Quarta-feira, 24 de Novembro, 2010


David Bowie, Loving the Alien

O Benfica levou três daquela equipa que era para ficar em último lugar do grupo com tantos pontos quantos o Sporting costumava ter quando ia à Champions.

Amanhã a greve teria 120% de adesão, pois a população activa não chega a 5 milhões.

Jorge Lacão explica as excepções aos cortes de salários nas empresas públicas, especificidades e adaptações.
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Só falta o Vital Moreira passar um verniz juridiquês por cima.

Por vezes… de onde menos se espera…

Demagogia e prepotência

O país está em crise e, em seu nome, pedem-se sacrifícios aos portugueses. Todos se esforçam por entender este facto, mesmo os que sentem que em nada contribuíram para a atual situação, nem sequer com o seu voto neste Governo. A necessária compreensão passa, no entanto, pela consciência de que o que se pede aos cidadãos é distribuído proporcionalmente por todos e, por isso, as medidas têm de ser transparentes.

Não é o que está a acontecer.

Sob o pretexto da igualdade de sacrifícios, o Governo ‘dispara’ medidas que criam profundas desigualdades e injustiças relativas: abrindo exceções que as tornam arbitrárias, estabelecendo limites aos rendimentos de forma puramente demagógica ou interferindo nas decisões das empresas.

Reduzir rendimentos legitimamente auferidos, como é o caso de salários e pensões, corresponde a tributar esses rendimentos com uma taxa elevadíssima que não existe no nosso sistema fiscal. É uma medida prepotente que só se aplica a alguns e que é irracional porque não ajuda o problema orçamental e agrava a situação económica.

Paira no ar um ambiente de ‘PREC’ que recorda um “caminho para a igualdade” dos baixos rendimentos e os respetivos efeitos perversos no crescimento do país.

Reincidir é não ter memória e isso não tem perdão.

Cheguei lá a partir do Reitor… embora tenha comprado o Exppresso…

  • Do lado dos sindicatos um enorme e estrondoso sucesso com uma adesão de 3 milhões de trabalhadores e a paralisia do país.
  • Do lado do Governo um balanço vago, com níveis baixos no cômputo da administração pública e praticamente inexistentes no privado.

Estas visões são, como é habitual complementares. Os sindicatos contabilizam estruturas paradas e contam como grevistas todos os seus elementos, enquanto o governo vai em busca do número de presentes e ausentes nos locais de trabalho e conta como não-grevistas quem trabalha em regime de serviços mínimos.

O que é evidente: impacto forte em Lisboa e Porto e nos sectores dos transportes públicos, Saúde, Justiça e Educação, julgo que por esta ordem. Em termos de impacto simbólico e psicológico na população não me parece ter conseguido um choque sensível. Na classe política ainda menos, sendo notória a ausência de reacções de demasiada gente no prime-time noticioso. Nesta matéria tirando o previsível Francisco Lopes, só Fernando Nobre se manifestou de forma clara, ao aparecer de manhã na Autoeuropa. Alegre, preso de movimentos, parece que acordou com um tuíte e Cavaco Silva fez como nada se passasse, pois o OE é, em alargada medida, obra sua.

Agora resta analisar o que vem a seguir, o que mudará (se mudar) nos próximos tempos, sabendo-se que parte do OE na especialidade já foi votada ontem e sexta-feira não se adivinha qualquer volte-face de última hora.

Qual o caminho?

  • Desdobrar a greve geral em greves sectoriais fortes, invertendo a lógica normal de build-up?
  • Apostar fortemente na contestação jurídica às medidas mais vulneráveis, e gravosas para quem trabalha em funções públicas mas não só, deste OE?

Os sinais vindos do Parlamento são algo confusos, com alinhamentos de conveniência à medida das circunstâncias, apenas se percebendo que o PSD se abstém em quase tudo e o PS consegue fazer passar tudo o que mais lhe interessa à custa disso ou do apoio ocasional de um companheiro de estrada.

Para alguns este dia foi de picar o ponto em matéria de luta.

Na minha opinião, a verdadeira luta quase não começou…

… repito que se acabarão por entalar os tansos que aguentaram a contestação anos a fio. Primeiro foram os juízes e procuradores do MP a mexerem-se, depois os funcionários do Parlamento, agora as empresas com capitais públicos. Nada contra essas conquistas, no que até se pode considerar uma forma hábil do Governo tentar neutralizar a insatisfação em alguns sectores cruciais. Mas nota-se que, de novo (relembremos que o congelamento anterior não atingiu os cargos directivos da AP), serão os mesmos de sempre a ser cortados, a menos que se mexam de forma menos previsível.

Eu sei que o secretário de Estado Castilho dos Santos não é das figuras mais atractivas, mas era escusado que nenhum dos canais televisivos, depois de ouvirem uma declaração da ministra do Trabalho, seguissem a apresentação dos dados sobre a adesão à greve na administração pública.

Nem que fosse como fait-divers, poderiam ter deixado uns minutos de antena ao homem.

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