Campanha Publicitária à custa da Universidade de Coimbra?

Foi notícia, no dia 13 de Janeiro de 2011, que a Universidade de Coimbra passaria a disponibilizar conteúdos audiovisuais através da plataforma iTunes U. A notícia teve ampla cobertura dos media (http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1756109, http://publico.pt/1475044, ect…)

Como cidadão, e como Professor Universitário, é com enorme alegria que assisto à apropriação, por parte de uma Instituição de Ensino Superior Portuguesa, de mecanismos de partilha de informação como iTunes U ou Youtube, à semelhança do que acontece com tantas outras instituições congéneres do resto do mundo – quem visite o site da Universidade de Cambridge (por exemplo) fica informado, logo na primeira página, que esta disponibiliza conteúdos no Youtube, no iTunes U, tem um canal twitter, um perfil no facebook e outro no flickr.

Parabéns, pois, à Universidade de Coimbra pela sua iniciativa! Desejo vivamente que todas as outras Instituições de Ensino Superior sigam este exemplo, e disponibilizem parte do seu trabalho através destes canais de comunicação e partilha, pois acredito que é desta forma que se construirá parte significatva do sec XXI.

Há, contudo, um conjunto de pontos desta iniciativa que sinto a obrigação de sublinhar.

· A Universidade de Coimbra tem um canal no Youtube (http://www.youtube.com/univdecoimbra) desde 13 de Dezembro de 2010. No momento em que escrevo este texto, o canal tem cerca de 80 vídeos disponíveis. Não encontrei nos arquivos web da imprensa portuguesa, nem no site da Universidade de Coimbra, nenhuma referência a esta iniciativa;

· Na página que a UCoimbra disponibiliza para explicar o acesso ao iTunes (www.uc.pt/itunesU/aceda), só é explicado como aceder aos conteúdos através de um ipad (o vídeo em questão, para além de mostrar o ipad, deixa ainda entrever parte de um teclado de um computador portátil Apple e de parte de um iPhone Apple)

· O vídeo em questão está alojado no Youtube – ou seja, a plataforma iTunes U é (tão), citando o Público: “especialmente concebida para os estabelecimentos académicos”, que o vídeo de demonstração teve que ser alojado no Youtube para poder ser embebido nas páginas da Universidade!

Como cidadão e como professor, custa-me ver duas instituições que muito respeito e admiro, por razões diferentes (sou, aliás, cliente Apple) a incorrer numa campanha em que, na minha opinião, nenhuma sai particularmente prestigiada (embora acredite na sua eficácia como incentivo para a compra de ipads).

Ricardo Matos