Quarta-feira, 12 de Janeiro, 2011


Duran Duran, All You Need is Now

Quem diria… trinta anos depois de serem acusados de betinhos sem futuro… Não são geniais, mas teremos sempre…

primeiro-ministro

Situação 2

O que as nossas escolas têm andado a fazer, ao longo das últimas décadas, é a tratar o texto (o texto narrativo). A frase (aqui tomada como sinónimo de oração) tem sido claramente secundarizada. Mas é nas frases e nas relações entre elas e dentro delas que se constrói e se transmite o pensamento. O estudo da narrativa desenvolve um esquema actancial, que mais não faz que explicitar, quiçá ampliar, o imaginário das estórias da avozinha. Por isso, ao exagerar esta dimensão em detrimento de outras, provavelmente a escola terá contribuído para prolongar, por tempo indevido, uma certa infantilidade dos alunos.

Só o tratamento da frase, considerada na sua estrutura, na sua relação com as outras, no seu contexto e na intencionalidade de quem comunica, torna possível descobrir e mobilizar a epistemologia da comunicação humana. É aí que funciona a lógica da língua. Sem a qual a matemática, as ciências, a história… as leis serão chinês para os nossos estudantes. (Atente-se nas conclusões do Relatório Testes Intermédio 2010, do GAVE, recentemente publicado.)

Aplicando, simplificando e concluindo: no 1º ciclo, o aluno deve passar, a escrito, a língua que já fala; no 2º ciclo, deverá ser decididamente introduzido nas linhas essenciais do conhecimento explícito da língua. Diz-me a experiência que é o tempo e a idade certos. Quem o não fizer dificilmente o fará mais tarde. Porque essa reflexão é estruturante e pressuposto. Da comunicação e do pensamento. Nós pensamos em português…

João de Brito

… o que qualquer português médio entenderia. Escreveu ele:

(…) the Portuguese macro story is harder to tell than those of Greece, Spain, and Ireland. Greece was excessive government borrowing; Ireland and Spain, housing bubbles. Portugal, by contrast, wasn’t all that bad fiscally — debt/GDP on the eve of the crisis roughly comparable to Germany. But it also didn’t have surging house prices. There was a lot of private-sector borrowing, but it’s not that easy to explain exactly why.

O que ele não entende é que nós não tínhamos problemas no papel porque somos mais habilidosos do que todos os outros a esconder a porcaria debaixo do tapete. Somos óptimos em valtices estatísticas e se antes já havia malabarismos, com o nosso engenheiro domingueiro, as habilidades cosméticas tornaram-se a norma.

Porque temosmproblemas? Basta ler o livro de Carlos Moreno para perceber que existe um enorme buraco negro a absorver dinheiro por diversas vias paralelas às oficialmente declaradas no OE.

É verdade… como é possível estar tão mal, ou quase, como países com problemas reais bem identificados e documentados?

Simples, vivendo em estado de representação permanente, como escreveu Eduardo Lourenço, ou em estado de não-inscrição, como definiu José Gil.

O Paulo já escreveu sobre o assunto, pelo que também eu poupo nas palavras:

Ministério da Educação quer suspender todos os projectos nas escolas

 

… não a usarei, nem nela me encavalitarei, pois tenho cavalgadura e sela próprias.

A minuta é proposta pela Fenprof, para apresentar – estranhamente, acho eu – uma reclamação à direcção das escolas não agrupadas ou agrupamentos por causa do corte salarial.

Lamento não perceber completamente o alcance deste acto, que objectivamente não conduz a nada, visto que o acto administrativo que é objecto de reclamação decorre do cumprimento de uma lei que está em vigor e cuja eficácia nenhuma direcção escolar pode suspender sem uma ordem judicial que demonstre a ilegalidade/inconstitucionalidade.

Parece-me, pois, que este será um acto meramente dilatório, destinado a ocupar tempo e aparentar acção. Para quem criticou quem pediu um parecer jurídico por ser inútil, é curioso que opte por um acto que se revelará inútil. Nota-se que é uma forma de adiar a apresentação de uma contestação jurídica consequente nos tribunais.

O porquê desta táctica eu percebo, mas vou abster-me de alongar mais o meu comentário.

No meu caso, e após breve conversa inspiradora com o Fafe, apresentarei a minha queixa ao Provedor de Justiça, com base na argumentação do parecer elaborado pelo doutor Garcia Pereira, pois de acordo com o nº 1 do artigo 1º do seu Estatuto:

O provedor de Justiça é, nos termos da Constituição, um órgão do Estado eleito pela Assembleia da República, que tem por função principal a defesa e promoção dos direitos, liberdades, garantias e interesses legítimos dos cidadãos, assegurando, através de meios informais, a justiça e a legalidade do exercício dos poderes públicos.

Para além disso, no artigo 20º, determina-se que:

Ao provedor de Justiça compete:

a) Dirigir recomendações aos órgãos competentes com vista à correcção de actos ilegais ou injustos dos poderes públicos ou melhoria dos respectivos serviços;

b) Assinalar as deficiências de legislação que verificar, emitindo recomendações para a sua interpretação, alteração ou revogação, ou sugestões para a elaboração de nova legislação, as quais serão enviadas ao Presidente da Assembleia da República, ao Primeiro-Ministro e aos ministros directamente interessados e, igualmente, se for caso disso, aos Presidentes das Assembleias legislativas Regionais e aos Presidentes dos Governos das Regiões Autónomas;

Para quem se interrogou se me encavalitaria em algo ou alguém, espero ter deixado bem claro o que farei. De acordo com a resposta que receber, decidirei o desenvolvimento a dar à situação.

Este é um acto individual que, contudo, poderia ser tomado a nível de escola ou agrupamento por grupos de colegas que podem incluir os próprios directores, vice-directores e adjuntos também atingidos pelos cortes salariais anunciados.

É apenas uma ideia.

Como outra qualquer.

Talvez menos inútil…

Há quem se queixe ou me critique por não me debruçar com maior regularidade em torno do meu trabalho quotidiano. Mas sempre que faço isso, há críticas de sentido inverso, por vezes por meros pretextos destinados a atingir-me em termos pessoais e profissionais.

Raras vezes abordo o que me rodeia, porque isso deu no passado origem a atitudes indesculpáveis de pessoas com um enorme desnível, apenas interessadas em fomentar mau ambiente onde estou.

Não é de agora. Remonta, no primeiro caso, há 3 anos atrás e num dos casos ocorridos em 2008 a um tiranete de bairro. Desde o início desse ano até agora sucederam-se episódios patéticos, outros ridículos, alguns patuscos e um número assinalável de outros a roçar a abjecção ou o asqueroso.

Claro que, como já me disseram com aquela simpatia natural de quem eu esperaria alguma compreensão, «Ah… pois, já sabes, quem se mete nestas coisas, já sabe o que o espera» ou então «tu e as tuas politiquices».

Eu sei que é verdade e evito queixar-me em público e cada vez o faço menos em privado, por saber que o apoio sem remoque no final é coisa muito rara e praticamente em extinção.

Telefonemas fora de horas para desligar, ameaças por sms, mails anónimos, pescas à linha de detalhes sobre a minha vida em chats, acusações caluniosas em blogues alheios e anúncios de processos judiciais, de todo o sortido já me coube um pouco.

Como sempre disse, a mentira não me incomoda (pois não corresponde a nada) e a verdade também não me pode incomodar (se corresponde a algo não me posso queixar).

O que me custa é quando, para me atingirem, procuram enlamear terceiros, sejam pessoas, seja, no caso presente, a minha escola.

Devido ao post A Irrealidade Quotidiana, que pareceu polémico a gente com muitos pruridos éticos – mas que já não os tem quando faz acusações infundadas sob o manto do anonimato – gerou-se algo cujo alcance ainda não percebi, ou faço por não perceber.

Nesse post de há uma semana eu reproduzia dois excertos de fichas de trabalho de alunos meus e tentava transmitir que há momentos em que nos confrontamos com coisas difíceis de entender, que exigem um trabalho muito complicado e que por vezes geram frustração quando não encontramos logo o caminho certo.

Foi um desabafo público e não escondido.

Foi a demonstração de como é necessário estar sempre atento, reavaliar o trabalho feito, nunca dar nada por adquirido, por simples que pareça.

A esse propósito, alguém decidiu descarregar as imagens e fazê-las circular por mail num círculo restrito com o seguinte texto:

Assunto: alunos 5º ano da Mouzinho da Silveira
Para:

Janeiro 2011 – alunos do Paulo Guinote do 5º ano!!! Matéria dada no 1º Período!!!

Sem comentários!

Este mail não acrescenta nada ao que escrevi no post, num dia em que o blogue teve 18.664 visualizações, sem ser a referência directa à minha escola. Omite o facto de serem alunos de uma turma de PCA com notórias dificuldades de aprendizagem e não inclui sequer o link do post. Omite serem dois exercícios de revisão de matérias que são quase de linguagem geral e não conteúdos programáticos específicos.

Foi trabalhinho de alguém com interesse em denegrir algo para além de mim. Notoriamente de alguém com interesse em denegrir a minha escola que é, de longe, a que tem melhor desempenho nas provas de aferição de LP no concelho, incluindo nesse desempenho os meus alunos de PCA que, nos últimos anos, preparei para as provas de aferição.

Foi trabalhinho de uma qualquer criatura invertebrada, incapaz de assumir frontalmente a sua peçonha e que achou por bem colocar isto a circular por professores da zona, na esperança de para além de atingir a imagem da escola a que pertenço prejudicar-me, indirectamente,  perante os meus próprios colegas, da escola ou fora dela, ao omitir o enquadramento do post.

Nada que eu não espere de criaturas – são muitas – que incomodo só por existir e me expressar.

Criaturas que já usaram todos os meios possíveis para me tentar magoar, ofender e isolar. por vezes com moderado sucesso, mas sempre sem entenderem que é impossível atingir mais do que um pequeno nível abaixo da superfície.

Criaturas que deixam rasto – são rastejantes – pois é sempre possível rastrear a coisa até ao ovo. Até porque o rasto da peçonha deixa sempre marca por onde passa.

Pensei não escrever este post, desvalorizando o acto mesquinho desta gentinha triste.

Mas isso seria fugir à minha própria natureza. Seria fingir que não sabia, que ignorava, que desculpava, que perdoava a cobardia.

E isso é que não consigo, devido aos meus maus fígados.

A resposta final a estas criaturas das sombras e da lama será dada quando estes mesmos alunos fizerem a mesma prova de aferição que todos os outros e obtiverem os resultados que não renegarei serem também do meu trabalho.

Nota final: Não foi irrelevante o peso que tiveram coisas como esta na decisão de eu não suspender o blogue no passado mês de Novembro ou no fim de 2010. Mais do que de apoios e encorajamentos, o meu ânimo alimenta-se do evidente incómodo que causo a alguns parasitas e outros tantos emproados cheios de vento.

 

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