Quarta-feira, 22 de Dezembro, 2010


Sendo que eu nem sabia que estava em curso tal reorganização… mas ao que parece querem acabar com a Área de Projecto, o que também vai dar mais uma machadada na carga lectiva…

Fica em seguida a conclusão e em anexo o parecer completo.

3. Conclusão e recomendações

Em face do exposto e quanto a alterações pontuais:

1.      É necessário que o ME clarifique, sem ambiguidade, a importância dos exames para a valorização do ensino e, nesse sentido, determine quais as disciplinas que deverão estar sujeitas a exame.

2.      O CNE considera que deve ser mantida a Área de Projecto no 12º ano dos Cursos Científico-Humanísticos e se deve investir na divulgação de experiências positivas e na formação de professores.

3.      O CNE reconhece a importância de uma área de Formação Cívica, mas recomenda a revisão da carga horária que lhe é atribuída para que possa orientar-se para o desenvolvimento da educação para a cidadania, para a saúde e sexualidade, não se reduzindo apenas a um destes domínios.

Recomenda, ainda, a formação e o apoio para professores que tenham a seu cargo a orientação desta área.

Em termos globais, o CNE volta a recomendar que se evitem alterações avulsas que fazem perder a necessária coerência e consistência do sistema educativo, reiterando a primeira recomendação geral constante do relatório Estado da Educação 2010, recém-publicado pelo CNE:

A continuidade das políticas educativas, sustentada numa cuidada avaliação, é crucial para o desenvolvimento estratégico da Educação e não se coaduna com alterações avulsas na estrutura e organização do sistema.

Anexo: Parecer Reorg Curric Ens Secundário.

Com produção doméstica. Eu bem que estou a tentar que a petiza corresponda para retribuir.

Cartões enviados pelo Luís Miguel Latas e pelo António Carvalhal.

Não sabendo eu já como agradecer a extrema simpatia da Armanda… O volume é monumental e belíssimo…

Diário do Minho, 22 de Dezembro de 2010

Sylvain Chomet, L’Illusionniste

Sobre a reforma curricular do Ensino Básico e, ao que parece, também do próprio Secundário?

Para sabermos exactamente o que lá se diz e não ficarmos apenas com farrapinhos de informação, disponibilizados à la carte, conforme as conveniências das fontes.

Ao contrário das forças sindicais, não acho que «as opções educativas não podem continuar condicionadas por cada mudança de ministro e por cada mudança de governo».

Por mim, devem mudar as opções educativas erradas. Manter-se as correctas. Será que Dias da Silva e Mário Nogueira defendem a continuidade das medidas tomadas em matéria de carreira e avaliação, mesmo tendo assinado o famigerado acordo?

Penso que não. Portanto… Repensem lá o princípio que enunciaram…

Eu acho que as ACND não estavam a funcionar correctamente e que era mais útil que essa carga horária fosse atribuída às disciplinas sacrificadas quando elas foram criadas, não desaparecendo apenas essas horas ou sendo transformadas em horas de frequência facultativa, logo, transitando para a componente não-lectiva dos docentes.

Não concordo com as opções anunciadas pelo Governo. Mas discordo delas porque representam um empobrecimento da oferta educativa. Não porque devam ser continuadas políticas de governo para governo, quando as opções estão erradas.

A coisa parece muito complexa, mas não é. Evoca-se muito a liberdade, sem se perceber na maior parte das vezes a que despropósito.

O sector privado da Educação – como qualquer outro – deve funcionar na maior liberdade enquanto sector privado da Educação e não como parceria público-privada subsidiada pelo Estado, a menos que isso tenha uma justificação lógica ou prática.

E quanto tem essa justificação?

Quando, num Estado em que a Educação ainda faz parte das suas funções sociais, a rede pública não disponibiliza oferta educativa em termos de rede de infraestruturas ou de alternativas em matérias de percursos educativos.

Nesse caso, devem existir apoios do Estado a esses empreendimentos privados na área da Educação. Os quais não devem ser encarados como vitalícios e muito menos como fonte principal de rendimento do projecto que se esperaria empresarial.

Esses apoios devem ser tanto maiores quanto os alunos economicamente carenciados e a localização da oferta. Não faz grande sentido apoiar a instalação e funcionamento de estabelecimentos de ensino privados em meios urbanos, oferecendo um serviço equivalente ao da rede pública. Nesse caso, quem optar pela rede privada deve encarar essa opção como um consumo a pagar. Tem todo o direito de reclamar benefícios fiscais acrescidos em relação a quem opta pela rede pública, mas tão só isso. Não concordo com apoios directos ao sector privado nestas condições. Apenas com apoios às famílias, em sede de IRS. O cheque-ensino não me seduz muito, já expliquei várias vezes porquê, algumas delas com demonstração baseada em estudos que explicam que é uma opção que traz vantagens em alguns casos mas que, globalmente, não representa uma melhoria no desempenho dos alunos.

Uma coisa que não tem qualquer lógica: fazer cortes cegos, sem consultar os Conselhos Municipais de Educação e as Cartas Educativas elaboradas localmente, de forma a perceber onde tem lógica apoiar a oferta privada e onde isso não faz qualquer sentido.

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