Sexta-feira, 10 de Dezembro, 2010


Mler Ife Dada, Zuvi Zeva Novi

Debate quinzenal parlamento, a educação
José Sócrates sobre o relatório da OCDE – PISA 2009, o relatório nega o facilitismo e o fatalismo, a educação vai ser um investimento prioritário para 2011. O estudo acompanhado será dedicado à Matemática, Português ou às Ciências, a modalidade de ensino digital e o reforço  dos programas para o sucesso escolar nas escolas de intervenção prioritária.
PSD, apoia e reconhece e sucesso apresentado pelo primeiro ministro
BE, PCP, o sucesso foi obtido apesar das medidas do governo
CDS o ensino privado, contratos de associação
FENPROF, CONFAP lembram que o governo pretendia acabar com o Estudo Acompanhado.
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Recolha, tratamento e anotações, já sabeis de quem…

Agradeço a quem me enviou este pormaior das amostras de alunos que fizeram os testes PISA 2006 e 2009 em Portugal. De um ano para o outro, aumentaram bastante (10%), os que já estão no 10º ano. Podem dizer que é sinal do maior sucesso. Mas também se pode dizer que a selecção da amostra foi mais … sei lá… atenta.

Olá Paulo:

Começo por felicitá-lo pelo trabalho que continua a fazer, na desmontagem  de toda a (des) informação que continuam a querer passar para a opinião pública.
(..)
E, nesta saga de querer “enganar o povinho” (e olhe que penso que conseguem!), esta informação destes dias sobre os resultados do PISA tem-me provocado algumas náuseas, sobretudo pelas causas que apontam para este sucesso “estrondoso”.
Nós estamos na escola, nós sabemos o que os nossos alunos sabem ou deveriam saber e não é qualquer estudo que nos vem provar o contrário (sabe que eu chego a pôr em causa a maneira como foi feita a selecção dos alunos que participaram).
É neste contexto que tomo a liberdade de lhe enviar um excerto de um teste de um aluno meu que frequenta o 10ºano, repito o 10ºano de um curso profissional. Não é um desses documentos que recebemos anónimos por mail, é um aluno meu.
É verdade que não são todos assim, mas são alguns e a situação é muito grave e preocupante. Pergunto: Como foi posssível que um aluno que se exprime assim, chegue ao 10º ano, sem nunca ter reprovado?
Pergunto aos pedagogos, à ministra actual e anterior, quais as estratégias para se lidar com situações destas, quando nos chegam ao 10º ano neste estado?
Algumas informações mais concretas, para que se perceba melhor o contexto:
A turma tem 25 alunos. (10º ano de um Curso profissional). No módulo 1 (textos de carácter autobiográfico e textos de domínio transaccional), 10 alunos não tiveram sucesso no módulo.
Novo teste de recuperação, para “recuperar” os alunos que não obtiveram sucesso. É aí que surge este teste “difícil” . Posso dizer-lhe que dos dez alunos, apenas um conseguiu “recuperar“. Os restantes 9 irão fazendo recuperações e exames até que se cansem ou que cansem o professor.
As respostas do aluno em questão que lhe envio são apenas uma parte do teste – o resto é idêntico ou pior (não envio, para não ser exaustivo). O enunciado segue para se perceber o que é pedido. Repare-se que a questão 4 – a declaração – está praticamente resolvida na questão 1. Era só copiar e alterar alguns dados. Leia-se com atenção o último exercício – a carta ao Presidente da Câmara. Não são apenas os erros ortográficos que estão em causa. É todo o discurso que nem num aluno “normal” do 4º ano,seria justificável.
Acrescento que foram treinados, em sala de aula,  todos os exercícios que constam do teste.
A nível do desempenho na sala de aula, a maioria dos alunos não sabe ler (literalmente), não consegue resolver os exercícios propostos, enfim, fácil de imaginar para quem tem turmas semelhantes.
Esta é a realidade da escola que temos, Paulo. O sucesso dos nossos alunos que já têm o 9º ano (repito, alguns) é este.
Peço desculpa pela extensão do mail e por este desabafo, mas eu que não tenho o hábito de divulgar as falhas dos meus alunos, senti essa necessidade nestes dias em que só ouço falar em sucesso.
Continuação de bom trabalho e, mais uma vez, obrigada por tudo.
Uma leitora diária do Umbigo, mas muito pouco participativa nos comentários.
Abraço
.
F.
Ficam em seguida o cabeçalho da prova, a questão colocada e a resposta:

Recebi umas baterias de materiais novinhos em folha para grelhar docentes, embora com todo o ar de terem sido recuperados do que foi preparado para o ciclo de ADD anterior e que, porventura, não tiveram todo o uso que tinha sido desejado pelos seus autores. Afinal, fico sem perceber o que mudou, o que foi simplificado, o que apodreceu, o que se manteve, o que é mais do mesmo. Confesso, a vidinha venceu a larga maioria. Os tipos sabem-na bem e os outros só querem reuniões para parecer que merecem o lugar.

Que isto vai rebentar, eu sei que vai. o problema é que os rebentamentos vão ser individuais, locais, graduais. A multidão foi serenada e acordar foi adormecer. Agora o torpor que se instalou irá estalar, mas da pior maneira, em virtude das invejas, da mesquinhez, mais do que do desejo de justiça. Infelizmente. O rebentamento foi afastado das ruas, vai ser nas salas de professores. Dá menos nas vistas, transborda menos para os olhares. É letal na mesma, mas é como aquelas minhas à moda antiga. Estropia, mata, mas ao longe, quase ali ao lado, não se nota nata.

Mas desde que à mesa se sentem os do costume, no seu remanso, com águinha na garrafa e sorriso na fivela, tudo escorrerá pelo esgoto sem danos de maior a quem tem posições a defender.

Sócrates acusa oposição de «competir» nos elogios aos professores

«É uma competição um bocadinho ridícula as bancadas entreterem-se a ver quem é que elogia mais os professores», disse o primeiro-ministro, em resposta a Heloísa Apolónia.

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