Sábado, 4 de Dezembro, 2010


Lou Reed, Walk on the Wild Side

Se há 10 músicas essenciais na vida, esta é uma das primeiras 5. Ou 3. Ou…

Video Eye Aimed at Teachers in 7 School Systems

As part of the project to develop new ways to evaluate teachers, researchers have recruited 3,000 teachers in seven school systems — Dallas; Denver; Charlotte, N.C.; Hillsborough County, Fla.; Memphis; New York; and Pittsburgh — who allowed themselves to be videotaped in their classrooms. (As part of the agreement, only researchers can view the tapes, not school administrators).

Participants include teachers of grades four through nine in regular public schools.

Gastos em consultadoria, 100 milhões de euros, 70% por ajuste directo


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O euro 2004, o mundial 2018, os gastos públicos e o TGV, José Gomes Ferreira, SIC. Há males que vêm por bem.

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Os submarinos, os valores das compra e dos juros.

… aquela forma de se ser patego em qualquer latitude.

Segundo a reportagem da TVI, no pré-escolar e 1º ciclo, metade dos alunos das escolas públicas nos centros urbanos é pobre. Os números dos escalões da Acção Social Escolar.
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Pobreza. As carências alimentares dos alunos na escola Padre Alberto Neto, Rui de Mouro, Sintra.
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Para finalizar temos o que já se esperava: a defesa da contratação individual dos docentes, algo que não me incomoda pessoalmente, mas que não quereria como sistema único num mundo em que as escolas fossem comandadas por pequenos líderes fortes.

Nesse caso, também gostaríamos todos de escolher os nossos alunos e até os nossos colegas de Conselho de Turma, pois como podemos definir objectivos individuais de desempenho, se nos derem turmas e alunos que não conhecêssemos e, se pudessemos, desconheceríamos?

Como poderei ser um ditoso DT se me constituírem um conselho de turma sem ser à medida dos meus gostos, agradável à vista, harmonioso nas medidas, sussurrante no falar, com uma parte residual capaz de discutir futebol à 2ª feira?

Vamos lá ser sérios: mas então as grandes lideranças não se afirmam, entre outros contextos, perante as adversidades? Sabendo mobilizar vontades? Recuperando para a qualidade e para o bom desempenho quem dele anda afastado?

Não é isso que se pede aos professores comuns com os seus alunos?

Porque será que alguns directores desejam tanto ter as mãos livres? Não lhes chegam os mecanismos actualmente disponíveis e que, por acaso, até existiram quase sempre, de fixação de professores (requisições para projectos, destacamentos, etc)? Não lhes chega um plafond de – suponhamos – 30-40% de professores contratados a dedo?

Porque será que querem contratar todos a seu gosto? E se no mandato seguinte forem substituídos? Será tipo líder partidário com grupo parlamentar escolhido pelo antecessor?

E, já agora, culminando tudo, porque não poderão os professores escolher quem os saiba mobilizar e dirigir melhor? Porque deve essa escolha ser feita, ao arrepio da LBSE, por um grande número de pessoas que nem sequer estão na escola?

O que acha sobre isso o colega director Manuel Esperança? Só as lideranças unipessoais de acordo com o 75/2008 são boas? Não será possível existirem excelentes lideranças colegiais eleitas?

Esta parte é para mim algo problemática porque levanta três questões que me são algo caras: A quantidade sobreleva a qualidade? Afinal, os órgãos de gestão continuam a desresponsabilizar-se de responsabilizar quem devem? Devem os alunos faltar sem limites que não justificações ad hoc?

Leio o que declara Manuel Esperança e fico atónito: pelos vistos ele acha que o critério mais importante para o desempenho de um professor deve ser a assiduidade e que as faltas devem ser mais penalizadas do que são e a revisão do ECD devia ter «ido mais longe».

Mais longe?

Onde?

Para que conste, no ano lectivo passado dei, salvo erro, 4 dias de falta ao abrigo do 102º e mais uns tempos. Será que nas restantes aulas fui mau professor, só por essa razão? Por ter faltado, em média, meio dia por mês? Será melhor professor quem esteve nas aulas em 100% das ocasiões, mesmo que nada de relevante por lá se tenha passado? Não contesto que a excessiva falta de assiduidade, por capricho ou mau profissionalismo, deva ser penalizada, mas todos (ou quase) sabemos quem faz isso e acho de uma enorme falta de coragem aquele(a)s directore(a)s que optam por ser desresponsabilizar por chamar à ordem que assim o faz, com conhecimento geral nas escolas e/ou agrupamentos. Não acho que deva ser por via do ECD, limitando ainda mais a possibilidade de faltar de forma justificada, que os órgãos de gestão se devam eximir a fazer o que é sua responsabilidade.

E muito menos concordo que, na análise ao Estatuto do Aluno, se afirme que os alunos não deveriam ter limite de faltas, bastando «ver-se qual a justificação e ponto final». Não, não pode ser assim. infelizmente. e mais infelizmente, porque Manuel Esperança quer arreata curta nos professores – então não lhe bastaria ver a justificação do professor e ponto final? – enquanto defende o laissez-faire com os alunos.

Pode dizer que os professores devem ser modelares e, por isso mesmo, exigir-se-lhe mais. Concordo. Mas também concordo que se deveria dar-lhes o mesmo benefício da dúvida que aos alunos. Pelo menos. O que não é o caso. Infelizmente, as palavras deste colega Director desgostam-me profundamente. A sua prática até pode ser excelente, mas a sua teoria deixa imenso a desejar em termos de coerência.

Vamos lá então por partes:

Primeiro, a questão das aulas de porta aberta.

Por mim a porta está sempre aberta para aluno(a)s que, mesmo não sendo da turma, gostem de passar por lá. Já aqui contei que essa tem sido uma prática habitual em algumas aulas minhas que, por estranho que pareça, surgem como mais atractivas do que ficar pela escola sem outro destino.

Quanto a abri-las a colegas meus (minhas) também não sinto qualquer prurido, embora ache que ele(a)s já se fartam o suficiente de mim, para ainda me quererem ver e ouvir a dar aulas.

Quanto à verdadeira substância daquilo que Manuel Esperança afirma eu diria que até tem em parte razão, se isso significar um verdadeiro trabalho de equipa por parte dos profesores e não inspeçõezinhas feitas com outro tipo de objectivos. E que os visitantes também aceitem ser visitados. E que – essa parte é mais difícil – o(a)s senhore8a)s directore(a)s também condescendam em dar aulas e abrir as suas portas. E, já agora, que não se fechem nas suas Direcções, como acontece em muitas escolas.

Porque uma cultura de trabalho colaborativo exige mais do que um(a) director(a) achar que os avaliadores devem ir ver as aulas dos avaliados. e quem o defende em termos teóricos, normalmente não o encara como uma via com dois sentidos.

Quanto ao aspecto dos avaliadores serem na sua maioria os colegas escolhidos  eleitos para coordenadores de departamento, levanta-me uma dúvida: na Escola Secundária José Gomes Ferreira não houve regime de titulares com restrição do acesso aos cargos de coordenação? Houve eleições para coordenadores ou nomeação? Ou, desde Setembro, os cargos que antes tinham ficado apenas para titulares foram a eleições e mudaram de ocupante?

E depois há um outro aspecto que parece ser esquecido: quem tem perfil para coordenação, nem sempre tem para a avaliação pois são coisas bem diferentes. Mesmo podendo estar ligadas, remetem para perfis com traços diversos e que nem sempre confluem no mesmo indivíduos. Até porque um coordenador pode ter as suas amizades e embirrações, mas é mais complicado se isso se reflectir na avaliação.

Não conheço o actual presidente do Conselho de Escolas. Na altura da eleição disseram-me ser colega muito respeitado e considerado entre os pares – directores – e espero que também entre os pares – professores na sua escola. penso mesmo que me disseram que é dos Directores que optou por dar aulas, mas não confirmei a informação.

Tive Esperança, fazendo o trocadilho.

Lendo a entrevista que hoje vem no Expresso, a principal sensação é de enorme desilusão, pois em metade das 11 respostas diz coisas com que discordo e as quais passarei a analisar com maior detalhe, tema a tema. E não é por dizer coisas que alguns possam considerar pouco corporativas (porque essas posso-as eu dizer em dobro9, é mesmo porque revelam uma visão claramente dúplice de algumas situações, em que só se exige a uns (profesores) enquanto se desresponsabilizam outros (alunos e directores).

Quanto à chamada para destaque da entrevista, que corresponde a algo que é dito desta forma no que está impresso, só posso dizer que se o que Manuel Esperança diz é verdade, então é porque ele como director e os avaliadores da sua escola (e das outras), ao contrário do que ele afirma numa das respostas, são pessoas incompetentes para avaliar. Ou pouco corajosas.

Expresso, 4 de Dezembro de 2010

A achar que tanta ladaínha em torno da perda de Sá Carneiro, o político, é uma das mitologias mais bacocas da vida política nacional, desde as declarações públicos de choro com baba e ranho, até quem nunca dele se consegue esquecer e leva como luminária à frente na sua carreira política?

Até Carvalho da Silva apareceu a fazer um texto semi-envergonhado sobre o homem na Visão. Não há pachorra. Em vida trataram-no como se sabe e em morte foram demasiados os que se apropriaram do seu nome para proveito próprio.

Sá Carneiro é, à direita, uma espécie de José Afonso para a esquerda. Provavelmente os que mais o invocam são aqueles de quem ele descolaria no primeiro momento.

Lamento a perda do homem Sá Carneiro, para mim mais exemplar pela sua coragem ao nível social, mas seria tempo de haver um módico de decoro na sua evocação e aproveitamento.

Confesso que ainda não tinha lido, pelo que fica aqui a denúncia por parte de uma colega mais atenta do que eu:

Caro Paulo,
Creio que já conhece este despacho “fresquíssimo” (eu também já lho mandei hoje).
Não acha que merece um post?
Afecta tantos professores do E.Básico e, sobretudo, do E.Secundário (estes últimos perdem mesmo o pagamento das provas), implicando N coisas novas: formação acreditada, contrato de classificação por 4 anos, relatório crítico final, desempate de classificadores até por avaliação do desempenho…
Fiz este resumo para os meus colegas de departamento e partilho-o consigo.
Cumprimentos,
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A. Sousa
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Resumo do Despacho n.º 18060/2010 de 3 de Dezembro: novidades sobre os professores classificadores de exames…

1 – Numa escola com 4 turmas, por exemplo, haverá que designar apenas dois professores classificadores, mas com 5 turmas três professores classificadores (arredondamento por excesso)… (Nº 2 do Artigo 2.º)

2 – A selecção será feita pelo Director, de entre os professores que, prioritariamente:

a)      Tenham exercido a função de classificador em, pelo menos, três dos últimos cinco anos e estejam a leccionar a disciplina no ano de exame.

b)      Tenham exercido a função de classificador em, pelo menos, três dos últimos cinco anos e tenham leccionado a disciplina no ano de exame em, pelo menos, um dos dois anos lectivos antecedentes ao ano em que decorre o exame.

c)       Tenham exercido a função de classificador em, pelo menos, um dos últimos cinco anos e estejam a leccionar a disciplina no ano de exame.

d)      Nunca tenham exercido a função de professor classificador, mas estejam a leccionar a disciplina no ano de exame e a tenham igualmente leccionado no ano lectivo antecedente.

e)      Nunca tenham exercido a função de professor classificador, mas estejam a leccionar a disciplina no ano de exame. (Nº 1 do Artigo 3.º)

3 – A formalização do processo de designação dos professores classificadores será feita pelo Director, até ao final do mês de Novembro do ano em que decorre o respectivo processo de selecção, através de preenchimento de formulário electrónico, na página do GAVE. (Nº 1 e 2 do Artigo 4.º)

4 – Os professores seleccionados para a bolsa de classificadores estabelecem com o GAVE um acordo de colaboração com a vigência de quatro anos (Nº 3 do Artigo 4.º) não havendo lugar a qualquer remuneração adicional pelo exercício destas funções. (Nº 2 do Artigo 5.º)

5 – O nº máximo de provas será: 60 provas de exame por chamada/fase para cada professor classificador. (Nº 1 do Artigo 5.º)

6 – O professor classificador é dispensado das tarefas não lectivas durante o período em que decorre a classificação. Este período tem início no dia de distribuição, na escola sede do respectivo agrupamento de exames.

(Nº 3 do Artigo 5.º)

7 – Ao professor classificador que, durante o período de classificação das provas, tenha funções lectivas apenas poderá ser atribuído um número máximo de 25 provas de exame por chamada/fase. (Nº 5 do Artigo 5.º)

8 – Se o nº de candidatos que reúnam as condições para integrar a bolsa de professores classificadores do GAVE exceder o número de classificadores necessários para assegurar o processo, aplicam-se os seguintes critérios de selecção/ desempate, pela ordem indicada:

a) Número de anos de experiência de professor classificador;

b) Número de anos de leccionação da disciplina sujeita a exame nacional;

c) Última avaliação do desempenho (menção quantitativa). (Nº 4 do Artigo 6.º)

9 – O professor classificador seleccionado terá de frequentar acções de formação acreditadas em cada um dos anos do período de vigência do acordo a que se refere o n.º 3 do artigo 4.º (4 anos). (Nº 5 do Artigo 6.º) A frequência dos módulos de formação em regime presencial é equiparada a serviço oficial, com dispensa de serviço na escola. (Nº 7 do Artigo 6.º) A avaliação destes formandos é anual e finaliza-se mediante a entrega de um relatório crítico que consubstancie uma apreciação sobre a experiência individual relativa ao exercício da função de classificador, nos termos que vierem a ser definidos pelo GAVE. (Nº 8 do Artigo 6.º) Este relatório crítico deve ser entregue ao GAVE, anualmente, até ao 10.º dia útil do mês de Setembro, usufruindo o professor classificador, para este efeito, de dispensa das tarefas não lectivas por um período máximo de três dias. (Nº 9 do Artigo 6.º)

10 – O início do processo de constituição de bolsas de classificadores obedece à seguinte calendarização:

a) Ano lectivo de 2010-2011 — professores classificadores dos exames nacionais do ensino secundário.

b) Ano lectivo de 2012-2013 — professores classificadores dos exames nacionais do ensino básico. (Artigo 8.º)

Março de 1986