Apesar da evidente contrariedade nos parceiros preferenciais de há um ano, a ADD volta a estar na ordem do dia.

Hoje no DN e I o assunto volta a ser tratado, pois a contestação – mesmo se ainda não com a onda e a firmeza de há 2-3 anos na opção pela suspensão dos procedimentos – vai aumentando e se adivinha um crescendo no 3º período, quando as escolas estarão sob maior pressão, com exames, provas de aferição, antecipação de horários-zero e definição das classificações de mérito.

Enquanto o ME ameaça com a demissão dos directores que optem por tomar medidas práticas contra a ADD – o que poderia ser um rastilho poderoso para a revolta global dos docentes -, há escolas onde se fazem exigências disparatadas aos professores que não concorreram a classificações ditas de mérito.

Não tenho divulgado alguns documentos que tenho recebido, incluindo instruções com dezenas de páginas e fichas a requerer evidências ao nível de um novo estágio, por falta de tempo para tratar e apresentar a informação de modo legível.

Ao mesmo tempo realizam-se reuniões de tipo sindical de tipo surreal, onde dirigentes (não estou a falar de delegados) afirmam que a ADD não é complicada e que os sindicatos só não a contestaram abertamente porque os professores não estavam mobilizados. Tenho uma espécie de acta sumária de uma reunião recente aqui perto de mim, onde o zé do costume fez o seu número habitual de ataque aos blogues e outros sindicatos e de defesa da falta de verticalidade sindical nesta matéria, esquecendo-se que o seu sindicato não apresentou qualquer iniciativa concreta de apoio a quem fizesse pedido de escusa de relator e não tem dado qualquer suporte efectivo a quem pretende contestar a ADD no terreno.

Isto significa que esta ADD só está de volta à agenda mediática por pressão das bases. De novo. Desta vez será necessário que, mesmo com arranque lento, a contestação se desenvolva sem dar muita atenção aos ruídos exteriores às escolas, que o tentarão instrumentalizar ou desmobilizar com promessas sem eficácia (é o caso de iniciativas parlamentares que valem o que valeram outras no passado, pois há sempre aguiaresbrancos disponíveis para…).

A retomada da iniciativa pelas bases, se for unida e firme em alguns pontos-chave, pode forçar as cúpulas (ME, sindicatos, direcções) a reagir e isso permitirá aclarar posições. Permitirá, por exemplo, que a estratégia, com um ano de atraso, de negociar directamente com o MFinanças, não seja apenas mais uma almofada. Ao lado de encher o Campo Pequeno, com menos de 10% dos professores que outrora desfilaram em conjunto. Permitirá ainda perceber até que ponto certas plataformas ocasionais não passam de cortinas de fumo.

A retomada da iniciativa pelas bases – com os relatores a unirem-se contra o que lhes é exigido, assim como os próprios relatados, com aulas assistidas ou não – permitirá colocar os chamados dirigentes escolares perante a necessidade de explicarem ao que andam e – quiçá – a demitirem-se para não serem demitidos e assim recuperarem para o seu lado a maioria dos colegas que ainda o são.

A retomada da iniciativa pelas bases, pela sua disseminação e pulverização dos focos de instabilização, assusta as cúpulas. Todas. Todos os poderes instalados se assustam com isso. Quer os que são directamente contestados (Governo), quer aqueles que querem formatar a contestação em requerimentos de 25 linhas, com direito a lugar à mesa das negociações e monopolização da representação. Até porque Gonçalo Castilho dos Santos não me parece rapaz para partilhar confidências com façanhudos sindicalistas e, muito menos, tenha autonomia que outros aventurados pensaram ter.