O Boletim dos Professores

Todos os meses chega a cada escola um monte da revista o “Boletim dos Professores”. Todos os meses é colocada na Sala dos Professores da escola onde lecciono cerca de 150 exemplares dessa revista, endereçados a cada um dos docentes. Ali ficam durante um mês, até serem recolhidos e enviados para o lixo, ou para a reciclagem, que é um destino mais aceitável; e logo são substituídos por outros exemplares, relativos à edição do novo mês.

Os diferentes exemplares vão passando ao longo de meses e de anos, em montes que se renovam quase sem que ninguém se aperceba disso, apesar de colocados sobre um móvel à vista de todos. Raramente alguém lhes toca e muito mais raramente alguém procura aquele que lhe é endereçado pessoalmente e o recolhe.

O boletim é uma publicação do Ministério da Educação para propaganda sua, onde uma imensa maioria dos professores, como sabemos, não se revê; daí a indiferença que lhe demonstram. Perante isto, o próprio título é perverso e até ofensivo, dado que tal publicação não dá espaço para que os professores exponham as suas ideias e os seus descontentamentos. Resumindo, é uma farsa.

Há dias decidi pegar num, folheá-lo, ler os títulos e ver as imagens. Olhei para a ficha técnica e vi que deste boletim, com 16 páginas impressas a cores em papel reciclado, são feitos 160 mil exemplares por cada número (a edição de Setembro tinha um destacável de 12 páginas). Então, pus-me a fazer contas umas contas simples…

Se cada exemplar sair a 50 cêntimos, entre impressão, distribuição e pagamento a quem nele trabalha, isso quer dizer que se deitam fora todos os meses 80 mil euros. Ora veja-se quantos ordenados de professores, de administrativos ou de auxiliares correspondem a esse valor! Mas mesmo que o valor seja metade do referido, continua a ser muito dinheiro.

Tendo agora também em conta os actuais tempos de crise é, no mínimo, sensato que se termine de imediato com tão inútil publicação, canalizando esse dinheiro, por exemplo, para pagamentos a auxiliares de acção educativa, que tanta falta fazem às escolas.

António Galrinho

Professor