Texto recebido por mail, com solicitação de divulgação:

 

Escola Secundária Camilo Castelo Branco (Famalicão): de uma Direcção moribunda ao abutre partidário

No  Decreto-Lei n.º 75/2008 de 22 de Abril  que regulamenta o  “Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos Ensino básico e Secundário”, pode ler-se que o  Director é o “rosto, um primeiro responsável” da Escola, dado que lhe é “confiada a (sua) gestão administrativa, financeira e pedagógica”.

O presente texto surge da imperiosa necessidade de denunciar o ambiente degradado e degradante – mercê da actual Direcção -, que se vive na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em Famalicão. Gostaria que servisse como elemento para uma reflexão/debate sobre a importância estratégica deste órgão de Gestão.

É, portanto, em nome da clareza e da reposição da verdade que o redijo, cônscia de que o seu conteúdo tem a aquiescência de largas dezenas de colegas.

É do nosso conhecimento que o actual Director, está a ser alvo de um processo disciplinar por parte da Inspecção-Geral da Educação sob a acusação de gestão danosa decorrente de múltiplos pagamentos ilegais, quer dizer, sem a prévia autorização  do conselho administrativo da escola.  As dez infracções de que é alvo são gravíssimas e não se podem mascarar sob a classificação de “questiúnculas internas”.

Jamais utilizaria o argumento “ad hominem” porque não é o homem  –  este homem em particular  – que me interessa, mas as suas práticas reprováveis, nesta ou em qualquer outra escola, por este ou por  qualquer outro membro do órgão de Gestão.  O que quero dizer, para que não haja equívocos, é o seguinte: se a actuação da actual Direcção fosse uma mais valia para a escola, seria a primeira a aplaudi-la. Infelizmente, para toda a comunidade escolar, tal não sucede(u).

Preocupa-me a falta de carácter individual. Creio que há sempre uma história pessoal – uma biografia moral, se quiserem – que ajuda a esclarecer o que se é, quem se é.

Por isso, considero relevante atentar ao “antes”, ao tempo (passado recente) em que o actual Director era professor. Colocarei, apenas, três questões:

1.      Como é/foi possível que um professor – digno desse nome – fizesse, amiúde, testes aos alunos seus sem ter entregue e corrigido os testes precedentes? Como poderiam estes alunos perceber as suas fragilidades científicas e colmatá-las, quer dizer, rectificá-las atempadamente?;

2.      Como é/foi possível que este funcionário público chegasse frequentemente atrasado às aulas?;

3.      Como é/foi possível que este professor abandonasse a sala de aula, deixando os alunos, e regressasse posteriormente?

Há, de facto, algo de estranho quando se avaliam estas práticas com a menção de “Excelente”! Mostra, pelo menos, a perversão /distorção da ADD.

Tal como prevê o Decreto-Lei n.º 75/2008, foi ouvido pelo Conselho Geral, na qualidade de candidato ao cargo de Director, assumindo nessa reunião que já tinha a sua equipa constituída. E quem eram dois dos elementos da equipa?

Dois membros do Conselho Geral! Um dos quais o seu Presidente.

Ora bem, é da competência do Conselho Geral eleger o Director e, portanto,  percebeu-se  a posteriori,  como o Presidente deste órgão foi “premiado” com o cargo de Adjunto da Direcção. Os favores profissionais têm sempre um preço…

A análise é simples: ou o Director não tinha ainda a sua equipa formada e violou o princípio da honestidade e o valor da verdade, ou já a tinha e o então Presidente do Conselho Geral votou em si próprio porque integrava a equipa, transgredindo o princípio da imparcialidade. Ambos os cenários são maus… e apontam para a infracção do artigo 5.º do decreto-lei precedentemente mencionado.

O que sentimos, nós professores, como espectadores deste processo é que ele não foi  transparente e sério.

No momento presente – o agora –  afirma sem despudor: “Ser professor é ter a alegria de transmitir valores como a obediência, a disciplina, o trabalho e o sacrifício.”

A autoridade conquista-se através da seriedade profissional. E, com ela, o respeito e a admiração. Só o autoritarismo tem como ideal a obediência cega. Lição do Estado Novo.

De facto, quem conhece o Director ouve-o, amiúde, exigir aos professores mais trabalho, mais sacrifício. Onde estava o seu espírito sacrificial quando recebeu 4.000 euros de horas extraordinárias?

Incomoda-me saber que faz parte da rotina do Director regressar à escola, após o almoço, por volta das 16 horas, sem nunca deixar de prestar culto a Diónisos. Detesto a incongruência, o divórcio entre o pensamento e a prática.

Igualmente relevante é o facto da (primeira) Subdirectora ter alegado divergências com o Director e apresentado a sua demissão no final do ano lectivo transacto. Prova que o ambiente no seio desta Direcção, fruto de graves dissensões, não é propício ao trabalho de equipa.

Como se isto fosse insuficiente, há outra situação que agrava o mal-estar docente na escola e, portanto, a merecer registo: assiste-se aos maldizeres sussurrados do Adjunto, **********, sobre o Director que ajudou a eleger! Fica-lhe mal, muito mal, insultar a Direcção à qual ainda pertence. É sabido que os oportunistas têm “amigos” conforme as conveniências. Afinal, este é o momento do ataque ao moribundo, através de uma campanha de sedução/manipulação porque o amigo Director deixou de o ser… esquecendo que é um prolongamento de uma Direcção em putrefacção.

Provavelmente aspira à nomeação, pela DREN, para integrar a Comissão Administrativa Provisória. É claro, que a sua filiação partidária (P.S.) constituirá, para a DREN, o “mérito mor” deste adjunto.

Preocupa-me a falta de carácter colectivo. O certo é que o País conhece outros Zés oportunistas.

Estamos, com efeito, perante dois homens com um amor desmesurado pelo poder e um desamor e uma falta de dedicação pela Escola e pela Educação públicas.

O que a Escola Secundária Camilo Castelo Branco exige e merece é que se faça uma purga da actual Direcção. Nenhum membro conquistou o respeito. Nenhum merece permanecer à frente dos desígnios da Escola!

A autonomia instrumentalizada é auto-contraditória. Análoga a um País com governo mas desgovernado … Realidades possíveis quando as acções não se norteiam pelo bem comum. Quando a prática política, nomeadamente a educativa, se desvincula da ética. Quando os interesses individuais, egoístas, ganham primazia face aos interesses colectivos. Puro narcisismo antropofágico.

Autor(a) devidamente identificado(a), que solicitou o anonimato