Domingo, 30 de Janeiro, 2011


Arcade Fire, Power Out e Rebellion

Nem dá muito trabalho, mas permite realçar preguiças alheias. Ou o desinteresse. A tabela (demasiado grande para incluir como imagem no post) é a seguinte:

Private expenditure on education as % of GDP

Expenditure on educational institutions from private sources as % of GDP, for all levels of education combined (%)

.

A mistura de todos os níveis de ensino baralha as coisas, assim como os dados só chegam até 2007. Mas há uma coisa que se destaca à vista desarmada: o salto enorme no peso do sector privado a partir de 2005.  O peso relativo no PIB quintuplica entre 2004 e 2007.

Em 2007 ainda abaixo da média da UE, mas é interessante reparar que os países com maior peso do privado não são os mais óbvios e, no caso dos países escandinavos (Finlândia, Suécia), esse peso é um terço do que existe em Portugal.

Porque será?

Neste caso, deverão ser os responsáveis pela degradação da imagem do sector público a responder…

Quando se anda em busca de materiais sobre o ensino privado nos países europeus, deparamos com coisas inesperadas como, por exemplo, o lamento de alguns sectores romenos quanto à magreza da iniciativa privada no seu país. E vai daí apresentam contas e números que demonstram o seu atraso. A chatice é que, ao fazerem isso, usando os dados do Eurostat, colocam em cheque a argumentação dos que seriam seus parceiros algures. O texto é de Setembro passado, portanto não é de mil novecentos e  troca o passo. Isto é a hierarquia do peso do sector privado nos 12 primeiros anos de escolaridade:

Portugal em 6º lugar num conjunto de 27?  A sério? E informaram todos os interessados em opinar sobre o assunto?

CANETAS

Sob Pressão, Há que Espremer o Limão!

Muita conversa, muitos números atirados para o ar. Muita demagogia. Não estou a tomar partido, apenas a afirmar o que sempre afirmei. Manipular dados é tão mau quando é feito pelo ME, quanto pelos seus ocasionais adversários. São dados de 2008 da base europeia Eurydice. A publicação está aqui. O sector privado da Educação (associado ou independente) em Portugal é dos maiores na Europa. E o resto é muita desinformação.

Quem fala em monopólio do Estado, o que dirá de países como a Bélgica ou Holanda com 0% de privado independente?

Desenganem-se os que pensam que eu vou fazer grande digressão em torno da substância de algo sobre o qual já escrevi o que acho essencial: há um sistema público de ensino que, quando não apresenta a oferta desejada e desejável, deve pagar aos privados que a oferecem; há um sistema privado de ensino que deve tratar da sua vida e não medrar, salvo nos caos anteriores, à sombra do Estado que tanto critica.

O que me ocorre agora é diferente e passa pelo modo como tudo isto tem sido tratado.

Vamos lá:

  • Os números em torno do custo por aluno nos vários sectores do ensino público e privado (não esqueçamos que o custo por cabeça não é o mesmo nos diversos níveis de escolaridade e, só para ficar por aqui, e modalidades de ensino) tornaram-se centrais num debate viciado à partida pela forma como o ME gere a imensa massa de informação que recolhe diaria, semanal ou mensalmente a partir das escolas. As bases de dados do ME têm todo o tipo de informação quantificável e ou os seus serviços a não sabem tratar (e é incompetência, ou há instruções para que ela não seja divulgada (e é algo inaceitável politicamente) ou então é usada de forma distorcida, como e quando convém (e é manipulação…).
  • A imprensa que aborda as questões da Educação, apesar dos imensos ganhos em qualidade e análise crítica dos dossiês fornecidos pelo aparato comunicacional governamental, continua a fazer muita notícia com base nos dados oficiais, sem se deslocar ao terreno e contactar em primeira mão com as pessoas e sem conhecer aquilo sobre que(m) escreve. É muito diferente escrever com base em médias, sejam internas ou da OCDE (vai dar quase ao mesmo…), ou números em abstracto e conhecer ao vivo, a cores ou a preto e branco as situações tal como elas são. Isto para dizer que há casos perfeitamente anormais na relação entre a rede pública de ensino e as redes privadas (porque não há uma só) de oferta educativa em diversas zonas do país. Não vou entrar em detalhes sobre os casos mais mediáticos; apenas direi que é estranho – por exemplo – que num concelho continue a não existir oferta pública para além do 1º ciclo ou que em outro a única escola privada existente só tenha parceiros públicos, como o ME e a própria autarquia que assim promovem a concorrência contra a própria oferta do Estado, despovoando as suas escolas.
  • Neste debate e nesta polémica é notória a ausência dos agentes políticos locais, nomeadamente dos autarcas que, nem que seja em virtude da elaboração da Carta Educativa e do papel que têm, pelo menos oficialmente, no reordenamento da rede escolar, deveriam ter uma palavra a dizer sobre estas questões, nem que fosse em sede de Conselho Municipal de Educação. Só que me parece que há interesses que em muitos locais propiciam um estratégico silêncio e em outros um não menos apoio encoberto a uma das partes em confronto. Em tempos pródigos no apelo à maior aproximação das soluções educativas ás realidades locais, é curiosa a presença em massa de autarcas nas fotos de inaugurações de Centros Escolares, mas a sua desaparição no caso presente.

o pedro nunes

O dvd de um projecto muito, muito interessante desenvolvido, com escassos recursos, no bairro do Zambujal, concelho da Amadora, ali paredes-meias com os IKEA’s e Allegro’s.

Em particular, o conceito do eu-casa vai ser para aplicar, não sei se este ano, mas certamente não será esquecido.

Danças & Cantares, para a digestão decorrer melhor. Fui salvo pelo fim da música, coisa de 5-10 segundos depois de ser arrastado da cadeira onde me refugiara a fotografar.

Não cheguei a tempo de participar nos ateliers de Contos na Pele e Massagem na Escola que deixaram o(a)s participantes bastante estimulado(a)s para a sua aplicação (caramba, até parece que nos esquecemos da nossa latinidade…), mas na parte da tarde foi curiosa a forma como duas comunicações se podem completar e concordar em quase todos os aspectos essenciais, sem que os autores se tenham cruzado anteriormente ou sequer se tenham conhecido, por ser diverso o seu trajecto profissional.

Provavelmente, a afinidade da (de)formação em História ajude a ver as coisas da mesma forma: a Criatividade não como algo que brota naturalmente em jorros, bastando juntar pessoas e dar-lhes um espaço aberto e liberdade, mas sim como algo que muitas vezes exige imenso trabalho de preparação, da conceptualização do que se pretende à planificação da sua implementação, assim como (auto)disciplina.

Foram ainda umas três horas de exposição partilhada com a Susana Gomes da Silva da Gulbenkian, conversa e algum debate, que foram – para mim – extremamente agradáveis, ao ponto de me dizerem que estavam à espera de muito mais acidez da minha parte ao abordar o tema. Afinal, ao vivo, parece que sou ligeiramente mais razoável que o monstro do lago Ness quando está com uma úlcera. Os desenhos da petiza, os meus cadernos da Primária e mesmo alguns materiais de alunos parece que ajudaram a suavizar bastante a minha pré-imagem.

Polémica interessante entre o João José Cardoso, o Ricardo Santos Pinto e Bárbara Wong do Público:

Verdades privadas, mentiras públicas

Passada a esperada tormenta da noite eleitoral presidencial, percebe-se que a retoma estava preparada de antemão. Alegre e os seus foram neutralizados no PS ao se demonstrar a inutilidade de uma aliança com o Bloco, Cavaco sabe-se que não morre de amores pelo PSD de Passos Coelho, pelo que apenas faltava o mergulho no país real com diversos americosthomaz a cortar fitas.

E a Parque Escolar está a funcionar como até há pouco a Fundação para as Comunicações Móveis e desde sempre a ANQ: é uma espécie de agência informal de eventos para o Governo limpar a imagem ou preparar uma arrancada:

Águeda: Escola Marques de Castilho “refundada” aos 84 anos

No dia do aniversário deste estabelecimento de ensino, o ministro da Administração Interna esteve em Águeda para inaugurar o novo edifício
Rui Pereira, ministro da Administração Interna, participou, ontem, de manhã, na inauguração das obras de reabilitação que transformaram, por completo, a Escola Secundária Marques de Castilho, em Águeda.

Escola valorizada, Ministro da Defesa inaugura requalificação da Secundária Joaquim Ferreira Alves

Ministra da Saúde inaugurou obras da Escola Dr. Joaquim de Carvalho

Nova Oliveira Júnior “parece uma universidade”

S. João da Madeira esteve no roteiro das inaugurações ontem promovidas pela Parque Escolar. A intervenção na Secundária Oliveira Júnior custou 13,5 milhões de euros

Portalegre: ministro da Agricultura inaugurou requalificação da escola de S.Lourenço

Recolha do Livresco.

Uma conclusão é óbvia: o envolvimento pais/escolas no privado é muito maior do que no público.

Educar a Educação:

Contrato de associção de 80.000€/turma/ano ainda é de mais!

Porque Me Dizem:

“Mostra-me a Tua Escola, Dir-te-ei que Nível de Desenvolvimento Tens”

Boa noite, Paulo

Tenho acompanhado a polémica sobre os contratos de associação. O Governo, bem ou mal, decidiu diminuir o pagamento a esses colégios. Os proprietários desses colégios dizem que não dá para receber 90.000 euros por ano por turma.

Nunca fiz contas mas… hoje peguei num papel e comecei a fazer uns cálculos.

Tenho a minha filha num colégio particular, linha de Sintra, sem contrato de associação.
Pago 240,00 euros por mês, durante 11 meses.
A turma tem 28 alunos, logo……. por mês serão 6.720 euros. Logo por ano, serão… 73.920 euros.
O proprietário tem lucro e paga 14 meses aos funcionários e professores. Todos os anos, no final do ano lectivo ainda dá mais algum…

E estes senhores com contrato de associação dizem que 90.000 euros não dá…

Parece-me que vou abrir um colégio e celebrar um contrato de associação pois é um bom negócio.
É evidente que não dará para comprar carros de topo de gama nem grandes vivendas mas…

Cumprimentos
M.

Governo inaugura 21 escolas recuperadas em todo o país. Discurso de José Sócrates: sobre a Parque Escolar “aqui está o grande projecto nacional”,  “A aposta mais séria na educação de que há memória”, “houve épocas que ficaram marcadas pela aposta nas estradas mas esta época vai ficar marcada pela aposta na educação” e ainda “esta época vai ser notada, não apenas pelo investimento nas escolas, mas por tudo o que aconteceu à nossa educação nestes últimos anos”… pois vai…