Hoje, domingo de manhã(!), apeteceu-me mandar para os meus ‘avaliados’ e para a minha ‘avaliadora’…

Eu, ‘relatora’, me confesso!

Sim, é fim de semana, mas eu-professora tenho este maldito vício de trabalhar e não resisto mesmo quando o trabalho versa sobre o absurdo e se constitui como a aniquilação do essencial da nossa profissão.
Estive a analisar as fichas de avaliação do desempenho docente que são compostas por 39 indicadores que, segundo o Ministério da Educação, traduzem a operacionalização do desempenho docente em evidências (?). Esses 39 indicadores reportam-se a 11 domínios que, por sua vez, são a operacionalização, em planos mais restritos, das 4 dimensões caracterizadoras da actuação profissional do docente. Os 39 indicadores referem-se a 5 níveis. Cada um destes níveis tem múltiplos descritores — no total, são 72.
A contabilidade final é: 4 dimensões, 11 domínios, 5 níveis, 39 indicadores, 72 descritores.
Já agora lembro que para levar à prática este modelo de avaliação não tive qualquer formação. Ser auto-didata não basta e pode legitimar uma visão demasiado subjectiva sobre as diferentes práticas. Aliás, 99% dos professores que vão ser avaliadores não receberam nenhuma preparação séria, não tiveram nenhuma formação de média ou de longa duração que os capacitasse minimamente para o exercício das funções que vão desempenhar.
Assim, e institucionalmente já em diferentes situações assumi essa posição, para além de se persistir num modelo de avaliação inoperacional — pela sua objectiva desadequação, pelo seu irrealismo, pela sua burocratização –, é improvisadamente que se parte para a sua concretização.
Brinca-se com o profissionalismo de milhares de docentes, brinca-se com as implicações que uma avaliação mal feita e amadoristicamente realizada tem na vida dos professores. Na nossa vida, na vossa vida…
Eu não quero brincar!!!

Graça Metelo