Ministério entende que escolas têm todas as condições para cumprir avaliação docente

O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, garantiu hoje em Aveiro que as escolas portuguesas têm todas as condições para levar a cabo o modelo de avaliação do desempenho docente.

Alexandre Ventura tem quase toda a razão e ao mesmo tempo não tem quase nenhuma. Porque depois desta circular da DGRHE que tenta remendar um péssimo modelo de ADD enxertado por ele próprio (seguindo recomendações de si mesmo quando era presidente do CCAP) com a anuência da Fenprof (recordemos as declaraçõ0es arrojadas de 9 de Abril) já tudo é possível.

A possibilidade de qualquer um ser avaliador(a) de qualquer outro(a), desde que este(a) aceite aquele(a), permite mais posições avaliador(a)-avaliado(a) que o kama-sutra. O que realmente permite que a ADD avance, desrespeitando alegremente a leytra da lei que o próprio ME renovou ainda este Verão.

Mas, por outro lado, esta alegre forma de atropelar a lei com circulares que surgem já depois dos prazos legalmente definidos para certas etapas do processo de ADD, também abre toda uma nova e ampla avenida para impugnar imensas coisas do ponto de vista processual.

Se é verdade que acho que os contratados, pela sua vulnerabilidade, devem exigir todos tudo aquilo a que têm direito (e este ano são tantos que chegam para criar muitos problemas em bastantes agrupamentos e escolas), já acho que os professores dos quadros podem ter – de novo – nas suas mãos a possibilidade de demonstrar a mediocridade e disparate deste modelo de ADD, mero enxerto de cepa já antes torta e que agora só foi cosmeticamente simplificada.

Agora qualquer docente já pode avaliar outro, nem que dê aulas há um par de anos, desde que o colega dê apenas há um ano, assim cheguem ambos – e o respectivo coordenador – a acordo. Ou, por disparatadas  hipóteses ,volta a ser possível um docente de Educação Visual ir avaliar um de Educação Física ou um de Economia ir avaliar um de Moral. Claro que depois dizem que deve ser com o aval da DGRHE (pontos 4 e 5 da circular). Mas… alguém acredita que a DGRHE responderá em tempo útil a dezenas de milhar de dúvidas bem específicas?