Onde vivi 33 anos, como Cristo. Onde muito do que é memória é sistematicamente arrasado, enquanto se ergue o mamarracho e a coisa mais sem gosto e sem jeito, desde que pareça ser lucrativo, embora envergonhe quem tenha vergonha para sentir. Alhos Vedros de seu nome, vila ao lado da outra onde lecciono. Parente pobre de um concelho pobre. Não apenas de matéria tilintante, mas principalmente de espírito, de que muito carece a política do local.

Acho que já aqui mostrei o que vai (cada vez menos) restando de uma quinta antiga onde me habituei, em pequenino, a ir buscar o leite à vacaria que aí existia. Ao lado sempre ia rodando, para meu deleite, uma nora que hoje está reduzida ao que se vê e à espera que qualquer empreendedor, comprado e retalhado o terreno, a arrase para dar lugar a um qualquer coiso.

A sua preservação e salvamento não custariam muito. Quase só algum tempo, atenção e escasso investimento. Mas a visão é míope, mesmo entre quem bate no peito os valores do amor à terra.

Fotos tiradas com telemóvel, por entre o restolho molhado e sob observação de senhora curiosa nas imediações, com cachorro defecante.