O que mais me espanta é o aparente espanto de alguns directores, em especial os que pertencem a organismos, órgãos, associações ou conselhos que tinham obrigação de estar a par do que está definido, pelo menos em traços gerais, desde Outubro.

Então a parte das rendas à Parque Escolar e os custos com a manutenção das escolas intervencionadas até tem sido tema de notícias de jornal – já que sabemos que alguns directores têm asco por navegarem em blogues – mas é possível que quais cavacos em idos de 90, não tenham tempo para ler jornais de tão assoberbados pela governança.

Ainda maior é o pasmo  quando certos espantos surgem de quem tem reservas quanto à utilidade dos directores se (re)unirem contra isto.

Escolas têm mais despesas, mas vão ter menos dinheiro já a partir de Janeiro

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“É muito. Fiquei espantado”, disse ao PÚBLICO o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Adalmiro Fonseca, que confessa estar “muito preocupado” com as consequências: “É uma redução que não vai ser possível para as escolas. Já agora a ginástica que se tem de fazer para honrar pagamentos é tremenda. Não sei como vou conseguir suportar a factura da electricidade, do telefone e da água. E é provável que, em muitas escolas, a maior parte dos projectos que têm vindo a ser desenvolvidos seja interrompida”.

Adalmiro Fonseca, que é director da Escola Secundária de Oliveira do Douro, lembra que vão ter que viver com menos dinheiro numa altura em que as despesas estão a disparar. Os estabelecimentos que foram sujeitos a obras terão que pagar rendas à empresa Parque Escolar – cerca de 500 mil euros em 2011 – e a climatização das escolas mais do que duplicou a factura da electricidade. “Só nos faltava mais este corte. Não auguro nada de bom para as escolas no próximo ano”, confessa Adalmiro Fonseca.