Alexandre Homem Cristo gosta de escrever sobre Educação com alguma regularidade. Com quase tanta regularidade mistura tremendismo com ignorância, mas daquela ignorância douta, muito ensimesmada, dona da sua verdade e incapaz de perceber que nem tudo o que lhe aparece aos olhos como apocalíptico assim o é.

Sobre o relatório das provas de aferição e a eventual opacidade do conhecimento dos resultados pelos encarregados de educação, escreve o seguinte:

I. Os dados relativos a cada escola não são públicos, e são disponibilizados apenas à própria escola. Isto significa que os pais não têm acesso a essa informação, não podendo portanto avaliar e escolher uma escola melhor adequada às necessidades educativas dos seus filhos.

II. Os pais nunca saberão se os professores dos seus filhos seguem as sugestões, até porque não conhecerão os resultados relativos à sua escola num enquadramento nacional, nem da turma dos seus filhos comparada com as restantes do mesmo ano escolar na mesma escola. Os professores não são responsabilizados pelo desempenho escolar dos alunos, razão pela qual é indiferente para a sua avaliação profissional se seguem a sugestão do relatório e mudam a sua estratégia pedagógica.

III. Não havendo informação pública relativa às escolas e aos professores, ninguém é responsabilizável pelos resultados.

Desmontemos as coisas, ultrapassando o histrionismo da escrita crística:

  • I. A informação disponibilizada às escolas em forma de relatório deve (do verbo dever mesmo e poder) passar pelo Conselho Geral onde estão representados os Encarregados de Educação, que podem solicitar a sua publicitação. Muitas escolas colocam online os resultados das provas de aferição, até ao nível individual. Aliás, há mesmo as que as afixam para consulta pública. Alexandre Homem Cristo não sabe, mas dispara(ta)r em direcção aos horizontes visíveis da sua animosa estimação.
  • II. Os pais só não sabem essas informações se as não solicitarem aos directores de turma ou até aos professores de Língua Portuguesa. Como professor de LP e DT, já fiz relatórios detalhados sobre a avaliação dos alunos que ficaram disponíveis e foram entregues aos EE. Não me considerando um ET, considero que não faço uma prática isolada. Como delegado da disciplina de LP faço anualmente relatórios sobre os resultados das provas de aferição que são levados a Conselho Pedagógico. Nesses relatórios é habitual seguirem sugestões sobre o trabalho a desenvolver para melhorar as áreas fracas detectadas. Esses relatórios podem ser consultados pelos elementos do Conselho Geral ou por quem os solicite, pois circulam por todos os professores de LP. Alexandre Homem Cristo não é obrigado a saber isso. Mas pode generalizar acusações sem sustentação que não a sua impressão sobre o assunto.
  • Dos pontos I e II resssalta o disparate evidente do ponto III, a menos que por responsabilização, AHC entenda a necessita de fustigar publicamente os docentes cujas turmas tenham piores resultados.

Por fim, da prosa de AHC ressalta que os encarregados de educação apenas têm o direito de saber o desempenho dos filhos – decorrentes unicamente pelo trabalho dos professores – e não têm quaisquer deveres de acompanhamento dos seus educandos ao longo do período de preparação para as provas de aferição.

É uma forma de ver as coisas.

Vesga, porque parcial, lacunar e com falta de fundamento factual.