Sexta-feira, 17 de Dezembro, 2010


Ala dos Namorados, Os Loucos de Lisboa

PISA 2009  e a Esc. Sec. de Casquilhos, Barreiro

Sou professora desta escola, desde 1986/87. Fiquei admirada e chocada ao ler a denúncia feita por uma antiga colega que expressa a sua indignação sobre a forma como decorreu todo o processo, com base numa pequena amostragem retirada das turmas que leccionava na altura  e que estão na base de documentos enviados para a sede do PISA e para a comunicação social, em Portugal!!!

Perante tal facto (ainda que as suas palavras no FB sejam bastante diferentes das que enviou para o blog “Educação do meu Umbigo” – no 1º caso “pensa ter presenciado na sua anterior escola…”) e porque subscrevo a ideia de que “quem não faz inquérito não tem direito à palavra!”, fui solicitar informações junto de uma fonte fidedigna!!!

Apesar do caracter sigiloso de todo o processo, foi fácil obter os seguintes dados:

–         de entre os alunos indicados pela ESC foram “superiormente” escolhidos 40 – 50% do 3º ciclo (incluindo 7º ano e CEF) e 50% do secundário (10º ano e 1 aluno de um curso profissional).

–         No final, prestaram provas apenas 32, por oposição dos pais, por já não estarem na escola e por qualquer outro motivo!

Aliás, a minha estupefacção por a ESC ter sido escolhida entre as melhores escolas prende-se com o facto, facilmente verificável de ficar, no ranking anual (super-discutível, claro!!!) acima do 500º lugar!!!

Sou professora nesta Escola e, apesar da minha revolta perante as palavras do Sócrates sobre o PISA, não penso que seja com dados não provados que as  podemos contestar!!!

Bebiana Gonçalves

NOTA TÉCNICA DE CONSTRUÇÃO DA AMOSTRA PORTUGUESA PARA O PISA 2009

… quem duvida da fiabilidade técnica da OCDE não sou eu, é gente do Governo e do PS:

PS sobre OCDE: «O Governo é quem conhece melhor o país»

OCDE prevê que Portugal entre em recessão no próximo ano. Números até são «revisão em alta» dos valores apontados por outras instituições, diz João Galamba

Governo contraria OCDE: desemprego vai cair este ano

(…)
O secretário de Estado do Emprego disse esta quarta-feira que as previsões governamentais para a taxa de desemprego se mantêm mais «optimistas» do que as da OCDE, referindo acreditar numa melhoria do desemprego ainda este ano.

«É possível ter uma melhoria do emprego ainda durante 2010», anunciou Valter Lemos que garantiu que o Executivo mantém a sua previsão nos 9,8% para o conjunto do ano, contra a estimativa de 10,6% da organização internacional.

Governo desvaloriza previsões da OCDE para o desemprego

(…)
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aponta para uma taxa de 11,4 % em 2011, sendo a previsão do Executivo de 10,8%.

O Secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, desvaloriza a previsão da OCDE: “As previsões não se afastam assim tanto das do Governo. Gostava de dizer que a previsão da OCDE para 2010 já era para um desemprego superior a 11%, o que não se verificou”.

Nestas declarações, à Renascença, o Secretário de Estado diz não haver razões para o Governo alterar as suas estimativas: “Não creio que tenhamos qualquer razão para alterar as previsões de estabilidade do desemprego no próximo ano – em valores altos e preocupantes, que exigem que as políticas activas de emprego sejam reforçadas – mas não com nenhuma previsão de um crescimento galopante”.

Se Valter Lemos, secretário de Estado do Emprego e ex-secretário de Estado da Educação – pessoa que sabemos sempre informada sobre a boa maneira de tratar estatísticas como se de prisioneiros em Guantanamo se tratassem –  levanta reservas quanto às capacidades técnicas da OCDE, não posso eu – pedestre cidadão ignorante em sofisticadas metodologias diferenciais e paranormais – ter as minhas dúvidas, até porque não me chamo Aníbal nem nada…?

Quanto a João Galamba e às suas reservas relativamente à OCDE, não as comento, porque ainda não chegámos a essa fase de descalabro humorístico.

Entre as seguintes hipóteses:

  • O ME disponibilizar informação que deita por terra quaisquer suspeitas sobre a forma como os testes PISA 2009 foram realizados e preparados, permitindo assim afastar de vez quaisquer suspeições (incluindo as minhas) e deixar-nos seguros que não somos medíocres em matéria de Educação.

e

  • O ME não disponibilizar informação e assim permitir que se mantenham suspeitas sobre a forma como os testes PISA 2009 foram realizados e preparados, não permitindo afastar de vez quaisquer suspeições (incluindo as minhas), deixando-nos inseguros sobre se somos medíocres ou nãoem matéria de Educação.

Eu prefiro, sem quaisquer reservas, a primeira hipótese.

 

É vê-los a rabiar com imensa prosa por causa de um pobre zeco como eu. Até vão buscar a pasionaria câncio e tudo.

Mas a questão é muito simples: quem não teme, demonstra, mostra, revela, deixa conhecer. Que prefere a opacidade, lá saberá…

Não deixa de ser curioso que se preocupem em buscar tamanha artilharia para tão escasso alvo…

Mas algo devo desde já assinalar em defesa do quartel do Abrantes: em matéria de gestão de comentários estão muitos pontos acima das damas jugulares.

Phosphorescent, It’s Hard to Be Humble (When You’re from Alabama)

O problema é que eu fico baralhado e já não sei onde procurar o quê… Sou um tipo cheio de alergia às rotinas, mas assim é muita mudança junta…

Cursos profissionais representam 15 por cento da amostra do PISA em Portugal

Quinze por cento dos 6298 alunos que, no ano passado, realizaram os testes do PISA, estavam em cursos de vocação profissional, segundo informação divulgada esta tarde pelo Ministério da Educação.

Analisemos agora os dados oficiais sobre as matrículas e frequência do 9º ano e Ensino Secundário em 2008/09, ano da realização dos testes PISA:

No caso do 9º ano, é fácil constatar que os CEF de tipo 2 e 3 são bem mais de 15% do total de conclusões se os considerarmos em conjunto com o chamado ensino regular (32750 alunos em cerca de 117.000).

No caso do Secundário, entre cursos tecnológicos e cursos profissionais de nível 3, esse valor de 15% fica a perder de vista.

Claro que dirão que se trata de alunos de 15 anos… que não estarão assim tantos matriculados em CEF. Há estatísticas com esses detalhes?

As oficiais disponíveis não chegam a esse detalhe.

Mas o problema maior nem sequer é esse, quanto às dúvidas que se têm.

As principais questões são duas:

  • Qual o ranking médio da amostra de escolas de 2009 comparado com o da amostra de 2006?
  • O trabalho de preparação das escolas, professores e alunos envolvidos. Que eu acho que foi muito melhor em 2009 do que 2006, O que até está certo. Só estranho os pruridos em admiti-lo.

No site do The Economist:

This house believes that the language we speak shapes how we think.

Thousands of boys start secondary school ‘barely able to read’

Câmara de Mortágua, Coimbra, vai oferecer refeições gratuitas para o pré-escolar e 1º Ciclo

Os anos 70 foram um mundo… paranormal…

A malta papava disto como pãezinhos quentes… Daí ser fácil cheirar tudo oque…

Gil Elvgren, Shell Game, Shell-Shocked (1959)