Sábado, 13 de Novembro, 2010


Não se assustem com a  anfitriã, porque é coisa só de uns 15 segundos…

Lloyd Cole, So You’d Like to Save the World

So you’d like to save the world
I suggest you take one person at a time
And start with me

Porteiro de uma escola acusado de vender droga a alunos (é a força dos mercados!!!). Escola de Grijó, Gaia.
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Aluno sofre queimaduras graves numa aula de jardinagem (o quê???), Escola Secundária de Esmoriz.
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Câmara de Santa Maria da Feira organiza e promove troca de livros.
Recolha, tratamento e comentário do Calimero Sousa, com ligeira adulteração minha…

Ainda o financiamento do ensino privado pelo estado

… caso ele se aventure a passar por aqui que é um espaço excêntrico em relação à blogosfera de bem.

A obra é de 1941, dez anos antes d’As Origem do Totalitarismo de Arendt. A autoria é nacional e a edição também, visada pelos pressurosos serviços censórios do autoritário-a-meio-caminho-da-democracia-liberal Salazar.

A página é a 223:

TOTALITÁRIOS, ESTADOS. Estados em que a influência e o poder do Estado dominam tôda a actividade da nação. A Alemanha nacionalista, a Itália fascista e a U.R.S.S. comunista realizam tipos diversos de Estados totalitários.

Em tempos que já lá vão, quase vinte anos, ousei citar Ernst Nolte nas aulas de um seminário de mestrado em que qualquer leitura menos ortodoxa do que fascismo=nazismo equivalia a penar as penas do Inferno e a ser anatemizado para a vida (mas eu sou algo felino…).

Mas daí ao relativismo blasé de Miguel Morgado de considerar o autoritarismo de Salazar, Franco e Horthy como um meio caminho entre o totalitarismo e as democracias liberais vai um enorme passo. Isso e dizer que o autoritarismo só como a ser visto de forma mais depreciativa com a queda do fascismo italiano.

É que eu até tinha começado por ler o livrinho com entusiasmo, por ser tema pouco tratado entre nós como deve ser, mas fiquei tipo disco riscado na página 11:

Com a introdução na terminologia científica do termo totalitarismo para designar as terríveis experiências do nacional-socialismo e do comunismo, o autoritarismo foi de certo modo reabilitado para descrever os regimes políticos que, por assim dizer, estavam a meio caminho entre, por um lado, o governo totalitário no seu abismo ideológico, propagandístico, terrorista, radicalmente revolucionário, e a democracia liberal, constitucional, por outro.

Isto pode ser giro para uma conversa em tertúlia iluminada mas, com o resto que vai escrito em redor, contém demasiadas imprecisões que estão longe de ser do domínio da doxa. Agora é um problema, porque a leitura já vai completamente contaminada daqui em diante…

Na RTP1 esteve agora a passar uma peça sobre os preparativos das forças de segurança para enfrentar uma eventual manifestação daqueles que são conhecidos como black block.

Nas imagens, um gripo completamente descoordenado de polícias investe contra um pequeno grupo de pretensos manifestantes.

O espectáculo é deprimente.

No final, um responsável policial admite que houve descoordenações e que é necessário melhorar algo.

Bem…

Isto foi com um ensaio combinado!

Imaginem numa situação real…

Se fosse aos black block e afins, caso estejam a pensar fazer alguma coisa, mandava a segunda equipa e deixava os titulares a descansar para a próxima jornada…

Se nem quanto a um candidato presidencial se entendem, como se irão entender para apoiar o Seguro ou o Costa?

Esquerda do PS e figuras do soarismo procuram alternativa a Sócrates para “Governo patriótico”

Os socialistas estão preocupados. Com a descredibilização do Governo de José Sócrates e com a possibilidade de o Orçamento do Estado, em preparação para 2011, não ter condições de ser executado. E essa preocupação assola sectores da esquerda do PS, bem como figuras do soarismo, soube o PÚBLICO.

Sócrates: Opinião de Amado é também a do governo, mas oposição não quer assumir responsabilidades

Pudera… Cavaram o buraco e agora querem que os outros os arranquem lá de dentro….

No Expresso (p. 27) assinalam-se as percentagens absurdas de erros em exercícios básicos nas provas de aferição de Matemática e Língua Portuguesa, com destaque para o caso de 69% de alunos que não conseguiram ordenar alfabeticamente, sem erros, nove palavras.

Poderá parecer realmente absurdo.

Mas não é.

Poderíamos dizer que é o fracasso da Escola e da Educação.

Mas não é bem isso.

Pelo contrário, é um sinal de Triunfo.

Do triunfo generalizado da doutrina relativista do Errar é Humano, levada ao seu extremo.

Acham que, como professores de LP, não ensinamos (reensino, pois já deveria vir sabido) os alunos a ordenar alfabeticamente as palavras e a usar um dicionário?

Ensinamos.

Só que a coisa é encarada com displicência e considerada pouco relevante por muitos alunos que acham que se não for desta maneira, é parecido e é quase o mesmo, ou seja, o mesmo.

Mas não é.

Se as provas de aferição contivessem questões muito básicas, mas em que um erro simples implicasse um zero na sua classificação, os níveis de insucesso seriam galopantes.

O que vale é que na maior parte da provas se podem cometer erros sem grandes consequências.

E essa é a ideologia dominante de muitos teóricos do ensino entre nós.

Querem uma abordagem holística que privilegie o conjunto, e o seu eventual sentido, por sobre o conhecimento rigoroso das partes.

E, por qualquer razão curiosa, quiçá por verem que o culto do erro desculpável campeia na sociedade, a miudagem exerce o seu direito ao erro com escassa parcimónia e muita generosidade.

Se eu der uma lista de 5-6 palavras começadas pelas mesmas duas ou três letras (gelo, gelado, gelataria, geladeira, etc), o retorno em número de respostas totalmente certas é sempre muito abaixo do razoável?

Porquê?

Tanto, faz, setôr, qual é o problema? Não é a mesma coisa?

Mas ainda bem que…

Cortar salários é inconstitucional, diz Castanheira Barros

Cortar salários é inconstitucional, diz Castanheira Barros

O ex-candidato à liderança do PSD Castanheira Barros garantiu ontem que a proposta de redução de vencimentos aos funcionários públicos com remuneração mensal ilíquida superior a 1500 euros, prevista no Orçamento do Estado para 2011, é inconstitucional.

Em carta aberta enviada a todos os grupos parlamentares da Assembleia da República, o advogado Castanheira Barros afirma que a proposta do Orçamento do Estado para 2011, “ao consagrar a redução do vencimento dos trabalhadores que exercem funções públicas nas administrações central, regional e local, dos funcionários dos institutos e empresas públicas e dos militares das Forças Armadas e da GNR que auferem uma remuneração mensal ilíquida superior a 1500 euros, é inconstitucional”.

Segundo o advogado, esta inconstitucionalidade prende-se com o facto de a proposta violar o princípio da “confiança” – inserido no princípio do Estado de direito democrático, consagrado no artigo 2.° da Constituição – e o da “igualdade”, consagrado no artigo 13.°.

“Segundo o parecer número 16/92 do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, ‘a componente remuneratória própria e caracterizadora de cada categoria integra um elemento fundamental do respectivo estatuto e, nessa medida, a confiança essencial na manutenção do estatuto típico da relação funcional compreende a integralidade e a não-redutibilidade remuneratória’”, refere a carta aberta.

Para Castanheira Barros, “acresce que a proposta de lei do Orçamento em questão não contempla uma redução temporária nos vencimentos, mas sim definitiva”. “A redução remuneratória, ao não incidir sobre todos os trabalhadores que exercem funções públicas, dos funcionários dos institutos e empresas públicas e dos militares e da GNR, e ao não ser idêntica a percentagem de redução aplicar a todos os funcionários por ela abrangidos, viola também ainda o princípio da igualdade”, justifica.

Isto já é mesmo uma conversa de putos, ao nível da primária ou pouco mais. O Luisinho vem dizer umas coisas, para o Zézinho dizer que o Pedrocas não quer brincar aos berlindes (guelas na versão actual) com eles porque os outros meninos da rua não iam gostar…

Sócrates compreende Amado mas acusa oposição de não querer ter responsabilidades governativas

PCP acusa líder do BE de anticomunismo

Texto do ‘Avante!’ diz que, para Louçã, “só o soletrar do par de sílabas daquele país lhe aviva irresolúveis problemas de consciência”

O PCP acusou o líder do BE de “exercitar o seu melhor anticomunismo” quando se pronunciou sobre a visita do Presidente da China a Portugal. Na última edição do Avante!, Jorge Cordeiro, um dos nove membros do Secretariado do partido, escreveu que Louçã, “para quem só o soletrar do par de sílabas daquele país lhe aviva irresolúveis problemas de consciência que acompanham o seu percurso político, decidiu exercitar o seu melhor anticomunismo”.

Eu acho isto tudo mal, até porque a China não é comunista.

Vejamos: em termos económicos tornou-se potência mais pujante do capitalismo globalizado.

Politicamente é uma ditadura. Ora, dizem-me, o comunismo é a libertação final dos homens de qualquer opressão.

Ergo

Desde o apelo à paz podre do pantanoso centrão por um político irrelevante até à vaidadezinha de Vitorino, passando por um Alegre que talvez ainda não tenha percebido que errou por completo a sua estratégia eleitoral ao colar-se aos que mais irritam a sua anterior base de apoio.

Ao canto, espreitam, temerosos, os desempregados do tal Estado Social que nunca existiu…

Junho de 1982