Sexta-feira, 7 de Janeiro, 2011


Ramones, I Wanna Be Sedated

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Confirma-se o que por aqui se escreveu ontem:

Remunerações dos docentes contratados que leccionam CEF’s e Profissionais passam a ser suportadas pelo POPH

Anexando o ofício-circular nº 2/GGF/2011:

 

Ficou hoje na berra a de Manuel Alegre porque tem lá Fernando Lima, presidente da Galilei, ex-SLN. Fui espreitá-la, por diversas razões, uma das quais a curiosidade para ver os convívios que por ali se encontram. Garanto-vos… estes são ambientes muito coiso.  Tipo Rock in Rio no dia da Madonna ou dos Bon Jovi. Vai lá tudo o que é bicho careta para tirar fotos com o telemóvel e colocar no FB. Se tivesse conseguido passar da letra A teria dado com o cantautor Manuel Freire e com uma Fátima Lopes que fico sem saber qual é.

Só que fiquei branco como a cal quando está branca, quando dei com o Pai. Apre, apre, apre… Antes o tipo da Galilei, ou da Copernici, ou da Newtoni.

Aceitaram mas não inalaram.

Tribunais aceitaram três providências cautelares contra cortes salariais

(…)
Os tribunais administrativos e fiscais de Coimbra, Porto e Ponta Delgada decidiram aceitar as providências, mas não decretaram a suspensão provisória da medida. A decisão final só será tomada depois de ouvidos os ministérios da Educação e das Finanças.

Ser professor é algo que, se olhar para trás, não me deveria ter acontecido, tamanhas são as coisas ridículas que me aconteceram ao longo dos anos com antigas professoras (é curioso, mas foi quase sempre com senhoras… e até tive uma boa proporção de senhores).

Algumas delas na boa e velha Primária.

Mas isso agora não interessa nada.

Vou apenas aqui partilhar um divertimento pessoal, em virtude de ter ontem encontrado diversas provas minhas da 1ª á 4ª classe. esta é da 4ª classe, de Fevereiro de 1975 e demonstra duas coisas: que efectivamente esta minha estimada professora embirrava um bocado comigo e que eu, à data, estava demasiado imbuído de um ideal de lazer, pouco compatível com o espírito da época.

Reparem na redacção que eu, agora também professor de Língua Portuguesa, dificilmente teria rasurado e quanto muito teria feito um pequeno reparo à utilização da palavra desenvolvem-se.

Quanto ao último parágrafo é algo hilariante que ao meu imaginário da água dos rios como fonte de prazer e banho nos dias quentes de Verão a professora em causa tenha sobreposto a fertilização dos terrenos em redor. Não percebo se por fidelidade ao ideário produtor do Estado Novo em que florescera, se por conversão recente aos ímpetos materialistas em ascensão.

Porque não é uma questão de gramática ou ortografia. Foi mesmo censura por delito de fruição.

Não me apetece escrever muito sobre um assunto que já fez escorrer muitas palavras. O essencial já está percebido, apenas restando o que em confidência ficou entre os acordantes e que de quando em vez é aflorado pelo lado da Fenprof, enquanto os restantes sindicatos signatários assobiam para o lado, tentando que nos esqueçamos do que fizeram e que seja aquela a fica com todo o odioso da estórinha.

Se bem que é verdade que durante meses houve quem cavalgasse o acordo como se fosse corcel alazão a caminhos de algum lado que não descortinávamos. E dando a cara alegremente por ele e cobrando créditos pelas conquistas.

O fim da divisão na carreira foi o grande trunfo simbólico, mesmo se a carreira ficou num estado de espartilho ainda maior. Logo se viu ser falso que todos pudessem chegar ao toipo da carreira.

Mas alguns representantes, em busca da glória efémera do momento, aceitaram esse chavão, enganador, que depois foi usado contra os professores como sendo causadores de parte importante da derrapagem orçamental.

O que foi bem claro é que no dia 7 o acordo estava pré-definido e até hoje não sabemos exactamente porquê, embora se adivinhe nas entrelinhas do que (não) é dito, nem sequer nas actas negociais, onde nada está prometido para além do que ficou escrito no novo ECD e no reciclado modelo de ADD.

Logo no rescaldo daquela madrugada, para além de quem recusou liminarmente o que fora assinado, houve quem avisasse que o acordo era curto, tecnicamente mau para o futuro e politicamente um achado para o Governo.

Com o passar do tempo e o acumular de reuniões preferenciais entre o SE Ventura e o representante Nogueira percebeu-se cada vez mais que o par do pasodoble tinha almejado mais do que o engenheiro e o homem das Finanças alguma vezes pensaram permitir-lhes.

Tudo o que foi prometido como eventual contrapartida da pacificação das escolas – e nesse particular foi muito eficaz o acordo e a postura até foi bem mais activa por parte de alguns sindicatos – não se concretizou e algumas coisas eu ouvi de viva voz em local público, embora a escassa assistência.

Ao fim do primeiro trimestre o impasse era mais do que óbvio e em Abril tivemos a concretização da contabilização da avaliação na graduação profissional para o concurso dos contratados.

De lá para cá foi um contínuo de más notícias, com tudo a ser justificado com a crise, o défice, a conjuntura e po interesse nacional.

Os representantes signatários demoraram imenso a desacordar.

Em boa verdade, por eles o acordo ficava – mal – como foi assinado. Já isso era uma conquista. Ainda o repetem. Que o acordo foi bom naquele momento. O acordo nunca foi bom. Foi apenas aquilo que os parceiros preferenciais acharam ser o truque necessário para ganharem crédito, uns no âmbito do Governo e outros junto dos representados.

Estavam enganados e o acordo oculto de cavalheiros foi uma ilusão.

Ou melhor, uma enorme desilusão.

Tentar, um ano depois, ainda insistir na bondade de algo que logo à vista se mostrou um equívoco é próprio de quem é incapaz de emendar a mão.

E é isso que faz muitos representados (e outsiders) recear actualmente, quando se volta a insistir numa retórica guerreira que já por duas vezes cedeu a uma errada real politik de bastidores.

Nada nos garante que tenham percebido que erraram, pois recusam-se a admiti-lo, apenas arranjando desculpas, cada qual mais esfarrapada do que a outra.

Querem-nos de novo prontos para o combate, para a famigerada luta?

Quem nos garante que já não andam a escolher a empresa de pizzas ao domicílio para uma nova ronda negocial satisfatória como não se via há muito, deixando a infantaria desorientada no terreno, com ordens para depor as armas, domesticando a contestação?

Sem os efeitos suspensivos, a aceitação da providência cautelar tem efeitos nulos, deixando-me sem perceber porque se congratula Luís Lobo?

Cortes salariais: Tribunal aceita ação cautelar de SPRC

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (TAFC) aceitou a providência cautelar interposta pelo Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) contra os cortes salariais dos associados, mas decidiu «não decretar a suspensão provisória» da medida.

Fontes sindicais e judiciais ligadas ao processo disseram hoje à agência Lusa que um magistrado daquele tribunal decidiu, através de despacho emitido na quarta-feira, indeferir a pretensão do sindicato «do decretamento a título provisório do objeto do pedido cautelar».

«Na sequência da providência cautelar interposta pelo SPRC, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra decidiu aceitá-la e citar o ministérios da Educação e das Finanças», congratulou-se esta tarde o dirigente sindical Luís Lobo.

Isto é apenas uma não-decisão, já que se sabe que o Governo vai invocar o «interesse público».

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