Terça-feira, 8 de Março, 2011


MGMT, Time to Pretend

Há um evidente desconforto e incómodo na forma como alguns recordam a manifestação de 8 de Março de 2008. Se exceptuarmos o Paulo, que mantém daquele dia o entusiasmo, quem pela blogosfera evoca a data (e são poucos, muito poucos e alguns nota-se mesmo que o fazem empurrados) parece querer reescrever a história para a adaptar aos interesses do momento.

E há quem se pareça ter esquecido ou nem ache assunto que mereça tempo e atenção.

Mas o mais triste é mesmo ver alguns a reescreverem a história de acordo com a sua escola ideológica, fazendo piruetas cronológicas, arrasando factos e destruindo nexos causais. Mentindo.

Há quem salte de 8 de Março de 2008 para a entrega dos OI – culpando os professores que o fizeram – em Janeiro de 2009, apagando do percurso o memorando do entendimento e a total ausência de uma posição sindical clara sobre os OI no final de 2008, mesmo no rescaldo das manifestações de Novembro.

Para lavarem a consciência apontam o próximo fim de semana como se fosse a marca de um novo arranque da luta e, à moda dos bons crentes, apagam o passado com umas rezas. Apontam para 10% do outrora foi, quando mesmo eu espero mais. Apostam na mistura com os outros protestos do mesmo dia, para encobrirem o que foi perdido ao longo de três anos e a desconfiança que geraram.  Acusam os colegas de terem sido apenas anti-MLR e de não terem o seu profundo substrato ideológico que os mantém firmes a relatar colegas, entre a espada e a parede, como confessam, pensando que os não ouvem. São tão incoerentes na sua postura que nem vale a pena nomeá-los.

Já o Miguel teoriza no balanço entre a micro e a macropolítica, parecendo não perceber o essencial: há quem não queira a queda deste Governo e de oposição às suas políticas faz apenas a coreografia indispensável para manter as aparências e erguer pergaminhos. Muitos lutadores receiam o FMI e a ascensão da “Direita”, não percebendo eu muito bem – sou curto de ideias – se todas as portas para os atropelos não foram já abertas e se realmente ainda há pior por aí do que aquilo que nos desgoverna.

Agradecendo à Ana Silva o link, que já tem uns dias, mas mantém a actualidade intacta:

Epítetos de uma geração

Numa compilação do Calimero Sousa.

Escolas do ensino profissional não receberam os subsídios do estado, alunos desistem, ministério sem resposta.
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Escola Pedro Teixeira, Cantanhede, devido aos cortes no financiamento a escola vai despedir todo o pessoal (31 professores e 13 funcionários), pais querem “manter um mínimo de subsistência possível” aos professores, os professores comprometem-se a terminar o ano sem ordenado, sindicatos afirmam que a solução proposta é ilegal e a direcção regional “coloca-se à margem”.
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Escola Secundária de Linda-a-Velha, devido à falta de funcionários, professores e alunos limpam as salas e casas de banho.
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Alunos do agrupamento de escolas de Sobral de Monte Agraço estão sem refeições, a escola rescindiu contrato com a empresa depois de queixas sobre a qualidade das refeições.
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Crianças com deficiência mental correm o risco de ficar sem apoio, APPACDM.
Reportagem da TVI sobre o analfabetismo. Portugal é o país da Europa com maior percentagem de pessoas analfabetas, vários casos.
21:18 – à pergunta da jornalista – Como é que é possível estar no oitavo ano sem saber ler e escrever? – respondem o presidente da junta e a directora da escola
Recolha do Calimero Sousa.

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