A crónica de Pedro Adão e Silva no Expresso de hoje é uma das coisas mais parvas que se pode ler sobre Educação, de tão modernaça e visionária que é. O homo tecnologicus imbuiu o analista-surfista de tamanho entusiasmo que saiu-lhe coisa que nem um Rangel ou mesmo um Zorrinho escreveriam sem ficar embaraçados. Como disse, no seu entusiasmo voluntarista, a crónica é toda um monumento à parvoíce armada ao pingarelho, mas a parte destacada a vermelho é o apogeu de uma perspectiva sobre a Educação que confunde o meio com a substância. A sedução epidérmica com a aprendizagem significativa. O que é passageiro com o que deve ser permanente.

Poderia passar como uma provocação de um jovem pensador rebelde, se eu não suspeitasse que é mesmo isto que PAS acredita depois de ler a revista da semana (a Prospect, no caso). Pelo menos por enquanto. Enquanto não lê outra coisa. E passa para o entusiasmo seguinte. Breatt Easton Ellis, nos seus melhores momentos, descreveu muito bem esta geração intelectual menos que zero de consumo rápido e paixões arrebatadoras mas fugazes. Invejo-lhe uma coisa: parece que lhe pagam para escrever destas coisas e não lhe pedem evidências para uma avaliação do desempenho.

Expresso, 5 de Fevereiro de 2011

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