Esta parte é para mim algo problemática porque levanta três questões que me são algo caras: A quantidade sobreleva a qualidade? Afinal, os órgãos de gestão continuam a desresponsabilizar-se de responsabilizar quem devem? Devem os alunos faltar sem limites que não justificações ad hoc?

Leio o que declara Manuel Esperança e fico atónito: pelos vistos ele acha que o critério mais importante para o desempenho de um professor deve ser a assiduidade e que as faltas devem ser mais penalizadas do que são e a revisão do ECD devia ter «ido mais longe».

Mais longe?

Onde?

Para que conste, no ano lectivo passado dei, salvo erro, 4 dias de falta ao abrigo do 102º e mais uns tempos. Será que nas restantes aulas fui mau professor, só por essa razão? Por ter faltado, em média, meio dia por mês? Será melhor professor quem esteve nas aulas em 100% das ocasiões, mesmo que nada de relevante por lá se tenha passado? Não contesto que a excessiva falta de assiduidade, por capricho ou mau profissionalismo, deva ser penalizada, mas todos (ou quase) sabemos quem faz isso e acho de uma enorme falta de coragem aquele(a)s directore(a)s que optam por ser desresponsabilizar por chamar à ordem que assim o faz, com conhecimento geral nas escolas e/ou agrupamentos. Não acho que deva ser por via do ECD, limitando ainda mais a possibilidade de faltar de forma justificada, que os órgãos de gestão se devam eximir a fazer o que é sua responsabilidade.

E muito menos concordo que, na análise ao Estatuto do Aluno, se afirme que os alunos não deveriam ter limite de faltas, bastando «ver-se qual a justificação e ponto final». Não, não pode ser assim. infelizmente. e mais infelizmente, porque Manuel Esperança quer arreata curta nos professores – então não lhe bastaria ver a justificação do professor e ponto final? – enquanto defende o laissez-faire com os alunos.

Pode dizer que os professores devem ser modelares e, por isso mesmo, exigir-se-lhe mais. Concordo. Mas também concordo que se deveria dar-lhes o mesmo benefício da dúvida que aos alunos. Pelo menos. O que não é o caso. Infelizmente, as palavras deste colega Director desgostam-me profundamente. A sua prática até pode ser excelente, mas a sua teoria deixa imenso a desejar em termos de coerência.