• Do lado dos sindicatos um enorme e estrondoso sucesso com uma adesão de 3 milhões de trabalhadores e a paralisia do país.
  • Do lado do Governo um balanço vago, com níveis baixos no cômputo da administração pública e praticamente inexistentes no privado.

Estas visões são, como é habitual complementares. Os sindicatos contabilizam estruturas paradas e contam como grevistas todos os seus elementos, enquanto o governo vai em busca do número de presentes e ausentes nos locais de trabalho e conta como não-grevistas quem trabalha em regime de serviços mínimos.

O que é evidente: impacto forte em Lisboa e Porto e nos sectores dos transportes públicos, Saúde, Justiça e Educação, julgo que por esta ordem. Em termos de impacto simbólico e psicológico na população não me parece ter conseguido um choque sensível. Na classe política ainda menos, sendo notória a ausência de reacções de demasiada gente no prime-time noticioso. Nesta matéria tirando o previsível Francisco Lopes, só Fernando Nobre se manifestou de forma clara, ao aparecer de manhã na Autoeuropa. Alegre, preso de movimentos, parece que acordou com um tuíte e Cavaco Silva fez como nada se passasse, pois o OE é, em alargada medida, obra sua.

Agora resta analisar o que vem a seguir, o que mudará (se mudar) nos próximos tempos, sabendo-se que parte do OE na especialidade já foi votada ontem e sexta-feira não se adivinha qualquer volte-face de última hora.

Qual o caminho?

  • Desdobrar a greve geral em greves sectoriais fortes, invertendo a lógica normal de build-up?
  • Apostar fortemente na contestação jurídica às medidas mais vulneráveis, e gravosas para quem trabalha em funções públicas mas não só, deste OE?

Os sinais vindos do Parlamento são algo confusos, com alinhamentos de conveniência à medida das circunstâncias, apenas se percebendo que o PSD se abstém em quase tudo e o PS consegue fazer passar tudo o que mais lhe interessa à custa disso ou do apoio ocasional de um companheiro de estrada.

Para alguns este dia foi de picar o ponto em matéria de luta.

Na minha opinião, a verdadeira luta quase não começou…