Quarta-feira, 8 de Dezembro, 2010


Apenas alguns aspectos mais técnicos, disponíveis aqui:

How are countries/economies chosen to participate in PISA?

Countries/economies interested in participating in PISA contact the OECD Secretariat. The PISA Governing Board then approves membership according to certain criteria. Participants must have the technical expertise necessary to administer an international assessment and must be able to meet the full costs of participation. To take part in a cycle of PISA, participants must join two years before the survey takes place. For example, PISA 2012 participants will have joined before March 2010.

Who pays for PISA?

PISA is financed exclusively through direct contributions from the participants’ government authorities, typically Education ministries.

Does PISA tell participants how to run their schools?

No. The data collected by PISA shows the successes of some participants’ schools and the challenges being faced in other countries/economies. It allows countries and economies to compare best practices and to further develop their own improvements, ones appropriate for their school systems.

Por vezes há anomalias nas amostras, mas é raro. Aconteceu com a Áustria em 2000, mas é raro.

Plateias de  23 de Novembro de 1971 e 15 de Abril de 1975. São do Luís Guerreiro, outro alfarrábio-ambulante e não minhas. Enquanto desespero pelo filminho coma vista do José Ruy.

Ou uma razão muito esfarrapada para colocar o vídeo daquela que acho a única concorrente pop à altura da Senhora Gaga, com a vantagem de que canta que se farta, mesmo se é ainda muito teenager

Vídeo original, com incorporação desactivada, aqui.

Está aqui, estive a lê-la e é globalmente fraquinha, limitando-se a sobrepor argumentos antigos aos resultados do PISA 2009 que revelam.

Sócrates é óptimo em política para consumo rápido, mas é muito fraco no resto, em especial na área da Educação. É um excelente jogador de poker na base do bluff, mas se o obrigam a ir a jogo até ao fim, deixa muito a desejar. A sua sorte é que, quase sempre, os seus antagonistas ficam paralisados pelo medo cénico e desistem, parecendo ele um grande vencedor, quando apenas é melhor do que os desistentes ou acordantes que se deixam ir nas suas coreografias.

Mas isso agora não interessa nada e contextualizemos a razão da alegria que parece tomá-lo neste momento e deve ter motivado emocionadas comunicações com a sua protegida na FLAD.

  • Portugal aproximou-se das médias da OCDE nos resultados dos exames PISA. Os ganhos absolutos foram ainda potenciados pela quebra das médias da OCDE na Leitura e Matemática.
  • Os ganhos foram na ordem dos 20 pontos absolutos, o que significa, cerca de 4% de progresso em termos relativos.
  • Estes resultados permitiram-nos ultrapassar alguns países na tabela estando agora (entre 33) nos 21º, 26º e 24º lugares, respectivamente em leitura, Matemática e Ciências.

Estes são os factos. Em minha opinião, são boas notícias. Não excepcionais. Moderadamente boas. Antes estávamos quase no fim da tabela, agora estamos ainda no terço inferior, mas em tendência ascendente.


Depois há as leituras que se fazem destes dados, em especial as que se relacionam com nexos causais, ou seja, subimos porquê? Que factores podemos apresentar como responsáveis pela melhoria?

A explicação de José Sócrates é simples e simplista: os resultados dos alunos nos exames realizados na primeira metade de 2009 foram consequência directa das políticas desenvolvidas pelo seu governo e mais especificamente pelo ministério de Maria de Lurdes Rodrigues. Distorcendo factos, Sócrates afirma que essas políticas foram feitas contra tudo e todos, sem apoios, em especial das elites. Isto não é verdade, em termos objectivos, pois a opinião publicada esteve longamente do lado do Governo até quase ao fim de 2008.

Mas isso é apenas o spin colocado na coisa. Preocupemo-nos mais com as questões propriamente educativas.

De que políticas fala José Sócrates como responsáveis pelo sucesso. nesta entrevista refere-se apenas a duas:

  • As aulas de substituição.
  • A avaliação do desempenho dos professores.

Quanto à primeira, a própria entrevistadora lhe faz imediatamente o reparo que não atingiu os alnos que fizeram estes exames e ele é obrigado a reconhecê-lo. É, portanto, um argumento que não conta.

Quanto à segunda, para levarmos isto a sério, teria de ser possível estabelecer um nexo de causa-efeito entre a avaliação do desempenho dos professores e os resultados dos alunos nos testes PISA e, já agora, que os melhores resultados foram possíveis com alunos dos professores que aderiram à ADD e obtiveram classificações ditas de mérito. Ora… a menos que a cronologia tenha dado uma reviravolta sobre si mesma, os testes PISA foram feitos quando em muitas escolas a avaliação do desempenho nem sequer estava verdadeiramente em funcionamento. Para além disso, não sabemos se os alunos com melhores resultados são de escolas onde a ADD foi implementada a todo o vapor ou de turmas cujos docentes foram avaliados como os melhores entre os seus pares. Mais relevante ainda: é não perceber nada de Educação afirmar que os ganhos obtidos num grupo de alunos, teoricamente seleccionados de forma aleatória, se devem a mudanças feitas em seis meses de trabalho e não, no mínimo, num ciclo de escolaridade. Aos 15 anos, quem não tiver sido preparado devidamente nos anos anteriores em Matemática, por exemplo, não melhora dramaticamente o seu desempenho, só porque o seu professor vai ser avaliado. Mas isso, Sócrates desconhece ou faz por esquecer.

Estou eu a dizer que nada no mandato de MLR tem relação com esta subida nos resultados? Não propriamente. Há certamente algo que tem uma relação. Em minha opinião – e poderão achar que este é um argumento muito soft, mas eu não o excluiria, mesmo que seja dificilmente demonstrável para quem não está no meio – a visibilidade das questões educativas, mesmo a situação conflitual longamente vivida, conscencializou mais todos os envolvidos da importância do seu desempenho e dos resultados (n)destes testes. E acredito que houve um maior esforço. Se houve outras coisas mais, certamente se acabará por saber… ou não… tudo depende…

E tem razões para isso, pois o PM deu uma entrevista exclusiva, em tempo muitíssimo útil ao jornal com o qual, durante muito tempo, manteve forte conflitualidade. Uma espécie de desforra póstuma contra JMFernandes numa área em que o público deu muito espaço às críticas feitas na área da Educação.

Mas não há nenhum problema nisso.

É apenas o normal em política.

Mas o Público também pode estar enganado, em especial na parte do editorial e ao apressar-se na reabilitação de MLRodrigues na última página, ao querer atribuir-lhe e às suas políticas as melhorias de resultados verificadas nos exames PISA 2009.

Por uma razão simples que é estar a associar e forma directa, em termos de causalidade, fenómenos coincidentes no tempo, esquecendo que em educação os resultados de um aluno no primeiro semestre de 2009 não se podem atribuir a uma ADD concluída em Dezembro desse ano ou a um ECD que nem tinha produzido ainda quaisquer efeitos na carreira dos docentes, para além de enorme revolta. Porque os resultados em educação não se constroem em seis meses, mas num percurso escolar de um ou dois ciclos de escolaridade.

Fazer uma associação dessas é o equivalente a dizer que os resultados são consequência da mobilização dos docentes em 2008 contra as políticas educativas e que o seu trabalho melhorou por causa disso.

Ontem, no ranking do WordPress. Sem necessidade do PISA.

E foi mais de um post a dominar, nos dois casos…

 

Não estou com vontade de relativizar os ganhos conseguidos no PISA 2009, mas há argumentações que me deixam com vontade de fazer inclinar o barco todo na outra direcção.

Vamos lá a ver: temos uma das maiores progressões? Ainda bem, porque estávamos muito mal.

Mas isso significa apenas isso.

Eu exemplifico com uma situação concreta vivida ontem.

Entreguei os testes de Dezembro aos meus alunos de 5º ano de LP de uma turma boa, que no teste anterior tinham tido resultados muito bons ou excelentes.

Desta vez, os que subiram de nota foram muito poucos, a maior parte estabilizou ou desceu.

A maior progressão foi da aluna que, paradoxalemnte, teve a pior nota: apenas 38%.

Porquê? Porque no anterior tivera 0%, pois faltara um par de semanas às aulas e não o fez. O seu progresso foi  exactamente de 38 pontos em termos absolutos, mais de 30 acima de qualquer outro aluno. E progrediu mais do que os alunos que tiveram Excelente, mas descendo de 93% para 90%, por exemplo.

Em casa dela podem sempre fazer um Powerpoint a demonstrar que foi a aluna com a maior progressão e que isso se poderá ter ficado a dever ao facto de ter faltado naquelas semanas anteriores.

E lançar foguetes e dar entrevistas aos jornais locais.

Isso não faz dela – ainda – uma boa aluna.

« Página anteriorPágina seguinte »