Quinta-feira, 13 de Janeiro, 2011


já não sou mentiroso

Eruption, I Can’t Stand The Rain

A medida de reduzir o crédito horário das escolas para projectos está errada, tem fundamentos errados e vai levar ao desaparecimento de muitas iniciativas bem meritórias para o sucesso dos alunos e úteis no combate ao abandono escolar.

Mas não sou capaz de dar uma no prego, sem espetar outra na ferradura.

Porque há projectos e projectos.

Há projectos com pés e cabeça, trabalho árduo e envolvimento dos alunos.

E há projectozinhos, muitos giros no papel, mas em que o trabalho escasseia e o envolvimento dos alunos é curto, pois não se compagina com umas horas espalhadas pela semana, quando dá mais jeito para tapar uns buracos.

Esses projectos e esses clubes quase virtuais, que muitas vezes permitem relatórios rutilantes de tanto sucesso autoavaliado, fazem pouca falta, à excepção de quem gosta de aligeirar os costados.

Há muito que acho que projectos, clubes, oficinas, etc, devem ter horários adequados a uma frequência alargada. Há cerca de 10 anos assumi a coordenação de um espaço – não por projecto apresentado, mas mais porque era preciso alguém – que funcionava uma manhã toa em contínuo, das 10 às 13.20. E era muito frequentado. Se fosse às 2ªas das 10.10 às 10.55 e às 5ªs das 16.00 às 16.45, quase certamente não teria servido para nada.

Aliás, em vez de aulas de substituição ou num outro regime, já propus – mesmo aqui no blogue – que deveria existir uma sala aberta, em permanência, dinamizada em cada turno diário por docentes de uma disciplina ou área disciplinar, em regime de frequência voluntária pelos alunos, com um sistema de créditos de presença.

Clubes atomizados, em salas dispersas e horário rarefeito são meros nichos, pequenas coutadas, que podem até funcionar bem, mas quase sempre como excepção.

Desculpem lá se o meu olhar é pouco cândido, mas…

Aluno detido por posse de arma de fogo, a arma estava carregada e o aluno tinha também cadernos com fórmulas relacionadas com explosivos. Escola Nuno Álvares, Castelo Branco.

1:36 outros casos de porte de arma e de fabrico de explosivos
.
Redução do salário de professores e funcionários de 20 escolas privadas.
.
Pais fecham escola em Beja devido às más condições, existe uma nova escola mas ainda está fechada.
.
Escola de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, a escola não tem elevador para permitir o acesso a alunos com dificuldades motoras e não só…
.
Associação dos dirigentes escolares e sindicatos sobre a reorganização curricular e a reorganização do trabalho da escolas: perda de qualidade no ensino, fim da área de projecto e do estudo acompanhado, eliminação de condições para o desporto escolar, fim de projectos, fim de clubes e de apoios e despedimento de professores.

Do Blog DeAr Lindo:

A DGRHE enviou hoje mail às escolas

…para que os directores preencham formulário com os dados dos professores de EVT. É pedido o tipo de vínculo dos professores, pergunta-se sobre as suas reduções horárias e também se leccionam Área de Projecto e Estudo Acompanhado. Estamos a ser contados.

Ministério não tem planos para despedir professores

O secretário de Estado Adjunto da Educação garantiu, no Fórum da TSF, que o ministério não tem planos para despedir professores.

O adjunto da porta-voz do Governo para a área da Educação, parceiro preferencial para as conversas em família com os representantes preferenciais dos professores, sabe perfeitamente que não tem qualquer poder de decisão nesta matéria.

O que ele diz pode escrever-se, imprimir-se e até radiodifundir-se, mas se Teixeira dos Santos acordar mal-humorado e o engenheiro apanhar com um grizo matinal, não conta para nada.

Isto é apenas uma tranquilização para patego comer se for mesmo muito patego.

Para além de que, tecnicamente, ao ME basta não contratar em Setembro uns 10-20.000 docentes (ou mais)  para o SE Ventura dizer que não mentiu. Ou então, se mais uns milhares se aposentarem e outros forem colocados em situação de mobilidade, ser verdade que não despediram ninguém.

Apenas empurraram.

Ou fecharam a porta.

E a escolaridade estende-se para 12 anos com redução de 20% no número de docentes em exercício. Um verdadeiro achado.

Em matéria de spin, Alexandre Ventura faz os mínimos, mas apenas isso e, neste momento, até tenho pena do papel que está a desempenhar.

É que do Pedreira, no mandato anterior, quando se via que estava a contragosto no ME, era possível continuar a não gostar graças às bocas com que, em ocasiões sortidas, mimoseou os zecos-ratinhos.

No caso de Alexandre Ventura, percebe-se que ali está apenas uma figura falante, um verbo vazio, a quem só ficaria bem bater com a porta, sem receio do futuro da sua carreira. Afinal, FLAD há só uma.

Very british indeed.

O Paul McCartney quer-me parecer que foi mesmo para acabar de encher o espaço…

Ainda a importância do Desporto Escolar

… antes tuteladas por esses políticos.

CGD e empresas com capitais estatais já deram emprego a 40 ex-governantes

Quarenta antigos ministros e secretários de Estado conseguiram emprego na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e em grandes empresas em que o estado é accionista, como é o caso da PT, EDP e Galp. Só a CGD já empregou 23 ex-governantes.

Notícia que deriva da peça do DN de hoje:

Caixa já empregou 23 ex-governantes na administração

E o que dizer do desfile de opinadores – dos pagos, não dos que lá vão graciosamente – nas televisõesN?

… parecido, só que envolvendo vários alunos e nenhum muito bom a Química. E nem era tão larga a banda para descarregar os manuais que por aí existem.

Bom aluno a Química com arma e manual de bombas

Boa noite, Paulo.
No post de 11 de Janeiro intitulado «Será que o ME poderia informar» foram vários os comentários em tom jocoso acerca dos alunos sobredotados. Não foi a primeira vez que comentei acerca desse assunto, pois a questão bateu à porta cá de casa há uns 4 anos.
O meu filho mais velho, hoje com 7 anos, começou a ler (palavras e frases) aos 3 anos e meio. Apercebi-me quando estava a fazer a lista de compras e ele começou a ler as palavras. Parou no açucar. Leu «acucar» e perguntou o que era? Estarreci! Perguntei como é que ele sabia o que estava escrito. Ele riu e disse que era fácil, pois era só juntar uma letra a seguir à outra para fazer sentido. Estarreci novamente!
Bem, deveria ter levado em consideração alguns sinais anteriores: aos 2 anos passava a tarde a fazer puzzles, começou a falar e passou rapidamente a usar frases completas, preferia falar com adultos do que com crianças da sua idade.
Depois disso, fui falar com a educadora dele que já me tinha alertado para o facto de ele contar, falar e jogar de forma diferente dos restantes meninos. Ela falou em sobredotação e eu sempre relevei. Nessa altura, esperei. Na creche, ele tornou-se quase uma raridade. Os pais sussurravam ou vinham falar comigo, as auxiliares pediam-lhe para ler os nomes dos meninos das outras salas. Ele gostava, mas eu ficava preocupada.
No final dos 4 anos acedi a levá-lo a fazer testes. Fiz dois. O mesmo resultado. Precocidade e capacidades muito acima da média em áreas como a linguagem e o cálculo. Por seu turno, a motricidade fina estava abaixo da média (não conseguia sequer fazer contornos seguindo traços e pintava tudo com a primeira cor que apanhasse).
Aconselharam-me que frequentasse, uma vez por semana, actividades para meninos como ele, promovidas pela ANEIS (Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação). Não se trata de um fábrica de geniozinhos, mas de um sítio onde os miúdos têm vivências parecidas e se sentem integrados. Por vezes, estes miúdos cristalizam em determinados conteúdos (espaço, dinossauros, física, matemática) e as monitoras colocam-nos em contacto com outras experiências, sejam elas académicas ou lúdicas. Podem fazer um robot ou ter uma aula de culinária!
Por norma, estes alunos são muito curiosos e a palavra «porquê» está sempre na ponta da língua, mas há vários mitos em torno dos alunos sobredotados que importa debelar:
.
-são bons alunos (ou devem ser). Se não forem acompanhados nas suas especificidades, alguns deles desinteressam-se pelas matérias escolares e chegam a reprovar;
-são totós e não se relacionam com ninguém. Tal como os restantes, alguns são timídos, outros extrovertidos;
-são génios da Matemática, da Física e da Robótica. Alguns! Outros gostam de ler e de escrever, outros de tocar e compor, outros de desenhar e pintar…
-vão todos avançar uns anos na escola e chegar à universidade aos 16… sem comentários.
.
O meu filho não avançou (apesar de ter sido considerado) porque está completamente integrado na turma, adora os colegas e professora e tem tido sucesso escolar e social. Não se tornava relevante para ele.  Quando entrou para o 1.º ano não informei a professora (até por receio), mas rapidamente fui chamada à escola porque ela se apercebeu de que ele já lia e escrevia correctamente… Hoje, o meu cavalo de batalha é a caligrafia (a tal motricidade fina). A escola está formatada para que os alunos escrevam com uma letra bonita. Para ele isso é mais difícil do que fazer contas de dividir e por isso tem de se esforçar.
O facto de ser professora  não ajudou! Muitos pensaram que fui eu que o ensinei a ler e a escrever. Desisti de me justificar. Pouquíssimas pessoas sabem desta particularidade do meu filho, mas quando falam com ele, são raras as que não comentam a sua linguagem ou os seus conhecimentos.
Por fim, gostaria de lembrar que ser pai (e professor) destaas crianças não é fácil. Todos os dias tenho que responder a perguntas para as quais nem sempre sei a resposta e tenho de pesquisar para não errar. Não posso simplesmente dizer que não sei quais os habitats do Triceratops ou quais os gases que exitem num buraco negro. Temos de lhes dar ferramentas que os tornem atónomos, mas não nos podemos esquecer de que são crianças. Ele adora ver desenhos animados e brincar, mas paralelamente devora enciclopédias, sabe o ciclo de vida de dezenas de insectos e conhece os dinossauros por períodos!
Xxxxxxx

Acabei de ler e assinar a petição online: «O fim do Desporto Escolar nas escolas»

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N5388

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Fica aqui (ParecerCE SobreOAL7Janeiro), enquanto no ME irá parar à gaveta.

O presidente, a campanha e os colégios, mais duas manifestações contra a redução do financiamento das escolas privadas.

E se fosse um professor? Ou uma ministra, acalentada por alguma reunião sindicóide?

Castelo Branco: Aluno detido na escola com pistola carregada

Eu cá aconselhava o advogado do imberbe a ter deixado de ser gay, pode ser que…

O advogado não, a desculpa.