… em especial a parte destacada:

Prós e contras de uma greve

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Apesar de, em termos genéricos, a adesão às greves “tenha vindo a declinar”, António Dornelas diz-se curioso para ver se o mesmo “também se confirma numa greve geral”, convocada pelas duas centrais sindicais, a primeira desde 1988.

Quanto aos baixo grau de participação dos portugueses em acções colectivas de protesto, Dornelas invoca, como uma das razões, o paradoxo da acção colectiva, desenvolvido pelo cientista social americano Mancur Olson (1971): mesmo que todos os indivíduos de um determinado grupo sejam racionais e estejam concentrados nos seus próprios interesses, mesmo que todos saiam a ganhar, atingindo os seus objectivos comuns, se agirem em grupo, ainda assim eles não vão agir voluntariamente para promover esses interesses comuns e grupais.

“Ou sejam, o mais inteligente é não fazer greve, mas fazendo com que os outros a façam. O que significa que, se cada um dos indivíduos tomar este decisão racional, não há greve”, especifica António Dornelas.

Jorge Vala acrescenta a questão da ausência de eficácia política. “A adesão a uma greve tem custos muito grandes. O trabalhador perde a remuneração correspondente a esse dia e sente que a eficácia política da sua acção é reduzida. Há um sentimento de que não consegue influenciar/mudar a acção política”, afirma.

Este é, porém, um princípio geral. “Em grupos profissionais mais politizados, com maior compreensão sobre o funcionamento do mundo político e em que há uma experiência positiva do resultado na acção política, a mobilização tende a ser maior”, refere o mesmo investigador. “Veja-se o caso dos professores”.