão de jovens ( e, actualmente, tb não-jovens) que se identificaram.
Até essa altura, eu ( e muitos) interrogávamo-nos como era possível os jovens andarem tão passivos. Seria por viverem, até tarde, com os pais? Claro. Isso chega-lhes? Não têm perspectiva de autonomia, de futuro? Não aspiram ao que nós aspirávamos na idade deles? Alguns talvez, mas outros/ muitos outros não!
Afinal, a nossa juventude não é tão acomodada como nos parecia!
Isso agrada-me!
Como mãe e como professora, não tenho dúvidas que eles têm mais futuro pela frente do que nós, e nunca os menosprezei.  Algum dia iriam acordar. Não há gerações parvas!

Perguntar-me-ão: e o dia a seguir?
A mim chega-me pensar que deram este 1º passo, que saíram do casulo. O sucesso deste dia irá ter impacto em muita gente. Não tenham dúvidas. E os partidos, os sindicatos vão ter que se interrogar por que razão estes jovens não admitem qualquer bandeira alusiva a uma força política, neste dia que é deles e para o qual nos convidam
Eu estarei na rua no dia 12!

Reb

E que o actual modelo de gestão e concentração escolar do PS antecipa?

The Hechinger Report

Supply vs. demand: Rock-star superintendents

They command six-figure salaries, often with annual bonuses and car allowances. (Generous health-care and pension plans are a given.) Sometimes their employers also foot the bill for their life-insurance policies.

There are very few of them, for their skill set is rare. They must be savvy politicians and managers. They must be obsessed with constant improvement.

They’ll be under the bright lights of the media, so the camera-shy need not apply.

No, we’re not talking rock stars, pro athletes or even pro coaches.

We’re talking school superintendents. Especially those of large urban districts that have struggled from time immemorial.  The original rock-star superintendent was Rudy Crew, who asked for—and got—a contract from the Miami-Dade school system in 2004 that paid him upwards of $500,000 a year. He defended his salary by saying, “I think people are really hungry for leadership. We shouldn’t underestimate the value of this kind of leadership. This is public servancy with highly developed skills.”

Visão, 10 de Março de 2011

É uma coisa que, ao fim deste tempo de nova liderança, me parece muito pouco, muito vago e muito ideológico. Aliás, aprece-me um programa feito para o sector da Educação por especialistas em outra coisa, tipo Pedro Marques Lopes ou Pedro Reis aplicados ao Ensino Básico, Secundário e Superior.

O único fio orientador é a privatização dos recursos do OE para a Educação e da própria gestão do sistema de ensino, sendo que nada disto está provado que leve a melhorias de performance. Já por aqui distribui demasiados exemplos de estudos que, da Europa aos EUA, demonstram que as opções marcadamente ideológicas, em termos médios, não levam a especiais melhorias. Podem encontrar-se exemplos de melhoria, mas igualmente do inverso. A opção pelo voucher, por exemplo, é um equívoco recorrente neste sector que se pretende liberal e decorre de ideias erradas de quem apenas usa o sistema privado de ensino e não faz ideia de como a sua rede é distorcida e se afasta das zonas mais problemáticas.

Por outro lado, nota-se ao nível do Ensino Básico e Secundário, a ausência de quaisquer ideias fortes para além das alterações na gestão administrativa e financeira. As ideias sobre o currículo são anedóticas. Ao nível das Universidades, idem, idem,

Mas vamos lá por partes, numerando as opções, de acordo com a ordem como aparecem:

  • 1) Esta é uma opção marcadamente ideológica, com escassa fundamentação empírica em seu favor. No reino dos vouchers – os EUA – o balanço da iniciativa é pouco positivo, para ser caridoso nas palavras. Sobre isso, seguir a evolução de uma das suas defensoras, Diane Ravitch, até num livro recente que já destaquei neste blogue. Em Portugal, esta opção padece ainda da distorção da rede privada, que foge como maomé do toucinho das zonas mais problemáticas e economicamente desfavorecidas.
  • 2) Discordo desta opção por uma transversalidade até quase ao final da escolaridade obrigatória. Actualmente, os alunos já chegam bastante impreparados à Universidade e uma opção generalista deste tipo ainda agravará mais essa situação. Uma coisa é permitir a permeabilidade entre áreas, outra deixar uma pré-especialização para as calendas.
  • 3) Irrelevante.
  • 4) Se a ideia é criar uma espécie de conselhos de administração das universidades, sou favorável se isso estiver associado à entrada de investimentos privados por parte de patronos ou mecenas.
  • 5) Lugar-comum, sem especial novidade ou substância. Mais do que na quantidade -a aposta actual – interessa qualificar essa formação.
  • 6) Ler acima o nº 4. Nem percebo porque são duas medidas distintas, pois deveriam fazer parte de uma abordagem integrada da relação entre a Universidade e o mundo empresarial.
  • 7) O modelo inglês está, neste mesmo momento, sob enorme contestação, por levar a um exagerado endividamento dos alunos, que se torna ainda mais problemático quando os empregos disponíveis são escassos e mal pagos.
  • 8 ) Para isso é necessário que exista uma economia que sustente esses estágios e não pensar apenas em algumas áreas do Ensino Superior. Este é um modelo que, por exemplo, subalterniza fortemente as Ciências Sociais e Humanas e algumas das suas áreas mais tradicionais, consideradas desinteressantes pelo mercado empresarial (Filosofia, História, Antropologia, etc, etc…).
  • 9) Bahhhh…. Irrelevante. Isto é equivalente ao ensino da economia planificada na antiga URSS.
  • 10) Proposta de criar o que já existe. A disciplina de «método» é o Estudo Acompanhado no seu projecto original, quando não transformada em aulas suplementares de outras disciplinas. Quanto à cidadania e formação cívica já estão contempladas actualmente no currículo. Alguém informe os especialistas do PSD nesta matéria.
  • 11) Tese decorrente das teorias do capital humano que submete a oferta universitária às necessidades do mercado de trabalho. Tudo depende da forma como são feitas as prospectivas e como será gerida a tentação para eliminar as áreas académicas menos rentáveis. Mais do que limitar as opções, convém informar as pessoas do que cada curso permite. Depois, cada um deve ter aquilo que se chama— como é…? Ahhhh… Liberdade de escolha!!!
  • 12) Quem propôs isto que explique, por miúdos, o que significa, como funcionaria e com quem. Porque se é para criar uma Entidade Reguladora da Educação que funcione – mal – como outras entidades reguladoras que temos e só servem para distribuir jobs. Em boa verdade, existindo um ME, não percebo a necessidade de um regulador para medir performances.

Mas, mais do que estas propostas, nota-se bastante uma imensa ausência de ideias estratégicas sobre os aspectos mais polémicos da Educação nos tempos actuais, seja ao nível da organização dos ciclos de escolaridade e respectivo curículo, seja no plano da estrutura da carreira docente, passando pela forma de aferir e avaliar o desempenho de todos os actores em presença, de alunos a escolas, passando pelos docentes.

Em suma, é um projecto para a Educação que parece ter sido delineado por um grupo de trabalho formado por economistas de gabinete, com leituras muito parcelares e escasso conhecimento da realidade educacional no terreno.

No mau sentido, parece o resultado de um brainstorming de bloguistas blasfemos, com cruzamento de insurgentes e uns pózinhos de 31’s e cachimbos.

Fraco, lacunar e tão ideologizado como um projecto do PCP para a Educação em 1975.

Isto é Educação de salão.

Página seguinte »