No Público de hoje vem um muito interessante artigo de Joaquim Azevedo (espero digitalizá-lo mais logo) sobre a imensa injustiça que se está a abater sobre as escolas privadas com contrato de associação com o Estado.

O artigo contém várias ideias muito interessantes e outras demasiado reactivas e a quente, da mesma forma que outros reagiram a quente quando foram atacados igualmente «do nada, de repente, sem negociação prévia, o que seria uma obrigação óbvia, uma vez que uma das partes de um contrato decide, profunda e unilateralmente, alterá-lo».

Claro que dói de forma selectiva e a cada parte quando lhe toca. Agora toca a quem até ao momento tinha escapado aos problemas. Lamento que assim seja.

Mas há uma ideia que acho interessante, desde que concretizada com parceiros fiáveis e credíveis, que não é o caso do actual Governo:

Todas as escolas, mesmo as estatais, deveriam funcionar sob contrato, com regras claras, autonomia e liberdade.

Esta fórmula tem imensas potencialidades num contexto social, político e cultural onde as lideranças não levam a maior parte do tempo a apagar o rasto do seu passado, exactamente por falta de regras claras.

Eu seria um dos primeiros a defender este modelo, se muitas escolas não se tivessem tornado pequenos feudos pessoais, autocráticos, onde a liberdade e autonomia seriam apanágio apenas de uma pessoa, apoiada eventualmente numa restrita clique e com o compadrio aberto das estruturas intermédias do ME.

Esta fórmula defendida por Joaquim Azevedo é ou foi uma fórmula de sucesso naqueles países onde a sociedade e os indivíduos desenvolveram um sentido ético não renovável semanalmente pela confissão e hóstia, pela subserviência ao cacique local ou líder nacional do momento, ou pela comparência na reunião da concelhia, com o cartãozinho na mão.

Joaquim está coberto de razão mas, antes de aplicarmos fórmulas e contratos, há que olhar com que os estamos a fazer. O projecto pode estar maravilhosamente concebido, mas se o empreiteiro for um charlatão, de nada adianta.

E neste momento estamos entregues a charlatães.