Sábado, 11 de Dezembro, 2010


Tiago Bettencourt & Mantha, Se Cuidas de Mim

Aventar:

Agora como não chumbam estão no 10º ano e fazem testes Pisa com muito melhores resultados

Blasfémias:

O estudo da OCDE e o futuro das nossas melhores escolas*

O Último dos Moicanos:

Dos testes PISA…

Pedras Rolantes:

PISA com P de PROPAGANDA

Se Clement Vautel é imperdível, o mesmo se passa com Alberto Insúa, do qual nunca consegui comprar o fracturante e explicitamente sáfico em algumas cenas Mulheres Histéricas.

… quando certas e determinadas pessoas, muito éticas, que criticaram a divulgação de escutas e documentos (obtidos por ordem de juízes) sobre o processo Face Oculta (e Casa Pia), agora aparecem a aplaudir e alojar as revelações do Wikileaks que incluem documentação confidencial, de divulgação ilegal no país de origem e que também afloram aspectos privados de políticos estrangeiros?

É que eu sou coerente no desejo de transparência, mesmo se concordo que devem ser reservados certos aspectos privados, sem grande relevo para as questões do foro público. Os daniéisoliveiras é que não, bastando consultar o Expresso de hoje para ver como se contorcem de prazer em espreitar o quintal dos vizinhos de que não gostam, mas se contorceram de incómodo quando calhou aos amigos ou aos amigos dos amigos.

É de elementar justiça reconhecer que a equipa que prepara certas estratégias políticas deste Governo é muito superior à generalidade da concorrência. Podemos ter um PM fraquíssimo em muitas coisas, mas está por certo rodeado de quem sabe dar a volta a quase todas as situações. Em contrapartida, nas oposições parlamentares ou informais, pode existir muito boa gente, mas com uma entourage a roçar o amadorismo.

Em especial na área da Educação.

É a minha opinião e tão só.

Vejamos o que se está a passar com os resultados dos testes PISA 2009. Os resultados foram bons para o que era habitual, deixando a maior parte dos opositores declarados do Governo nesta matéria entre algum embaraço e o desejo que tudo se desvaneça o mais rapidamente possível.

Alguns críticos brandiram insinuações de manipulação da amostra usada, mas nada de concreto adiantaram. No meu caso, acho que, havendo suspeições, se deveriam aclarar alguns detalhes técnicos da amostra de escolas que entrou nos testes de 2009 e compará-los com as amostras de 2003 e 2006. Se nada existe de suspeito, resolve-se a questão. Mas ao que parece, ninguém está muito interessado nisso. Eu percebo porquê.

Mas há uma coisa que não percebo.

Que é o facto e alguns não perceberem que a utilização maciça destes resultados em termos mediáticos – vejam-se as entrevistas de José Sócrates ao Público a meio da semana e agora ao Diário de Notícias, assim como a recuperação da figura de Maria de Lurdes Rodrigues como grande obreira destes resultados no Expresso de hoje, mas não só – serve uma estratégia política de legitimação das políticas do anterior mandato e, consequentemente, a bondade de as prolongar e aprofundar.

E é isso que está em causa.

A actual equipa do Ministério da Educação não manda em nada de relevante. Não definirá se existirão concursos ou não, quando terminará o congelamento, sequer como é que a reforma do ensino básico será feita. Pode funcionar como orelha ou almofada para os queixumes sindicais, mas tão só isso.

Basta ver que José Sócrates chamou a si todos os holofotes acerca deste assunto e fez questão de explicitar mais de uma vez que as políticas anteriores foram injustamente criticadas e até exagerou a oposição que tiveram para sublinhar a sua razão.

O passo seguinte é óbvio: o que está a ser feito é eficaz, está correcto e deve avançar. A legitimação está nos resultados obtidos. Gestão escolar, carreira docente, avaliação do desempenho, desenho curricular, tudo deve continuar a evoluir como o Governo pretende porque o governo apresentou resultados. A rationale que será martelada é esta e é clara no que transmite para a opinião pública. Esperem para ver a revoada de opinadores a saírem do sarcófago de novo e varapau em punho contra a malandragem dos professores que se opôs a tão frutuosas políticas.

A reforma do Ensino Básico tem estado guardada à espera deste momentum. É óbvio que os resultados do PISA 2009 já eram conhecidos há algum tempo pelo Governo. Daí a espera longa por algumas medidas.

Porque agora serão apresentadas como crédito acrescido. Por serem a continuidade das políticas que nos arrancaram às trevas das comparações educativas internacionais.

E o avanço será em tropel. Os sindicatos bem poderão obstar que as medidas cortam milhares de horários, levam muitos milhares de professores para o desemprego e prejudicam o modelo de Escola Pública desejável. O Governo terá do seu lado os resultados. E usará isso sem dó nem piedade. Porque argumentará que é possível fazer mais e melhor com as suas medidas. Como no passado.

Por isso, é indispensável saber se estes resultados são neutros e se em 2009 se seguiram os mesmos padrões de selecção de escolas que em 2006 e 2003.

Se nada existe de problemático, ficaremos como estamos. Se for perceptível algum tratamento, perceber-se-á que as coisas não são como estão a ser apresentadas.

Esta não é uma discussão irrelevante.

E se, com os critérios usados em 2009, estes resultados já tivessem sido possíveis em 2006?

Será que melhoraram os resultados ou a amostra é que era melhor?

É toda uma diferença enorme entre ter argumentos claros para criticar o nexo causal que Sócrates vai explorar até ao tutano e não os ter ou tê-los de forma difusa para a opinião pública e publicada (é difícil explicar para fora que as aulas de substituição, a escola a tempo inteiro, os magalhães e isso tudo nada têm a  ver com estes resultados…).

Eu prefiro saber as coisas como elas são. Se não tiverem fundamento quaisquer suspeições sobre a metodologia usada e ela for comparável às de 2006 e 2003, serei o primeiro a reconhecê-lo e a enfiar o teclado na sacola.

O ME alega um acordo de confidencialidade com a OCDE para não libertar informação sobre as escolas envolvidas nos testes PISA 2009.

Ora bem… esse acordo não se aplica nestes casos?

PISA 2009

A Escola Secundária Dr. João de Araújo Correia – Peso da Régua participou, este ano, no ciclo de estudos PISA 2009.
O estudo PISA (Programme for International Student Assessment) foi lançado pela OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Económico), em 1997. Os resultados obtidos nesse estudo permitem monitorizar, de uma forma regular, os sistemas educativos em termos do desempenho dos alunos, no contexto de um enquadramento conceptual aceite internacionalmente.
(…)
Na Escola Secundária Dr. João de Araújo Correia existiam 169 alunos que preenchiam os requisitos solicitados para a intervenção nestes estudos. O Ministério da Educação, através do seu Gabinete de Avaliação Educacional, seleccionou aleatoriamente 40. Estes alunos estão matriculados em turmas do ensino regular do 8.º ao 10.º ano e em turmas de Cursos de Educação e Formação de nível 2 e 3. Alunos e Pais/Encarregados de Educação foram contactados e sensibilizados pela Coordenadora de Escola, professora Teresa Silva Soares, para a importância deste projecto a nível nacional e internacional, já que os alunos seleccionados representam todos os alunos portugueses e é desejável a melhor prestação possível para uma boa classificação de Portugal nas tabelas dos estudos internacionais de proficiência.
A prova de avaliação decorreu dia 27 de Abril, e foi aplicada por um elemento externo à escola, designado pelo Ministério da Educação. Os resultados serão conhecidos em 2010 a nível mundial.

A nossa escola vai participar no Estudo PISA 2009

O teste PISA 2009, na nossa escola, irá realizar-se no dia 18 de Maio de 2009, pelas 9h00.

Vou ter de andar a googlar por aí? Eu não tenho nenhuma teoria da conspiração a defender, já o disse e repito. Apenas acho que a transparência de métodos é o caminho mais directo para o afastamento de suspeições. Em especial se forem infundadas. Porque não nos deixam comparar as escolas envolvidas nos testes, por exemplo, em 2003, 2006 e 2009, se nada há a esconder?

… a leitura dos comentários do enviado especial sindical ao Umbigo neste post, que se denomina Tótó umbiguista e fornece dados identificativos fictícios e navega com filtro para não ser identificado, não se percebe porquê. Mesmo se a técnica é facilmente detectável e quase seja possível adivinhar onde se senta a fazer este trabalho.

A forma sobranceira como se dirige a colegas de profissão que diz representar é notável, assim como o modo como tenta encobrir que o ano de 2010 foi desbaratado por quem colaborou activamente no estado a que isto chegou, graças a um acordo que deixou o Ministério das Finanças (e não o da Educação, com quem os nossos representantes se reúnem com frequência inaudita para os nulos resultados) com o terreno pacificado para avançar como bem entendeu.

Vamos ser sérios por uma vez: não estão em risco 30.000 horários porque a proposta que está na mesa é maximalista nos cortes e existirão recuos, assim como ninguém (ou quase) ainda pareceu perceber que a matriz curricular para o 1º CEB implica que boa parte dos horários lectivos de muitos docentes do 2º CEB venha a ser constituída ou completada (como já acontece com Matemática, por exemplo) no 1º CEB. E nos mega-agrupamentos, a medida poderá ainda atingir os docentes do 3º CEB ou Secundário, pois agora somos quadro de agrupamento e não quadro de escola ou de nível de ensino.

Em vez de gozarem com os colegas a quem depreciativamente chamam tótós, talvez alguns dos nossos iluminados representantes ou dos seus enviados aos blogues para gozar, fizessem bem melhor em esclarecer as coisas como efectivamente são e não a encobri-las com manobras de diversão e petições da treta, pois sabem muito bem que em 2011, mesmo que os cortes sejam menos graves do que parece, só haverá concurso nacional de ingresso para castelhano ou tic, o resto será tudo feito na base da mobilidade.

Deixem-se de tretas, falem a verdade.

Num aspecto são exactamente como o ME: apostam na ignorância ou na deturpação dos factos para atingirem os vossos objectivos tácticos, mesmo que isso signifique enganar as pessoas. Como em Abril de 2010 sobre os resultados da ADD e os concursos. Ou quando disseram que o ME tinha cedido em tudo em relação ao modelo de avaliação, aquele que agora dizem querer suspender. Não há um pingo de vergonha?

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