Não estou com vontade de relativizar os ganhos conseguidos no PISA 2009, mas há argumentações que me deixam com vontade de fazer inclinar o barco todo na outra direcção.

Vamos lá a ver: temos uma das maiores progressões? Ainda bem, porque estávamos muito mal.

Mas isso significa apenas isso.

Eu exemplifico com uma situação concreta vivida ontem.

Entreguei os testes de Dezembro aos meus alunos de 5º ano de LP de uma turma boa, que no teste anterior tinham tido resultados muito bons ou excelentes.

Desta vez, os que subiram de nota foram muito poucos, a maior parte estabilizou ou desceu.

A maior progressão foi da aluna que, paradoxalemnte, teve a pior nota: apenas 38%.

Porquê? Porque no anterior tivera 0%, pois faltara um par de semanas às aulas e não o fez. O seu progresso foi  exactamente de 38 pontos em termos absolutos, mais de 30 acima de qualquer outro aluno. E progrediu mais do que os alunos que tiveram Excelente, mas descendo de 93% para 90%, por exemplo.

Em casa dela podem sempre fazer um Powerpoint a demonstrar que foi a aluna com a maior progressão e que isso se poderá ter ficado a dever ao facto de ter faltado naquelas semanas anteriores.

E lançar foguetes e dar entrevistas aos jornais locais.

Isso não faz dela – ainda – uma boa aluna.