Sexta-feira, 12 de Novembro, 2010


Lloyd Cole and the Commotions, Forest Fire

They say we shouldn’t even know each other
And that we’ll be undone
Don’t it make you smile like a forest fire

(c) Antero Valério

… mesmo se duvido que seja por iniciativa do actual PR, caso venha a ser o próximo PR.

Maioria pensa que haverá eleições em 2011

Para 57,7% dos inquiridos do painel Expresso/SIC/Rádio Renascença, os portugueses irão a votos já em 2011 em eleições legislativas.

Isso é que é uma maravilha. Do tipo de perceber as regras com que se cosipa a sua profissão… Não digo que seja um maravilhamento nos tempos que correm, mas é como se um cego passasse a ver pelo menos de um olho…

O cérebro de um adulto muda tanto como o de uma criança, quando aprende a ler

Cientistas e voluntários portugueses participaram num estudo internacional inédito sobre os efeitos da leitura no córtex cerebral, comparando analfabetos, leitores e ex-iletrados.

Pedro Silva Pereira diz que que o estado não deve nada às autarquias. Parlamento, debate na especialidade sobre o orçamento.

Olhando de forma desapaixonada para a situação da Educação – não apenas numa perspectiva dita corporativa, de defesa de privilégios e interesses próprios, mas também de um ponto de vista de funcionamento do sistema – há três formas de resistência dos agentes educativos, com destaque para educadores e professores, mas não só, que trabalham nas escolas contra a torrente de inépcia e abusos que se sucedeu à anterior torrente de abusos e inépcia.

Eu traçaria três linhas possíveis de defesa ou resistência ao disparate, ao dislate e ao resto: uma global, outra local e uma última individual. Todas revelam, neste momento, debilidades evidentes ao nível da eficácia, na sequência de um ano perdido na esperança de qualquer coisa que não aconteceu.

Eu vou tentar individualizar o que penso sobre cada uma delas, de modo necessariamente breve porque isto não é nenhum ensaio metateórico sobre a essência do tubérculo aéreo:

  • A nível global é relativamente simples despoletar acções tradicionais de protesto de massas: marcar uma greve, uma manifestação é algo que faz parte da rotina, assim como os mecanismos que lhes estão associados de tentativa de mobilização dos eventuais interessados ou de culpabilização dos ainda não totalmente indiferentes. O nível de sucesso destas iniciativas tem tendido para o zero desde a viragem do milénio e se calhar do paradigma de que todos falam, mas ninguém ainda definiu convenientemente. Mas como fazer diferente, com o terreno ainda tão minado pelo conservadorismo contestatário? Passo a explicar: é praticamente impossível conseguir erguer uma qualquer estratégia alternativa de resistência que não seja torpedeada de algum modo por um grupo ou grupos que sentem que a sua fórmula de sucesso é a única. Vejamos o caso da ADD: se alguém sugerisse a recusa global dos docentes aceitaram as nomeações para relatores, alegando razões legalmente previstas ou mesmo sob pena de procedimento disciplinar, haveria mil e uma razões por parte de muitos que criticam a ADD, no sentido de dizerem que não pode ser, assim só nos prejudicaríamos todos. Anotemos que seriam talvez os mesmos que defenderam a suspensão parlamentar da ADD em Novembro de 2009, sem perceberem que isso implicaria a não progressão de muitos milhares de docentes. Mas é a triste realidade: em termos globais, ainda não foi possível desformatar as mentalidades das cúpulas da luta profissional no sentido de pensaram out of the box e de modo não previsível pelos seus antagonistas. De forma cínica, acho mesmo que isto continua a ser uma coreografia pois dos dois lados estão camaradas de ontem, que sabem perfeitamente como se mexem as peças de xadrez, em particular os peões que são os zecos.
  • A nível local, tem sido possível até agora conseguir, por vezes com grande custo ou artifício, alguma unidade e coesão interna em escolas e agrupamentos, fruto da acção de órgãos de gestão em que predomina o bom senso ou de grupos de professores que funcionam como agregadores de vontades. Mas mesmo isso está em risco perante a erosão da força anímica causada por anos de incerteza, de atropelos, de total desorientação nas instruções que chegam e se sucedem. Neste momento, mesmo em escolas outrora coesas notam-se as fissuras a desenvolver-se, começando nos próprios mega-departamentos, em que a junção de muita e desvairada gente culminou, paradoxalmente, na fragmentação dos docentes em pequenos grupos de interesses ou em conflitos e oposições desses mesmos interesses. Cada vez é mais difícil definir uma estratégia comum a nível de agrupamento, escola, departamento ou grupo disciplinar porque cada vez mais gente sente que, ao optar pela coerência, pode vir a ser tramado pelos espertos. Foi essa a herança do concurso deste ano para contratados e os seus famosos asteriscos. Agora já todos perceberam que isso pode acontecer a todos os níveis e poucos são os que se querem arriscar a ser enganados.
  • A nível individual, o mais basilar de todos e aquele sem o qual os outros dificilmente funcional sem ser de modo esporádico ou excepcional, as coisas continuam entregues à consciência de cada um(a), sendo que os tempos têm sido duros para quem quer ser fiel nos actos ao que proclama em palavras e princípios teóricos. Como a nível de grupo, a desconfiança e o receio de ser ultrapassado e prejudicado ou de se expor a problemas tomou de assalto as ditas consciências, que se vão recolhendo perante os imperativos – quantas vezes naturais – da vidinha que todos somos obrigados a manter. E tem a sua lógica: de que serviu tanta luta? De pouco ou quase nada. Progrediram aqueles que cumpriram a ADD, enquanto a divisão na carreira desapareceu mas deixando presentes envenenados como agora se nota com as circulares da DGRHE sobre a transição entre modelos de carreira. O que encaram, individualmente, quase todos os docentes? A evidente degradação das suas condições de trabalho, de perspectivas de carreira e agora da própria remuneração, já antes diminuída pelo aumento do horário de trabalho. O que houve de positivo, de animador, nestes últimos anos? Esperanças desbaratadas, entusiasmos não correspondidos, entendimentos inesperados e acordos esburacados. Ser-se coerente e firme nestes tempos, fazer o que se afirma ser o justo e correcto, é um problema e é mal encarado por todos aqueles que, ao não o fazerem, acham problemático que alguém lhes demonstre, mesmo que de forma muda, a sua incoerência. E a opção natural da maioria é pelo acomodamento, mesmo que com raiva mal contida.

Em minha opinião, só através do aumento da pressão sobre o nível individual de insatisfação e de sensação de injustiça é possível alcançar alguma coisa, desde que essa insatisfação não se direccione para o lado e em redor, contra os colegas que estão reféns do mesmo catch 22.

Como conseguir isso?

Como romper os bloqueios e fazer renascer a unidade a partir dos indivíduos? É aí que radica(rá) o segredo de algum sucesso da tal resistência. Dando exemplos e não mostrando medo perante quem o sabe cheirar e agir em conformidade.

Quem entra em campo sem convicção, dificilmente consegue alguma coisa.

Embora seja fácil entrar em campo, disfarçado no meio da multidão…

Até porque as intervenções foram feitas, em grande parte dos casos, sem consulta prévia aos órgãos de gestão e sem que estas condições fossem claras.

Quem avisou que a Parque Escolar seria uma das fontes do descalabro da rede pública de ensino não era alarmista, apenas realista. A Parque Escolar é a quinta empresa ligada ao Estado com maior nível de endividamento e agora vai começar a cobrar.

Isto é gravíssimo… e vai estrangular financeiramente a gestão destas escolas e agrupamentos.

Escolas vão pagar por metro quadrado à Parque Escolar

As escolas públicas que sofreram obras de remodelação no âmbito do programa Parque Escolar (PE) vão começar a pagar rendas à empresa. À oposição a tutela não soube definir que custo terão essas rendas, mas informou que as escolas vão pagar determinada quantia por metro quadrado recuperado.

Associação Nacional de Municípios garante que o estado tem pagamentos em atraso às autarquias, Ministério da Educação diz que não. Para as autarquias o financiamento do estado também é insuficiente.

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Ministra de Educação garante que não há dívidas às autarquias, Fernando Ruas, associação de municípios, fala em recorrer aos tribunais.

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Fernando Ruas desmente a Ministra da Educação, o Ministério da Educação deve mesmo 76 milhões às autarquias.

A produção de efeitos

… se conseguem aguentar certas coisas… mas é mesmo com o volume no máximo…

Can can can you imagine a time when the truth ran free
The birth of a song and the death of a dream
Closer to the edge

Dívidas. Afinal quem mente: a ministra ou os autarcas?

Ministra Isabel Alçada garantiu no debate do OE que todas as contas com as câmaras estão em ordem. Os muncípios estão à espera de 76 milhões.

Cá vai ser por outros motivos e aposto que não dará direito a horas extra, pelo menos que sejam pagas:

Concursos ‘desertos’ dão horas extra a docentes

Em consequência da falta de professores algumas escolas da região tiveram de distribuir pelos docentes horários que não chegaram a ser ocupados, mesmo depois das ofertas públicas de emprego.

A falta de professores verificou-se nas disciplinas de Inglês, História, Geografia, Biologia e Filosofia.
Á TSF, Jorge Morgado,diz que em determinados grupos “derivado de rescisões de contrato, doenças e outro tipo de situações em que nas disciplinas em causa não temos candidatos em carteira, foram abertas ofertas publicas de emprego e essas ofertas nestes grupos ficaram desertas, daí que, essas horas tiveram que ser distribuídas pelos professores dos respectivos grupos das escolas.”

Se não tiverem problemas de partilhar o mesmo espaço que os jaimesramos, há por aqui hipóteses de emprego…

L’Irlande et le Portugal dans le collimateur des marchés

Docentes novatos avaliam colegas

Professores novatos no 1º escalão da carreira vão poder avaliar colegas do mesmo nível profissional ou em regime de contrato. E será também possível que os avaliadores pertençam a grupos de recrutamento diferentes dos avaliados. Uma circular do Ministério da Educação autoriza as escolas a proceder dessa forma, sempre que estiverem esgotadas outras possibilidades e mediante o acordo do avaliado.

E confirmo que disse mesmo isto, pois é o que penso depois de uma circular em que as soluções propostas revelam o absoluto desconhecimento, por parte de quem acordou o modelo de ADD, do que se passa nas escolas reais. Claro que há quem possa dizer que fez isto de propósito, só para…

Mediante a autorização do professor avaliado, é também possível que o avaliador pertença a outro grupo de recrutamento. “O que o ME vem dizer às escolas é desenrasquem-se, façam como quiserem, porque qualquer um pode ser avaliador. E até um professor de Matemática pode avaliar um de Inglês”, disse ao CM o professor Paulo Guinote, que divulgou a circular no blogue A Educação do Meu Umbigo. Guinote nota que “não foi tido em conta que era preciso pessoal qualificado para avaliar” e sublinha a ironia de as situações de excepção só serem possíveis de aplicar mediante acordo do professor: “Significa que a avaliação só avança se os professores estiverem para aí virados.”

A Fenprof já pediu o fim da avaliação, alegando que com o congelamento das progressões deixa de fazer sentido. O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, “não identifica qualquer motivo” para suspender a sua aplicação. Ventura justificou as medidas de excepção com a diversidade de situações do sistema educativo.

Não deve ser esquecido que este modelo é aquele que o actual secretário de Estado desenvolveu a partir da sua experiência no CCAP e que, a 9 de Abril, teve da parte do seu parceiro preferencial declarações públicas que correspondia a todas as exiencias que tinham sido feitas.

Deve, no entretanto, ter-se passado uma dissociação qualquer…

Professores ameaçam entupir tribunais contra cortes

(…)

Fenprof criou departamento só para preparar acções, do Constitucional a providências cautelares. Blogue A Educação do meu Umbigo revelou parecer de Garcia Pereira.

Ao que está na peça acrescentei, por exemplo, que esta não é uma questão só de professores e que o parecer já foi solicitado por organizações de outros corpos da função pública, mesmo antes de ter sido colocado online para uso de quem o entender.

Porque é verdade que é fácil ir no meio da multidão, mas mais difícil dar a cara e o nome ao manifesto em termos individuais…

Novembro de 2010