Domingo, 14 de Novembro, 2010


Suzanne Vega, The Queen and the Soldier e The World Before Columbus

Out in the distance her order was heard
And the soldier was killed, still waiting for her word
And while the queen went on strangeling in the solitude she preferred
The battle continued on

Sexo é única actividade em que estamos realmente concentrados

Estudo da Universidade de Harvard mostra que as pessoas passam metade do tempo a imaginar que fazem outra coisa em vez da que estão a fazer.

Já quanto à notícia, muito haveria a dizer sobre quem e quando está a imaginar o que quereria fazer… Mas isto é um blogue familiar (pelo menos no tamanho…).

Porque dão mais uso à carne? Agora fiquei em desvinculação coiso e tal.

Estudo: Viciados em SMS usam mais drogas e fazem mais sexo

Os jovens que mandam mais de 120 mensagens de texto através de telemóvel por dia são mais propícios envolverem-se com drogas, álcool e sexo do que aqueles que não usam as SMS com frequência, de acordo com um estudo da faculdade de Medicina Case Western Reserve University, em Ohio, nos Estados Unidos.

A questão é: a mais de 120 sms por dia, que tempo sobra para o resto? O sexo é do tipo anti-tetânico, desculpem, anti-tântrico?

Já percebem porque é necessário ser selectivo nas companhias?

Confederação de Pais subscreve manifesto da FENPROF contra cortes orçamentais

A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) decidiu hoje subscrever o manifesto de contestação aos cortes orçamentais na educação lançado pela FENPROF, revelou o seu presidente, Albino Almeida.

Já agora… será que ele vai fazer greve? Ou esse dia não é de consultoria?

Uma coisa se diga em abono da verdade: Marcelo Rebelo de Sousa justifica as suas mudanças de posição com uma ligeireza cativante. Há pouco, na TVI acabou de considerar obviamente inconstitucional uma redução salarial da função pública permanente que não seja meramente conjuntural, para combater os efeitos da crise.

Afinal, a semana passada disse o que disse porque não teria reparado que o ministro Teixeira dos Santos afirmara que essa redução era para ficar e não apenas paliativo extraordinário para o défice.

Ora… como se sabe, ninguém ouviu falar em redução temporária. O que foi dito é que, em Janeiro de 2012, se negociariam aumentos sobre os salários agora amputados e não a sua reposição.

Não sei bem… Acho que sim… A leitura deste livro foi aquilo que agora se designa como uma experiência impressiva. Não me lembro bem onde é que o encontrei, se na biblioteca da Gulbenkian da minha vilória, se na da escola, se algures. em casa, sei que não foi, porque o demorei a reencontrar (e comprar).

Só sei que o li por volta dos 15-16 anos e gostei muito, nem sequer eu ainda sabia fazer localizações ideológicas do autor, nem me apercebi logo que a obra já na altura tinha mais de 40 anos.

Mas a citação de abertura, do luso-descendente Spinoza, pode ter algo a ver com isso:

Curavi humas actiones, non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere, que traduzido deu Interessam-me os actos humanos, não para rir-me deles, nem para deplorá-los, nem sequer para os detestar, mas simplesmente para compreendê-los.

Em tempos o Reitor disse que eu não me conseguia libertar do meu caldo ideológico. Será que esta foi uma das maiores colheradas?

Por entre as arrumações da tarde, lá encontrei a The Atlantic de Dezembro de 2008 que tem uma notável entrevista de James Fallows a Gao Xiqing, o responsável pela gestão dos créditos da China sobre as nações estrangeiras.

A entrevista é, a vários níveis, muito esclarecedora:

“Be Nice to the Countries That Lend You Money”

(c) Plantu

Still crazy after all these yields

Ireland’s plan for a brutal fiscal adjustment has done nothing to appease panicky bond markets. Portugal is also in their sights

IN 2008 a strike by French and Spanish lorry drivers cut off the supply of components from Germany to Volkswagen’s Auto Europa plant, south of Lisbon, forcing the factory to close for a day. Two years on there is a more serious threat to the supply lines of countries on the fringes of the euro zone. The yield on Ireland’s ten-year government bond vaulted towards 9% on November 10th, 6.2 percentage points above the yield on safe German Bunds (see chart); Portugal’s topped 7%.

(Continua…)

Scholar of Revolution In Berlin

‘I’m Not Fomenting Revolution, I’m Studying It’

The Bolshevik Revolution of 1917 in Russia remains rich soil for today’s left-wing revolutionaries. Hundreds flocked to hear acclaimed US historian Alexander Rabinowitch discuss his latest work in Berlin recently. But the scholar is anxious not to be mistaken for a political figure.

Student protests planned on a national scale on 24 November

Proposals drawn up for national day of direct action as head of lecturers’ union at Goldsmiths, London praises students’ actions.

Les données publiques s’ouvrent peu à peu

Là, là, c’est ma maison : on peut zoomer ?” Dans le quartier situé au sud de la gare de rennes, un groupe de personnes âgées se presse autour d’un grand écran tactile, fixé sur le mur d’un espace de débat temporaire installé en face de la station de métro. Sur l’écran, une carte en trois dimensions du quartier. Après un temps d’hésitation, une dame glisse ses doigts sur l’écran, pour le recentrer sur sa maison. Un clic, et l’écran change d’époque pour afficher la même vue, du même quartier, mais en 1950. Petits cris de surprise chez les spectateurs, qui se lancent dans une discussion sur l’évolution du quartier depuis l’après-guerre.

Hugues Aubin, chargé de mission aux technologies de l’information et de la communication, observe la scène avec un sourire de satisfaction. “Avec ces supports tactiles, on arrive beaucoup mieux à accrocher les seniors sur le numérique”, commente-t-il. Des prototypes et des expérimentations sur le numérique, Rennes en a lancé un grand nombre ces dernières années, basées sur deux concepts : les nouvelles interfaces, et l’ouverture des données publiques.

Les “données publiques”, ce sont toutes les informations rassemblées, créées, conservées ou éditées par les administrations, les services publics… Et qui sont aujourd’hui plus ou moins facilement accessibles au grand public. Sur le principe, le gouvernement et les services de l’Etat se disent favorables à une plus large diffusion de ces données (statistiques, démographiques, géographiques…) sur le modèle des outils mis en place dans les pays anglo-saxons. La révision générale des politiques publiques de 2010 prévoit notamment la création, d’ici juin 2011, d’un équivalent français au data.gov.uk britannique, où sont publiés des milliers de fichiers fournis par les administrations.

Mais en pratique, les données publiques accessibles aujourd’hui le sont le plus souvent grâce à des initiatives locales : des villes comme Montpellier, Lille, Bordeaux ou encore Brest ont lancé des programmes de publication des données en leur possession. Paris a également voté une résolution sur la publication des données publiques, après une passe d’arme sur les modalités d’accès aux données (gratuit ou payant, réutilisation possible ou non…).

(Continua…)

… e volto mais tarde. No entretanto, ficam umas músicas fofinhas

The Cinematic Orchestra, Reel Life

Anni b Sweet, Take on Me

Travis, Closer

Estive a ler o livro de David Justino para o que espero ser um debate sério, no dia 26, acerca das ideias que nele existem sobre as origens, causas, características e eventuais soluções para a situação da Educação em Portugal.

Como seria de esperar há uma boa parte com que concordo (em especial no diagnóstico) e outras em entro em divergência (parte do que se consideram ser soluções adequadas).

Mas isso não é assunto para aqui e agora.

Vou-me ficar apenas por uma passagem, já perto do final (pp. 123-124), que aborda algo que agora tem relevância:

Nos últimos anos, assistimos a um fenómeno relativamente novo que merece uma atenção especial. Falamos do que ficou conhecido por «movimento de professores», que assumiu proporções até então nunca conhecidas. Nascido da contestação ao novo modelo de avaliação de professores e ao estatuto da carreira docente, este movimento ganhou expressão pública e demonstrou uma capacidade de mobilização que surpreendeu as próprias organizações sindicais, que em certos momentos foram claramente ultrapassadas. Para isso muito contribuiu o recurso generalizado Às novas tecnologias de informação e comunicação, com os blogues e as mensagens electrónicas a estruturarem autênticas redes sociais e informação, debate e mobilização, como nunca tinha acontecido. Foi claramente o primeiro movimento social da era da Internet a ter uma projecção nacional e a alterar a lógica tradicional do conflito entre órgãos de poder e um corpo profissional.

Este facto poderá representar o início de uma nova fase no debate sobre a educação. Passados os momentos mais conturbados e de radicalização de posições, essas redes continuam activas, ficando por saber como é que esse recurso irá ser utilizado em situações futuras. A despeito da inorganicidade do movimento, há laços que se estabeleceram, solidariedades que se desenvolveram, novos intérpretes deste longo debate que se evidenciaram. Neste particular domínio, nada voltará a ser como dantes.

Ao ler isto tive a estranha sensação de alguém ter escrito exactamente o que pensava até há não muito tempo.

Neste momento, em especial pela observação do que decorreu durante 2010, tenho uma visão menos optimista do potencial futuro das sementes lançadas.

Por várias razões, de que explicito aqui apenas duas:

  • Desde que a actual equipa do ME tomou posse deu-se uma convergência objectiva de vontades para eliminar o que um actual secretário de Estado considerou o ruído dos blogues e outras redes de discussão exteriores aos canais tradicionais. Nesse esforço por esvaziar as vias alternativas de debate e de circulação da informação (há que ter sempre presente o que Alexandre Ventura declarou ao Expresso enquanto presidente do CCAP sobre o que teria falhado no modelo anterior de ADD), houve a colaboração activa por parte dos sindicatos, pelo menos de parte deles ou – se não quisermos ocultar as coisas – da Fenprof, que viu a oportunidade de novamente dominar de forma quase monopolista o diálogo com o ME e a canalização da representação dos professores à desejada mesa das negociações. Nesse contexto, até as organizações-satélite do ME (CCAP e Conselho de Escolas) foram subalternizadas. Os primeiros meses de 2010 escorreram, enquanto os actores institucionais preferenciais faziam os possíveis por esvaziar o papel das vozes alternativas, reforçando o controle sobre a informação disponível ou aliciando de um modo ou outro alguns dos ruidosos. Algo começou a falhar nesta estratégia quando se percebeu que – afinal – esses mesmos actores não passavam de marionetas controladas de cima, não tendo a equipa do ME qualquer liberdade para decidir fosse o que fosse, ao mesmo tempo que se percebia que a multiplicidade de promessas de amanhãs ridentes ,por parte da Fenprof na primeira parte do ano não, tinham qualquer correspondência na realidade. Os contratados, o elo mais fraco disto tudo, foram os primeiros a perceber na pele a desilusão. Por outro lado, a própria comunicação social – uma parte cada vez mais alargada – foi-se apercebendo do embuste e da (falta de) credibilidade de quem se queria protagonista único do discurso.
  • Do lado dos alternativos, o amadorismo da forma de organização, a dedicação à causa por ideais sem estruturas de apoio formais, a acumulação de um novo papel quase público à sua actividade profissional nas escolas, assim como um evidente confronto de egos num espaço apertado, levou à instalação de um evidente cansaço e erosão da energia, fazendo com que a terceira frente neste conflito fosse apresentando as suas limitações e divergências na fase crucial de passagem da crítica anti-quase tudo para a da construção de algo alternativo. Os movimentos de professores formados de modo mais institucional ou formal foram-se esvaziando depois de Novembro de 2008, indecisos quanto ao rumo a tomar: ceder ao esvaziamento ou ensaiar algo novo, mesmo que algo decalcado de iniciativas já conhecidas? A APEDE optou por esta segunda hipótese, apresentando um manifesto por um movimento social novo, numa espécie de lógica frentista alternativa. O MUP volatilizou-se, o PROmova enquistou-se e apenas o MEP, até pelas suas ligações e estrutura, foi o único que conseguiu lançar de forma periódica algumas iniciativas com impacto público. Na área da blogosfera mais activa nos últimos anos – em especial a mais individualista, na qual me integro – verificou-se algum exacerbamento dos conflitos pessoais, com cada um a ser obrigado a revelar de modo mais claro o seu caminho e de que modo não é convergente em tempos de forçada acalmia. Uns realinharam-se ainda mais com os sindicatos ou com certas forças partidárias em aparente ascensão, enquanto outros sublinharam cada vez mais o seu individualismo, mesmo se formando uma espécie de rede comunicante sem qualquer programa comum ou combinação prévia. Podia escrever aqui o nome dos blogues de cada um dos grupos, mas tenho a minha conta de quezílias e cada um sabe perfeitamente ao que anda e todos os que por aqui (e lá) passam sabem bem do que falo (esta é a minha faceta Octávio Machado, nem de propósito morador neste mesmo concelho). Isto serve apenas para dizer que a útil e conveniente unidade de outrora se fragmentou e a cartografia da blogosfera, dita docente, se redefiniu de um modo bastante assinalável, tornando mais claro o papel de cada um mas, ao mesmo tempo, traçando fronteiras pessoais e posicionais.

É este um diagnóstico derrotista ou desiludido? Será que tudo vai ser como dantes (pré-2005) ou será que há potencial para que nada a ser como antes?

Pela parte que me toca, há evidente desilusão mas também uma certeza: enquanto não nos matarem de morte matada, o ruído continuará.

Ahhh… ia-me esquecendo de algo estrutural: não evitarei dizer o que penso, mesmo se isso implica desagradar a quem acha que a unidade se forma no abafar das divergências (isso sempre foi o pecado que apontámos a outros). Mas com duas condições: um mínimo de respeito pelos interlocutores e de hipérboles tremendistas no discurso e  coerência entre o que digo em público e em privado.

A inutilidade das manifestações… organizadas. Ângelo Correia e Medina Carreira falam sobre a inutilidade das manifestações organizadas e ordeiras.
.
Sobre o mesmo assunto ler este post e respectivos comentários, do 5dias:

A Greve Geral de dia 24 e as “Manifestações Gerais” de 24 (uma questão, várias questões)

O que tudo isto revela, para além de ser muito útil um debate nesta matéria, é uma disputa sobre a posse da contestação, sobre quem marca os seus termos, segundo que códigos é feita.

Claro que a maior parte dos envolvidos fez a mesma escola de contestação, sendo que o PCP quer mostrar-se mais responsável e o BE mais jovem. Os outros vão a reboque e não têm grande voto nessa matéria. Nem têm grande escola

O que não é discutido e que Medina Carreira e Ângelo Correia abordam é a eficácia da contestação organizada nos termos habituais. Não é que os dois sejam defensores da contestação anárquica mas, com o tempo que viveram e até pelo seu posicionamento político, apresentam alguma lucidez na abordagem de um problema essencial que outros evitam.

1982

(belos silicones… para a época… a esta altura já estarão nos tornozelos… sorry…)